Caro leitor. Faz quase um ano que escrevo neste espaço. Por isto – e permitam-me a partir de agora usar uma linguagem mais rude e simples para o que eu aqui disser ficar claro – está na altura de por os pontos nos “is”. De pôr o preto no branco.

Por Brandão de Pinho

Eu agora não sou um colunista qualquer. Por tudo. Pelo que escrevi sem falhar uma semana. E sobretudo pela forma como defendi e representei os angolanos mais fracos – que são a maioria de vós, infelizmente – aqueles, no fundo, que são ostracizados, subjugados, enganados e escravizados por esta organização mafiosa clepto-plutocrática de uns quantos cortesãos emepelianos que se chama: – Angola!

Todos os que não estão na corte de SMR MPLA (não é de JLo) restantes – pelo menos 22 milhões de angolanos – são uns tontos se acaso pensam que são angolanos de primeira. E mais. Eu sou tão ou mais angolano quanto vós. E sou tão preto, por dentro como por fora, mais preto do que eu não há. Sabemos muito bem que os mulatos – descendentes de portugueses – não precisam de andar a “zungar” nem fazem parte dos 22 milhões. Nem os brancos e portugueses precisam de “zungar” apesar de estes últimos quando emigram para a verdadeira Europa ou vão para as obras, mais eles, ou, vão para a “ménage”, neste caso mais elas. Mas em Angola andam engravatadinhos e com os melhores trabalhos e quando uma empresa portuguesa precisa de alguém com habilitações ou para posições de extrema confiança, contrata mais um português. É verdade. Só espero que não seja legítima nem verosímil esta posição dos angolanos não servirem.

Se houver algum bastardo filho de uma mãe que duvide da minha “angolonidade” ou angolanismo está muito enganado irritando-me de forma assaz desagradável e sobremaneira. Por isso a partir de agora exijo respeito porque não é angolano só quem quer crer e querer sê-lo podendo sê-lo por isso só, e, porque tem um “Bilhete de Identidade” todo sofisticado. Se esta posição me tornar um desertor para com Portugal pois então que o seja.

Eu sou daqueles que quando ouve: “… o preto é isto ou o preto é aquilo…” ou “… os angolanos são isto ou aqueloutro… que não trabalham, que não são de confiança ou que só querem cerveja e folia…” ou “… Angola é assim, Angola é assado…”; discordo profundamente e rebato qualquer um desses interlocutores seja ele quem for com lógica e conhecimentos históricos e científicos.

Só essa coisa do ser branco ou ser preto não faz sentido nenhum nem tem credibilidade biológica. Brancos a sério haverá duas ou três centenas de milhões de WASP’s (WASP é o acrónimo inglês para Branco, Anglo-Saxónico, e, Protestante) ainda para mais todos corrompidos por gerações e gerações de endogamia lá entre eles de que o exemplo maior é Trump, o típico americano branco ignorante, pois os supremacistas brancos dizem que caucasianos como árabes, hebreus, mediterrânicos, eslavos, bálticos, norte-africanos, tuaregues, etíopes, iranianos, arianos, e até católicos para terem umas noção, etc… não são brancos a sério. Pretos a sério também não os há e tantas são as tribos e povos que vivem em Angola.

Todos diferentes, mas todos iguais, nem os pretos são parecidos com outros pretos só por si nem os brancos “per si”, e só por isso, se assemelham mais a outros brancos, mas são entre si geneticamente 99,999999999999% semelhantes de tal forma que há milhares de Angolas nesta Angola e milhões países dentro da Europa, tantos são os países quanto cada pessoa individualmente. Ou seja, tenho o direito de escrever o que quiser – mal ou bem – sem ser apontado a dedo por não ter passaporte angolano, pois diga o que disser nunca é para o mal de Angola. Será sempre para o bem mesmo que aparente estar a dizer mal.

E sim. Angola é um país de patriotas, uno e indivisível (deixando de fora Cabinda à qual talvez a concessão de autonomia possa ser uma boa solução). Existe este sentimento de ser angolano apesar de o angolano pensar com a sua própria cabeça e não se deixe embalar com a conversa mole do MPLA. Vi muito patriotismo na CAN e no recente campeonato Mundial de Hóquei Patins, em que Angola poderia ter passado perfeitamente às meias-finais directamente e ter ganhado à Itália e França não fosse a má-sorte. E porque não ser campeã do mundo…?

