Os chefes da diplomacia angolana e portuguesa afirmaram hoje, em Luanda, estarem criadas “todas as condições” para a realização da visita de Estado do Presidente de Portugal a Angola, que decorrerá de 5 a 9 de Março próximo. Vai ser um Carnaval em grande!

Numa conferência de imprensa conjunta, Manuel Augusto e Augusto Santos Silva adiantaram que Marcelo Rebelo de Sousa visitará oficialmente Angola a partir de 5 de Março e que se prolongará por quatro dias, incluindo deslocações para fora da província de Luanda, embora não as tenham especificado.

Segundo Manuel Augusto, as reuniões de trabalho mantidas hoje com o homólogo português, que se veio a despacho e Luanda durante 24 horas, permitiram limar todas as arestas para a criação de condições para a visita de Marcelo Rebelo de Sousa a Angola.

“Estão criadas todas as condições para a visita e as reuniões de hoje permitiram consolidar a preparação e o respectivo programa. Até 5 de Março, vamos continuar a trabalhar para que a visita constitua um ponto alto nas relações entre os dois países”, sublinhou o ministro das Relações Exteriores angolano.

Por seu lado, Santos Silva, realçou que, durante a deslocação, Lisboa e Luanda vão assinar mais acordos de cooperação em vários domínios, que não especificou, que se juntarão aos 24 instrumentos já rubricados em Portugal, durante a visita, em Novembro de 2018, do Presidente angolano, João Lourenço.

Salientando a “excelência das relações bilaterais” (em que Portugal decide mas só Angola manda), o ministro dos Negócios Estrangeiros português realçou o facto de, em apenas dois anos, ser esta a quarta deslocação que faz a Luanda, destacando também que, desde Setembro de 2018, o primeiro-ministro António Costa já esteve em Angola e João Lourenço em Portugal.

“Agora será a vez do Presidente português fazer uma visita de Estado a Angola. Isto atesta bem a intensidade das relações entre os dois países”, sublinhou. Atesta mesmo. E atesta de tal maneira que Portugal vai continuar submisso e bajulador se, é claro, não quiser irritar o Presidente do MPLA que, nesta matéria, está solidário como Titular do Poder Executivo e com o Presidente da República…

Santos Silva, que a meio da reunião de trabalho saiu para ser recebido em audiência por João Lourenço, salientou o facto de todos os documentos de cooperação assinados entre os dois países estarem na fase de desenvolvimento.

“Hoje de manhã, tivemos oportunidade de fazer o ponto de situação e posso afirmar que todos os 24 instrumentos de cooperação [assinados durante as visitas de António Costa a Angola e de João Lourenço a Portugal] estão em curso”, referiu.

Santos Silva adiantou, por outro lado, que, ao analisar-se as relações económicas entre os dois países, nota-se que estão cada vez mais equilibradas – “uma relação económica tem de beneficiar ambos os países e de ser equilibrada” -, salientando que, no último ano, “a um menor volume das exportações portuguesas para Angola contrapõe-se um aumento das angolanas para Portugal”.

O chefe da diplomacia portuguesa realçou também o apelo que fez na quinta-feira à noite num encontro privado – realizado na residência do embaixador de Portugal em Luanda, João Caetano da Silva – com dezenas de empresários portugueses que operam em Angola, tendo garantido que estão entusiasmados com as novas perspectivas do mercado angolano.

Sobre o encontro com João Lourenço, o ministro português nada adiantou, limitando-se a indicar que agradeceu ao Presidente angolano “a sabedoria” na forma como quer a Embaixada de Angola em Portugal, quer o Ministério do Interior angolano actuaram na sequência “do incidente” que ocorreu no Bairro da Jamaica, no Seixal, arredores de Lisboa.

Terminada a parte institucional da visita de trabalho, Santos Silva, que viajou para Luanda acompanhado pelos secretários de Estado da Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, e Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, efectuou visitas a empresas portuguesas que operam em Angola.

Trata-se da construtora Teixeira Duarte, onde visitou o Centro de Formação da empresa, em Talatona (Luanda Sul), e a empresa Casais, em Viana (leste da capital angolana), regressando depois a Portugal.

De acordo com Paulo de Morais, presidente da associação portuguesa “Frente Cívica”, “a Mota-Engil revelou ter já uma carteira de obras em Angola no valor de 800 milhões de euros. São os primeiros resultados da bajulação de Marcelo Rebelo de Sousa a João Lourenço (presidente) e Manuel Vicente (o “irritante” arguido e ex-vice), que começou em 2018 em Lisboa e continua no próximo mês em Luanda”.

“Estão em festejos a Família Mota e todos políticos avençados no Grupo Mota-Engil: Jorge Coelho (que já agradeceu a Marcelo, na TVI, apoiando-o como Presidente), o seu primo Paulo Portas, o seu colega de televisão Lobo Xavier, mas também Valente de Oliveira, Seixas da Costa ou até o filho de António Guterres, também administrador da Mota-Engil”, escreveu Paulo de Morais.

Folha 8 com Lusa

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