Embora não saiba o que isso significa, o primeiro secretário do MPLA no Moxico, Gonçalves Muandumba, afirmou hoje, no Luena, que a falta de moral (conjunto dos princípios e valores de conduta do homem) e ética (conjunto de regras de conduta de um indivíduo ou de um grupo) constituem barreiras para o desenvolvimento do país.

O político do regime, que intervinha na Conferência de moralização da sociedade levada a cabo pelo Comité Provincial do MPLA, salientou que a diversificação da economia deve estar aliada a boa conduta da população.

Neste contexto, exigiu profissionalismo de todos os trabalhadores do sector público e privado a serem competentes e responsáveis. Gonçalves Muandumba exige o que ele próprio não cumpre. Mas, importa perguntar-lhe (e também questionar quem o mantém como governador provincial) quem julga ele que é para fazer exigência ao sector privado?

Para o político do MPLA o bom profissional é aquele cuja prática e conduta, não contempla nem integra a corrupção, o nepotismo e a bajulação. É verdade. Mas qualquer profissional que rejeite a corrupção, o nepotismo e a bajulação não é do MPLA. E não sendo do MPLA está no desemprego. Portanto…

Entretanto o procurador da república junto dos Serviços de Investigação Criminal (SIC), Celestino Mukuta, ao dissertar sobre o tema “o papel dos órgãos da administração da justiça no combate a corrupção” convidou os cidadãos a envolverem-se no processo, encorajando o combate à cultura da impunidade, onde a justiça joga um papel preponderante.

Vira o disco e toca o mesmo

João Lourenço ofereceu a Gonçalves Muandumba uma cassete com aquilo que ele deve dizer até à exaustão. Cumpridor, o Governador do Moxico fez uma ligação directa entre o leitor de cassetes e o seu (embora anão) cérebro e não se cansa de repetir, repetir, repetir. Ainda não há um mês (11 de Julho), incentivou na cidade do Luena, os jovens a denunciarem actos ilícitos, de forma a ajudar no programa de combate à corrupção e ao nepotismo no país.

Gonçalves Muandumba fez estas declarações quando intervinha num encontro de auscultação com 100 jovens, tendo referido ser necessário o envolvimento de todos os munícipes nas acções de governação, cada um fazendo a sua parte para a moralização da sociedade, de forma a corrigir o que está errado (e que é culpa da UNITA, de Jonas Savimbi e de… Isabel dos Santos) e melhorar o que está bem.

Lembrou, por outro lado, que constam do Programa Integrado de Intervenção Municipal para o Moxico (PIIM) 87 acções, sendo 28 da responsabilidade provincial, 50 municipal e nove de âmbito central.

O governador fez saber que o PIIM na província do Moxico vai da prioridade a projectos do sector da Educação, por existirem 10 mil alunos, que estudam em locais inadequados. Hum! Culpa de quem? Provavelmente de alguns marimbondos. Não de todos porque muitos dos peritos e incólumes dirigentes de hoje eram ontem acérrimos marimbondos.

Em relação ao fornecimento da energia eléctrica à cidade do Luena, o governante disse que o problema será minimizado, a partir de Agosto deste ano, após a inauguração de uma nova central térmica de 20 Mega Watts (MW)

Gonçalves Muandumba informou que o Governo Provincial do Moxico está a trabalhar, em parceria com o Banco Sol, no sentido de financiar um projecto que visa a aquisição de equipamentos desportivos para a massificação da prática de desporto na região.

Na ocasião, os jovens apresentaram preocupações transversais aos 44 anos de governação do MPLA, tal como a falta de emprego, de habitação, o mau estado das estradas, restrições no fornecimento de energia eléctrica e de água potável.

Seis por meia dúzia, 50% de uma dúzia

Um melhor estudo da Constituição da República de Angola (CRA) deve ser promovido nas tropas estacionadas na Região Militar Leste (RML), para melhor interpretação das leis, recomendou em Março de 2018, no Luena, o governador provincial… Gonçalves Muandumba.

A ideia era (e é) tão boa que deveria ser estendida a toda a hierarquia do Estado, começando pelo próprio Presidente da República e terminando no próprio proponente.

O governador Gonçalves Muandumba fez a recomendação durante o acto de abertura do ano de instrução militar 2018/2019, na 72ª Brigada de Infantaria e Motorizada, argumentado que a medida dará maior conhecimento dos deveres e direitos dos efectivos.

