O Governo angolano quer (é, pelo menos, o que diz) “diminuir a excessiva consultoria externa” e promove, a partir de hoje, uma acção formativa dirigida a 200 técnicos para “assegurar a operacionalização” dos serviços da Justiça e Direitos Humanos. Bem visto.

A culpa nesta matéria como em quase todas em que o MPLA confunde o corredor de fundo com o fundo do corredor é, reconheçamos, dos consultores externos. Num ou noutro caso, convenhamos, poderá haver ainda uma mãozinha de Jonas Savimbi ou até mesmo de Isabel dos Santos…

O ciclo de formação (mais exactamente de formatação) previsto para quatro meses, orçado em 90 milhões de kwanzas (224 mil euros) e subdividido em duas fases, é uma iniciativa do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos e será ministrado por técnicos do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação (MTTI) angolano.

Temáticas sobre gestão dos sistemas informáticos aplicados ao sector da Justiça, reparação de computadores, conectividade de sistemas e redes constam da agenda deste ciclo de formação, cujas aulas vão decorrer no Instituto de Telecomunicações de Luanda (ITEL), órgão tutelado pelo MTTI. Funcionários do Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos das 18 províncias angolanas participam na acção dita de formação.

Segundo o director do gabinete de Estudos, Planeamento e Estatística do órgão ministerial que vela pela Justiça e Direitos Humanos em Angola, Carlos Cavuquila, a iniciativa enquadra-se no Programa de Modernização dos Serviços de Registos e Notariados, dos Serviços de Identificação Civil e Criminal e da expansão do Centro de Resolução Extrajudicial de Litígios.

“O objectivo central é capacitar os técnicos do ministério em matéria de gestão dos sistemas informáticos aplicados ao sector da Justiça a formação está assegurada integralmente pelo Ministério da Justiça com custo médio de 450.000 kwanzas por formando”, disse hoje Carlos Cavuquila, na cerimónia de abertura do curso.

“Com essa acção esperamos formar cerca de 200 técnicos que vão assegurar a operacionalização dos serviços e garantir a gestão dos respectivos sistemas informáticos, de tal maneira que deixemos de depender das consultorias externas, que são sempre muito caras para o país”, acrescentou.

Por seu lado, o secretário de Estado para as Telecomunicações de Angola, Mário Oliveira, referiu que a formação de quadros é um dos pilares importantes para o desempenho das funções e a acção formativa reveste-se de capital importância.

De acordo com o governante, que espera por “empenho total dos formandos em prol da sua superação contínua”, a iniciativa visa igualmente “diminuir o excesso de consultores que vêem ao nosso país e que deixam ficar pouca formação”.

A acção formativa foi ainda assinalada pelo director-geral do ITEL, André Pedro, sublinhando que uma equipa de técnicos da instituição aferiu durante um mês as atuais infra-estruturas tecnológicas que suportam os serviços da Justiça e dos Direitos Humanos em Angola.

Gritante (ou surda) carência de quadros do… MPLA

Formar quadros angolanos (preferencialmente do MPLA) é uma excelente aposta do Governo, sobretudo por se verificar que essa carência obriga a que os peritos existentes no partido sejam obrigados a falar de tudo, seja de pentes para carecas, luvas para manetas e até do enigmático achatamento polar das… batatas.

Veja-se, como muito bem reporta o Jornal de Angola, o caso secretário de Estado da Comunicação Social que, no município de Chipindo, na Huíla, solicitou a maior adesão a algo que, na circunstância, até está (está não está?) na sua esfera de acção: a campanha de vacinação contra a poliomielite, aproveitando para esclarecer os pais e encarregados de educação sobre a importância da vacina.

Celso Malavoloneke, que visitou o município de Chipindo, no âmbito da campanha de – escreve o JA – “bloqueio da poliomielite vírus 2”, afirmando que foram registados no município alguns casos de rejeições da vacinação, que não foram muitos, e resolvidos em tempo oportuno.

O governante destacou a importância desta campanha e defendeu a sua expansão para permitir que a comunidade tenha acesso à vacina. “Temos de trabalhar para que haja maior adesão a esta campanha e a garantia que todos são vacinados”, precisou.

O secretário de Estado (da Comunicação Social) manifestou-se satisfeito pelo facto de haver rigor no preenchimento das fichas de supervisão. Reconheceu ter encontrado um nível de prontidão e o moral alto dos técnicos e equipas de vacinação, apesar das dificuldades que têm a ver com a dispersão das aldeias. Entre as dificuldades encontradas, apontou ainda o preenchimento das fichas de supervisão e de rejeições, uma vez que alguns pais rejeitavam dar a vacina às suas crianças, mas, felizmente, foram todas ultrapassadas.

“Apesar dos constrangimentos, encontrei um nível de organização, empenho, sacrifício e determinação a todos os títulos louvável. Quero aproveitar esta oportunidade para expressar a minha satisfação”, enfatizou.

Durante a visita de dois dias ao município de Chipindo, Celso Malavoloneke visitou o centro municipal de Saúde, situado na comuna sede, e deslocou-se à comuna do Bambi, onde constatou o andamento da campanha de vacinação.

Na comuna do Bambi, o governante visitou, igualmente, o posto de Saúde local. No município de Chipindo, situado a 456 quilómetros a leste da cidade do Lubango, foram vacinados 17.326 crianças menores de cinco anos de idade contra a poliomielite.

Celso Malavoloneke, no encontro com as autoridades sanitárias e administrativas locais, considerou positiva a campanha, na medida em que se colheram boas sugestões nas mais variadas áreas, com destaque para o sector da Saúde.

O êxito da visita foi tão grande que, consta, na próxima semana irá esclarecer as populações sobre a gravidez ectópica (ou seja a que acontece em posição ou local anormal) nas minhocas. No próximo mês será, consta também, o orador convidado para discursar sobre a seca no Afeganistão, o que contribui para o nascimento de crianças desdentadas nos calcanhares e nas orelhas, bem como sobre a surdez do satélite Ango-Rússia 1…

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