Um poeta brasileiro diz-nos que “o nada sobre o nada é nada”. Um poeta português diz-nos: “ou tudo ou nada, o meio termo é que não pode ser”. Um poeta angolano diz-nos: “porrada se refilares”.

Por Domingos Kambunji

Esta nossa introdução vem na sequência da observação que efectuámos, muito pacientemente, da actuação do coro de dinossauros matumbos dos órgãos oficiais da comunicação social da Re(i)pública da Angola do MPLA.

A TPA do MPLA deu voz a um comunicado do Departamento de Informação e Propaganda (DIP) do Bureau Político do MPLA, em que o redactor/a, monangambé domesticado e obediente nesta instituição, um dinossauro microcéfalo, criticando um título do Folha 8 online, demonstra uma híper-incapacidade para poder fazer a interpretação de um texto. Até é de admirar o presidente João “50 milhões de dólares” ainda não ter exonerado esse ou essa escriba, por revelar uma capacidade intelectual tão limitada e estar a prestar um mau serviço à propaganda do MPLA (o Partido que iniciou a guerra civil em Angola e fuzilou muitas dezenas de milhares de angolanos).

Num país civilizado, uma estação de televisão a sério noticiaria também o contraditório e não se limitaria a apresentar uma versão de um departamento de propaganda (do MPLA) completamente falaciosa, para proteger a actuação da vice-presidente do MPLA, que se arma em “Nossa Senhora dos Remédios e das Desgraças”, sem ter pedalada, competência e conhecimento científico para tal.

Tudo isto aconteceu na semana que culminou com a “Grande Celebração da Grande Vitória na Batalha do Coito-Carnaval”.

A Juliana Cafrique, zungueira fuzilada em Luanda pela “pulhícia” do MPLA, não foi condecorada neste espectáculo mediático de promoção do MPLA, celebrando uma vitória fictícia. A criança Rufino António, fuzilado por militares ao serviço do MPLA quando derrubavam a cubata paupérrima onde vivia com os pais, também não foi condecorado. As muitas dezenas de milhar de angolanos fuzilados pelo MPLA no 27 de Maio de 1977 também não foram lembrados. O jovem Ganga, fuzilado por militares ao serviço do MPLA, só porque estava a fazer propaganda política de um partido da oposição, também não foi recordado nas “Celebrações da Batalha do Coito-Carnaval”.

No caso da zungueira Juliana Cafrique, o governo da Re(i)pública da Angola do MPLA diz que os Tribunais do MPLA já estão a fazer “justiça”. Já prenderam e irão julgar o sub-remunerado “pulhícia” que obedeceu à cultura implementada pelo Comandante da “Pulhícia”, que obedeceu às “ordens superiores” do Ministro do inTerror, Ângelo Veiga. Não seria mais profiláctico e honesto prender e julgar o Ministro do inTerror e o Comandante da “Pulhícia”? Nestas tragédias o “pé descalço” acaba por ser sempre o culpado!…

O Ministro do inTerror é o mesmo que no tempo do Zé Kitumba mandava reprimir todo o tipo de manifestações que defendessem a implementação na Re(i)pública da Angola do MPLA de uma democracia, o que mandou espancar e prender os Revus. Agora o Ângelo é Anjinho e também é democrata da vigésima quinta hora?

A semana termina ou principia, depende das perspectivas, com o jornal da Angola do MPLA a tentar copiar os comportamentos incoerentes e os sofismas do Departamento de Informação e Propaganda do Bureau Político do MPLA, esganiçando-se a procurar dar lições sobre o “politicamente correcto”.

O “politicamente correcto” do jornal da Angola do MPLA varia com demasiada frequência, dependendo dos humores e das modas do DIP do MPLA. Em 1977 a moda do DIP do MPLA era defender os fuzilamentos do 27 de Maio. Durante a guerra civil, iniciada e continuada pelo MPLA, no tempo do Zé Kitumba, a moda do DIP do MPLA sobre o “politicamente correcto”, propagandeada pelo jornal da Angola do MPLA, era defender a aniquilação da oposição para implantar uma ditadura marxista-leninista em todo o território nacional. Após a implantação da “paz” (podre) a moda do DIP do MPLA sobre o “politicamente correcto” era defender o capitalismo selvagem para o enriquecimento do presidente, familiares e generais coniventes e obedientes e as eleições fraudulentas.

Agora a moda do DIP do MPLA é propagandear o presidente João “50 milhões de dólares”, que andou a estudar na Rússia para ser general defensor da ditadura do marxismo-leninismo e, quando o comunismo deu o berro na União Soviética, exercer o cargo de Ministro da Defesa da Cleptocracia do Zé Kitumba.

Agora a moda do DIP do MPLA é dizer bem dos países “capitalistas imperialistas inimigos do povo angolano” porque o MPLA depende deles para concederem fiado.

O nosso “politicamente correcto” é exactamente o oposto das práticas do jornal da Angola do MPLA. Se o DIP do MPLA ficar chateado não ficaremos preocupados por isso porque, pelo menos somos capazes de ser irreverentes de uma maneira construtiva e não somos domesticáveis para os espectáculos circenses do MPLA.

O nosso modo de observar os factos consiste em defender a coerência, a objectividade, a consistência em sermos observadores independentes dos cambalachos do orçamento do Estado e não usamos as lentes que o DIP do MPLA tenta impor para ver jardins onde o território é uma enorme fedorenta e poluída lixeira.

O mesmo poeta brasileiro que nos diz que “o nada sobre o nada é nada” também nos diz que “o branco sobre o branco é branco e não se devem escrever poemas sobre efemérides incongruentes”.

Na Re(i)pública da Angola do MPLA o branco, sobre o sangue derramado pelas vítimas das guerras e do “politicamente correcto” imposto pelo DIP do Bureau Político do MPLA, é um tecido que fica demasiado manchado de sangue, de ódio e das contradições nas comemorações de efemérides, que consistiram basicamente em ceifar vidas humanas e deram Liberdade, só aos Senhores da Guerra, para implantar uma Oligarquia Cleptocrática.

O poeta angolano estava longe de imaginar que o seu “porrada se refilares” iria ser transformado em “fuzilada se reclamares, se fores zungueira”.

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