O representante da raposa que o Governo colocou dentro do galinheiro angolano, e que se chama Fundo Monetário Internacional (FMI), Marcos Souto (chegado ao país em Agosto mas já se assumindo como o supra-sumo do terreiro), desvalorizou hoje em Luanda a diferença nas perspectivas de crescimento do país para 2020, de 1,2% para a organização financeira internacional e de 1,8% do Governo angolano, entre outras que são bem piores ou, melhor, mais realistas.

Marcos Souto, que foi hoje apresentador do tema “Navegação pela Incerteza”, no acto de divulgação do Relatório do FMI sobre as suas Perspectivas Económicas Regionais da África Subsaariana, considerou normal a disparidade numérica percentual. Bem normal, acrescente-se. Sobretudo para os que têm (pelo menos) três refeições por dia. Para os que nem sabem bem o que é isso de refeições, a situação é anormal. Mas esses, entende o FMI e o Governo, não contam.

“Isso é normal, porque depende muito das hipóteses que as pessoas têm dos seus modelos. Acho que não me focaria nesse momento em um nível específico de crescimento, o que importa aqui mais é a tendência que demonstra a economia angolana”, referiu Marcos Souto em declarações à imprensa à margem do evento, reflectindo um auto-elogio ao FMI e um atestado de matumbez ao Governo.

Segundo o representante residente do FMI em Angola, a economia angolana está a enfrentar os seus desafios, “mas vem numa trajectória de recuperação”, num olhar sobre os últimos quatro anos. Isto, é claro, por contar com o filosofal saber do FMI que, um pouco por todo o mundo, tem demonstrado que é perito em ensinar os povos que dele precisam a viver sem… comer.

“Embora haja aqui uma contracção da actividade económica, nós vemos que essa tendência tem sido de desaceleração dessa contracção e vemos uma possibilidade de crescimento no próximo ano já”, afirmou o representante daquele (o FMI) que é, na sombra, o verdadeiro Titular do Poder Executivo e que o povo considera, e bem, ser a raposa que está dentro do galinheiro a “guardar” as galinhas.

Relativamente à preocupação do Governo de Angola no que se refere à dívida pública, Marcos Souto considerou importante para qualquer país, não só Angola, que a mesma seja liquidada. E lá pagar, Angola vai pagar. Se não for a bem será com as suas riquezas que, é claro, não incluem a nossa maior riqueza: os angolanos.

“Porque se você não paga a sua dívida pública, você passa a ter dificuldades de se financiar, seja internamente, seja no exterior, e não é apenas isso, o custo de financiamento cresce. Para qualquer país, não apenas para Angola, é importante que se mantenha em dia com as suas obrigações, a fim de que tenha acesso ao financiamento e a um preço razoável”, defendeu. Bastaria dizer que o os credores não trabalham de borla. Bastaria afirmar que, em troca, os autóctones podem sempre receber “fuba podre, peixe podre, panos ruins, cinquenta angolares e porrada se refilarem”.

O Governo angolano anunciou que mais de metade do Orçamento Geral do Estado (OGE) 2020 é para o pagamento da dívida pública, que representa actualmente um peso de 90% do Produto Interno Bruto (PIB).

De acordo com o Governo, a prioridade para o OGE 2020 está virada para a consolidação fiscal, com particular realce para o controlo da dívida pública e ao relançamento da actividade económica.

Marcos Souto enalteceu o compromisso que Angola tem hoje em alcançar este desiderato, do qual “não se pode furtar de imediato”. “O que se está a fazer aqui é um conjunto de medidas de natureza macroeconómica, para trazer o equilíbrio dos principais indicadores da economia angolana, melhorar as finanças públicas e assim, gradativamente, fazer espaço para investimentos e o crescimento da economia”, salientou.

Recorde-se que a mesma faminta raposa (FMI) previu um crescimento económico negativo (recessão) de 0,3% do Produto Interno Bruto para Angola este ano, antecipando depois uma expansão de 1,2% em 2020 e uma aceleração para 3,8% em 2024. Como é óbvio, em dois anos o Presidente dos angolanos do MPLA, João Lourenço, não poderia fazer mais… Mandou vir a raposa, deu-lhe a chave dos galinheiros e agora quem tem de a alimentar o Povo.

De acordo com o relatório sobre as Perspectivas Económicas Mundiais, divulgado no dia 15 de Outubro deste ano (há, portanto, 20 dias) em Washington, os peritos do patrão de Marcos Souto afirmam que “a economia de Angola, por causa do declínio na produção petrolífera, deve contrair-se este ano e recuperar apenas moderadamente no próximo”.

Por este andar em que o Governo não trabalha nem deixa trabalhar os que querem, para o ano o FMI fará novas revisões das suas perspectivas, em baixa, alertando João Lourenço que é mais rentável (e barato) acabar com os pobres do que acabar com a pobreza. E se houver alguma turbulência logo aparecerá o italo-brasileiro Marcos Souto (se ainda cá estiver) a pôr água na fervura.

Para o conjunto da região da África subsaariana, o FMI prevê um crescimento de 3,2% neste ano e de 3,6% em 2020, “o que é ligeiramente mais baixo, em ambos os anos, do que o previsto no relatório de Abril”. Aliás, sempre que o FMI faz previsões é certo que “dispara” para Cabinda e acerta no Namibe.

Nas previsões, o FMI antecipa que a inflação desça de 17,2% este ano para 15% em 2020 e que a balança corrente fique negativa em 2020, em 0,7% do PIB, depois de registar um valor positivo de 0,9% este ano.

O relatório “World Economic Outlook”, não se debruça em pormenor sobre as economias africanas, oferecendo antes uma visão mais global da economia mundial onde a generalidade mascara a imprecisão do particular.

Folha 8 com Lusa

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