Posto isto amigo leitor, e mudando de assunto mas continuando no tema do desporto, veja só do que me lembrei hoje para vos escrever. O JLo é uma lebre (do tipo daqueles atletas do meio-fundo que são contratados nos “meeeting’s” internacionais para acelerarem nas primeiras voltas para dar ritmo à corrida e baterem-se “record’s”) que foi contratada pelo MPLA mas que deveria já ter desistido… Mas às vezes, no atletismo, distraiam-se com a lebre e ela ganha muito avanço e depois não abandona a prova, continuando até ao fim, vitoriosamente, se, entretanto, algum “caçador” mais descontente não tiver disparado “acidental” e mortalmente.

E como esta semana que passou a única instituição que serve de contrapoder e de oposição em Angola, como é o caso do Folha 8, anda um pouco distraída a auscultar os mais variadíssimos quadrantes sobre o que é, o que foi, o que será, o que representa o próprio Folha 8 para Angola, é minha obrigação alertar os meus sentidos, arregaçar as mangas e botar a mão ao trabalho alertando consciências. Não nos podemos esquecer que o cancro de Angola é o MPLA e enquanto não for extirpado ou fragmentado em muitas pequenas correntes ideológicas, não pode haver um milésimo de segundo de desatenção porque o inimigo do povo angolano é implacável e sabe fazer jogo sujo e dar golpes baixos quando tiver que ser.

E a força deste nosso inimigo vem da corrupção, da clientela e do clientelismo, da elite de bajuladores e de todos aqueles que mesmo vindo do povo foram educados com a ideia que só corrompendo e fazendo batota se pode chegar ao poder e mantê-lo, ainda se tornam mais papistas que o papa. Mentalidades. Tem que se começar tudo de novo. Nas escolas. Na TV, na net, na sociedade e no seio familiar. Os melhores devem ocupar os melhores lugares e todos têm de ter igualdade de oportunidades. Só assim Angola será verdadeiramente nossa como dizia o falecido outro senhor.

É normal nos países de cultura anglo-saxónica os jornais terem estatutos editoriais parciais quase convidando o leitor a consultar outras fontes para descortinar a realidade da forma mais inequívoca. Na França a dicotomia esquerda/direita ultrapassa inclusivamente os limites da razoabilidade, pois entendo que independentemente do estatuto editorial, uma coisa é um pasquim ou um folhetim, outra um panfleto universitário e outra sim um jornal em condições. O Folha 8 é um jornal como deve ser.

Se tomarem em atenção o estatuto editorial do Folha 8 e o código deontológico dos seus jornalistas talvez percebam um pouco melhor a posição do jornal.

E podem parar de dizer que é anti-MPLA porque não é sendo antes assim defensor acérrimo da verdade e justiça e MPLA e Justiça são como água e azeite.

Ou que é um jornal de brancos e portugueses porque para além de ninguém ter nada a ver com isso desde que verdade e justiça e o interesse de Angola sejam defendidos e divulgados, isto de ser angolano ou preto ou branco são coisas artificiais que servem para por as pessoas umas contra as outras. O que interessa é o que cada ser humano é independentemente do que seja quanto a raça, credo, orientação sexual, religião, nacionalidade, etc…

Ou que é um jornal de elite porque nada pode ser mais falso.

Portanto angolanos tenham cuidado. Com quem promete muito para vos amansar mas também com as lebres que vão à frente das corridas, mas que vão ter tantos caçadores – que não têm interesse na fuga destes simpáticos roedores que – vão disparar sobre ela que qualquer dia acaba com um chumbo na cabeça.

Para terminar, a corrupção é endémica em Angola, mas em Portugal e no Brasil não há semana em que não haja um caso de um político alegadamente corrupto que ou vai para a jaula ou paga para não ter que ir. Nem na corrupção – nem nisso – somos melhores que portugueses e brasileiros.

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