Há alguns dias ouvimos dizer que iam atribuir um prémio honorífico aos escritores da lusofonia que se destacarem nas publicações literários. Muitas das vezes este tipo de prémios tem por objectivo promover os organizadores, muito mais do que os homenageados.

Por Veríssimo Kambiote

Muitas pessoas do Bié e de outras províncias da Re(i)pública da Angola do MPLA, que estão em vias de morrer de fome ainda durante este ano, prefeririam ser premiados com comida, daquela tangível, em vez de alimentação de ficção.

Rapidamente vieram ao centro da sanzala vários “intelequetuais” protestar contra o facto de quererem escolher Fernando Pessoa como patrono simbólico desse prémio literário.

Que ele era português. Que ele era defensor da escravatura. Que ele era contra os Direitos Humanos. Que ele defendia o colonialismo. Que ele não era marxista-leninista…

O coro de protestos foi adensando cada vez mais e neste momento ainda não sabemos se Fernando Pessoa já foi ou não “zonerado do cargo” para que foi proposto.

Já se aventaram outros nomes para serem nomeados par o cargo de patrono do prémio literário, se Fernando Pessoa for “zonerado”.

Na sanzala estivemos todos reunidos para escolher uma personalidade que deverá ser o Patrono desse prémio literário para escritores da lusofonia. Chegámos à conclusão de que o que reúne maiores características de incoerência é o angolano Manuel Rui Monteiro.

(Não escolhemos o João Melo porque esse tem falta de tempo para estas andanças, está muito entretido a desempenhar o cargo lúdico de Ministro da Propaganda Demagógica e Educação Patriótica Anedótica.)

O Manuel Rui Monteiro foi um grande defensor dos Direito Humanos, da fraternidade e solidariedade a nível mundial. Não é motivo para ser excluído o facto de ter colaborado nos fuzilamentos de muitas dezenas de milhar de angolanos, no 27 de Maio de 77. De acordo com os dirigentes do MPLA, os fuzilamentos de dezenas de milhar de angolanos foram apenas “excessos cometidos”.

O Manuel Rui defendeu a protecção das crianças em todo o mundo civilizado. Os Meninos do Huambo, que morreram de fome e devido a epidemias, não fazem nem nunca fizeram parte do mundo civilizado. É por isso que a candidatura do Manuel Rui Monteiro não deverá ser rejeitada pelo facto de andar a prometer aos Meninos do Huambo que as estrelas seriam do povo.

O Manuel Rui escreveu um hino que defendia “Angola avante pelo poder para matar” durante a guerra civil iniciada pelo MPLA. Felizmente, uma gafe dactilográfica substituiu a palavra matar por popular. Agora o Manuel Rui apresenta-se como o autor desse erro do dactilógrafo.

O Manuel Rui defendeu que “orgulhosos lutemos pela paz” do Arquitecto da Corrupção. Foi por isso que a comunicação social oficial, abreviando, passou a designar o Zédu por Arquitecto da Paz (podre dos corruptos).

O Manuel Rui defendeu as forças progressistas do mundo. Esta é uma das poucas nódoas no cadastro do Manel. Não conseguiu esclarecer o tipo de progresso que poetizou. O progresso pode ser negativo (regressão), imutável ou positivo. Os quarenta e poucos anos de governação patética do MPLA demonstraram um progresso no sentido do regresso a um Re(i)gime Colonial Feudal. Isso permitiu que se criasse a ambiguidade que facilita a dúvida, difícil de esclarecer, se na Re(i)pública da Angola do MPLA o Presidente é Rei ou se o Rei é Presidente, ou o soba máximo desempenha ambos papeis em simultâneo.

Uma outra nódoa que faz parte do curriculum do Manuel Rui Monteiro, que não deverá ser impeditiva para a sua nomeação e tomada de posse como patrono do prémio literário da lusofonia, é o facto ele faltar à verdade nas suas declarações públicas.

Donald Trump é famoso por, em declarações públicas, ter dito mais de oito mil mentiras, só nos primeiros dois anos no desempenho do cargo de Presidente dos Estados Unidos. Uma inverdade do Manuel Rui Monteiro consegue ser mais ponderosa e superar todas as mentiras de Trump.

O Manuel Rui Monteiro disse que a vitória na Batalha do Coito-Karnaval, “pelas gloriosas tropas do MPLA” (esqueceu-se de referir os cubanos e soviéticos) libertou todos os países da África Austral. A nossa curiosidade levou-nos a efectuar uma consulta cartográfica para termos a certeza de que a Re(i)pública da Angola do MPLA faz parte da África Austral.

A Re(i)pública da Angola do MPLA, de facto, faz parte da África Austral. A Batalha do Coito-Karnaval não libertou muitos milhões de angolanos pobres da miséria, da fome, do analfabetismo, das epidemias, da corrupção, da mortalidade infantil… e nem sequer conseguiu dar um registo de nascimento a cerca de cinquenta por cento da população da Reipublicana-Monarquia do MPLA.

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