Pelos meus minúsculos conhecimentos entendo que toda amizade deve ser baseada numa óptica de mutualidade e reciprocidade e não na rivalidade e conflitualidade permanente. Portugal e Angola falam, mas não conversam. Ser amigo de alguém não significa concordar com tudo que ele diz e pensa.

Por Malundo Kudiqueba (*)

Não defendo a unanimidade ou uniformidade de pensamento como condição para ser amigo de alguém. Dizem que Portugal e Angola são países irmãos, mas não vejo irmandade.

Portugal e Angola têm uma amizade baseada em interesses, e toda amizade baseada em interesses é falsa. Numa amizade devemos colocar em primeiro lugar as pessoas e não os negócios.

Portugal e Angola são países amigos, mas não sei quem é, mais amigo de quem?

A amizade é como um casamento, será testado, e é nesses momentos difíceis que devemos promover a união e não a divisão.

A amizade é uma estrada com dois sentidos. Devemos buscar convergências quando há divergências. Devemos respeitar e celebrar as diferenças. A diversidade é um tesouro da humanidade. Devemos promover a solidariedade entre os nossos povos.

Um problema em Portugal como os incêndios no Verão, deve preocupar os angolanos, e um problema em Angola como o paludismo deve preocupar os portugueses.

Uma vitória ou conquista de Portugal deve ser celebrada em Angola, e uma vitória ou conquista de Angola deve ser igualmente celebrada em Portugal.

Se um português for maltratado em Angola espero que os angolanos sejam os primeiros a condenar o facto e se um angolano for maltratado em Portugal espero igualmente ver os portugueses se manifestar condenando o acto.

Não ao confronto mas sim a cooperação e colaboração.

Não vivo em Portugal ou Angola, mas o que acontece nesses países diz-me respeito.

(*) Em Birmingham