A par disso, durante o ano de instrução militar, Gonçalves Muandumba incentiva a uma participação activa dos comandantes nas aulas, jornadas, palestras, exercícios e manobras militares programadas, para se cumprir com os objectivos.

Incentivou, igualmente, os efectivos da RML a apostarem na formação técnica militar, profissional e académica para fazer face às exigências modernas.

O governador destacou o papel desempenhado pelas FAA na garantia da segurança e da estabilidade da região, além da manutenção de unidades fortes, coesão, organizadas, disciplinadas e em prontidão combativa.

Por seu turno, o chefe de Preparação Combativa da RML, tenente-coronel Tavares Tchuca, informou que as tropas da região que engloba as das províncias da Lunda Sul e Lunda Norte vão “refrescar” conhecimentos técnicos e tácticos de preparação operativa-combativa.

Toda esta sábia formação de Gonçalves Muandumba vem dos tempos, ou até talvez antes, dos Campos de Férias dos Estudantes Universitários (CANFEU) da JMPLA, verdadeiros “campos de bebedeira e bacanais” onde, é claro, se aprende tudo o que há para aprender quando à CRA.

Gonçalves Muandumba, antigo ministro da Juventude e Desportos, ou melhor, dos jovens do partido, fazia questão de estar no local da bebedeira colectiva e, de lá, fazia discursos propagandísticos a elogiar a “clarividência de Sua Excelência Camarada Presidente José Eduardo dos Santos” no processo de embebedamento dos angolanos. Sim. Elogios apologéticos ao então “escolhido de Deus” e que, hoje, passou de bestial a besta.

Lembremos que José Eduardo dos Santos não esqueceu a orientação de Agostinho Neto dada aquando do seu discurso de proclamação da independência de Angola, segundo a qual “os órgãos do Estado na República Popular de Angola guiar-se-ão pelas directrizes superior do MPLA mantendo-se assegurada a primazia das estruturas do Movimento sobre as do Estado”.

Tese que nunca foi revogada e que, por isso, João Lourenço mantém válida embora maquilhada. As estruturas do Estado continuam subordinadas ao partido, desde 11 de Novembro de 1975.

A Televisão Pública de Angola (TPA) e a Rádio Nacional de Angola (RNA), empresas estatais, apoiavam com bastante entusiasmo os inúmeros eventos particulares, com realce as festas onde até morriam pessoas, cujos organizadores nunca foram sequer responsabilizados.

O caro leitor pode confirmar o patrocínio da imprensa estatal ao pesquisar os cartazes dos espectáculos musicais de, por exemplo, Yuri da Cunha, Matias Damásio, Nagrelha e Coreon Du, o agente dos kuduristas e principal promotor das bebedeiras através dos vulgares programas televisivos Flash, Tchilar e Layfar.

O Movimento Juvenil da Revolução Limpa, por exemplo, diz que “o país vive uma estratégia engendrada pelo ex-ministro da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba, e pelo o ex-venerando juiz conselheiro Rui Ferreira (hoje Presidente do Supremo Tribunal), de se apossarem, indevidamente, de infra-estruturas desportivas, sem contrapartida para o Estado, ao descurarem qualquer concurso público”.

“Um dos maiores empreendimentos realizados pelo Governo; a Vila da Juventude, localizada no Parque Nacional de Campismo, na província de Benguela, o ex-ministro da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba visando ser poupado judicialmente, numa série de crimes de corrupção e roubo do erário público, em que está envolvido, entregou a Vila a favor da empresa Acácias Tour, pertencente aos filhos do ex-venerando juiz conselheiro presidente do Tribunal Constitucional, Rui Ferreira”, acusa o Movimento Juvenil da Revolução Limpa.

Recorde-se que Angola acolheu um Open internacional de Golfe, em 2016, enquadrado no circuito da associação profissional da modalidade para a Europa. Tudo porque, segundo Gonçalves Muandumba, realização da competição em Angola foi o culminar de “mais de um ano de negociações entre o Ministério da Juventude e Desportos e os organizadores da European Tour de Golf”.

“O Golf já começa a despontar paixões no país e, particularmente em Luanda, onde já existem muitos praticantes”, frisou Gonçalves Muandumba, lembrando que Angola possui um dos melhores campos de Golfe da região Austral de África. Trata-se do recinto dos Mangais, na Barra do Kwanza, onde o Rio Kwanza se cruza com o mar e a paisagem da Quissama (parque nacional).

Legenda: Gonçalves Muandumba a “ajudar” os trabalhadores de limpeza no Luena.

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