O Presidente da República, João Lourenço, desloca-se amanhã, sábado, a Nova Iorque a fim de participar na 74ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas e discursará perante o plenário da ONU no dia 24. Segundo uma nota da Casa Civil da Presidência João Lourenço será o primeiro orador na sessão da tarde desse dia, o mesmo em que se inicia o debate geral com as tradicionais intervenções do Brasil e do país-sede da ONU, os Estados Unidos da América. A governação seguirá logo que possível.

É também na terça-feira que o Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, vai discursar, logo após João Lourenço.

O chefe de Estado angolano vai cumprir “uma intensa agenda” durante a sua estada em Nova Iorque participando em eventos ligados à economia, ao clima e à diplomacia, bem como encontros com personalidades relevantes do mundo da política, da alta finança e da filantropia.

O comunicado adianta que vão acompanhar João Lourenço vários ministros, que terão participações em painéis de debate, relacionados com a economia, meio ambiente, desenvolvimento sustentável, universo bancário e financeiro, investimentos, negócios e energia, entre outros.

Na sua primeira intervenção na Assembleia Geral da ONU, e no dia em que celebrava o primeiro aniversário como Presidente, João Lourenço destacou a “experiência única” de Angola na construção de uma paz duradoura, o que pode servir de exemplo para o resto do mundo.

João Lourenço aproveitou o discurso para prestar tributo a “duas figuras da política mundial” e “dois filhos de África”, Nelson Mandela, antigo Presidente sul-africano, e Koffi Annan, antigo secretário-geral da ONU.

“Acreditamos que a experiência de Angola na construção da paz e da reconciliação foi positiva para as Nações Unidas e para algumas regiões do mundo”, afirmou o Presidente angolano.

Centrando-se naquilo que, para si, deveriam ser as prioridades da ONU, João Lourenço chamou a atenção para questões que “podem pôr em causa a própria sobrevivência da humanidade”, como a “fome e miséria” (algo em que o partido de João Lourenço, o MPLA, pode falar de cátedra) o aquecimento global, as migrações em massa, o tráfico humano, a intolerância religiosa e o extremismo” ou “a proliferação e descontrolo das armas nucleares”. Relativamente a este último aspecto, o Presidente angolano reconheceu os avanços alcançados na “desnuclearização da Península da Coreia”.

Elogiando também o papel da ONU (para além do MPLA) no fim do colonialismo”, João Lourenço disse que a organização está ainda “longe de cumprir o que está na sua carta”. Em concreto, o chefe de Estado, presidente do MPLA (partido no governo há 44 anos) e Titular do Poder Executivo falou dos “velhos conflitos ainda por resolver”, como por exemplo, entre Israel e Palestina, cuja solução “só pode ser a de dois Estados a conviverem lado a lado e de forma pacífica”. Por isso, disse, “muitas têm sido as vozes que exigem reformas profundas na ONU”.

Apesar disso, “Angola manifesta toda a sua disponibilidade para continuar a apoiar todos os esforços na promoção da cooperação entre as nações todos de todo mundo e na consolidação da paz”.

Recordemos o 40º aniversário da admissão da República de Angola na Organização das Nações Unidas, ocorrida no dia 1 de Dezembro de 1976. O acto foi presidido pelo Representante Permanente de Angola junto das Nações Unidas, embaixador Ismael Gaspar Martins, e contou com a participação do representante Permanente adjunto, Embaixador Hélder Lucas, a embaixatriz Luzia Gaspar Martins e funcionários da Missão Permanente.

Na ocasião, o embaixador Ismael Martins descreveu o percurso de Angola desde a luta pela sua independência até à admissão na Organização das Nações Unidas.

Durante a singela cerimónia, decorrida nas instalações da Missão Permanente, o embaixador Ismael Martins exortou os funcionários a continuarem a primar pelo patriotismo e preservação das importantes conquistas do país na arena interna e internacional.

Angola foi admitida como Membro da ONU durante a 31ª sessão da Assembleia Geral, presidida por Hamilton Shirley Amerasinghe (Sri Lanka) e na qual o país participou com uma delegação chefiada pelo então ministro das Relações Exteriores e depois Presidente da República durante 38 anos, José Eduardo dos Santos. A cerimónia foi presenciada pelo ex-Secretário-Geral das Nações Unidas, Kurt Waldheim.

Na altura, José Eduardo dos Santos recordou aos presentes as inúmeras dificuldades enfrentadas pelo povo angolano para alcançar a Independência Nacional, e expressou gratidão aos Estados Membros da ONU que apoiaram esses esforços de liberdade.

Desde a sua admissão na ONU, Angola tem sido um membro activo e interventivo, tendo integrado vários órgãos, com realce para o Conselho de Segurança (2003-2004 e 2015-2016), Conselho de Direitos Humanos e Conselho Económico e Social.

Foto: O então Ministro das Relações Exteriores, José Eduardo dos Santos, falando na ONU durante a 31ª sessão da Assembleia Geral.

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