O Governo de João Lourenço está, de forma acelerada, a descobrir (quase todos os dias) a pólvora, pondo todo o mundo de olhos em Angola e os melhores especialistas internacionais a perguntar: “Como é que não nos lembrámos disto?” É mesmo um raro, talvez único, caso de sucesso dos altíssimos quadros do MPLA…

Um dos mais emblemáticos exemplos foi recentemente protagonizado pelo ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República, Frederico Cardoso, para quem “o sucesso da estratégia para diversificação da economia e o fomento das exportações requerem a observância de boas práticas na actividade inspectiva, com impacto no trabalho da administração pública, das empresas produtoras de bens e prestadoras de serviços”.

É obra. Porque será que, até agora, ninguém tinha descoberto esta estratégia para a diversificação da economia? Ninguém tinha descoberto porque o MPLA/Estado é a entidade que mais cérebros de elevado potencial tem por metro quadrado.

Frederico Cardoso, certamente inspirado no perito dos peritos do MPLA, João Lourenço, reitera que as boas práticas constituem valores agregados à melhoria do ambiente de negócios, da produtividade e da competitividade. Um verdadeiro ovo de Colombo. Uma descoberta que vai alterar o que até hoje eram os paradigmas da economia mundial.

O ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República reconheceu existir ainda muitos desafios a enfrentar e a vencer por Angola para que tenha lugar a sua integração numa região com um mercado de cerca de 300 milhões de habitantes, bem com as demais iniciativas integracionistas do Continente africano, como a futura Zona de Comércio Livre Continental.

Para Frederico Cardoso, no quadro da adesão de Angola à Zona de Comércio Livre Continental, o estabelecimento de um sub-sistema de avaliação da conformidade, que seja transparente e desenvolvido de acordo com os requisitos regionais e internacionais, constitui um pressuposto importante para a sua inserção gradual e plena neste mercado regional cada vez mais pujante e dinâmico.

Ainda de acordo com o governante, a experiência do funcionamento dos mercados da era moderna revela que o reconhecimento das competências técnicas das instituições, através da acreditação, promove a confiança e a legitimidade dos organismos de avaliação da conformidade, na sua complexa missão de garantirem o cumprimento das normas e dos regulamentos técnicos, por arte dos produtores e dos prestadores de serviço.

Em 10 de Junho de 2017, a analista do Standard Bank que, supostamente, segue Angola considerou em declarações à Lusa que o país não estava a fazer investimentos significativos nos sectores não petrolíferos, falhando assim a diversificação económica necessária para evitar choques externos.

Samantha Singh julgou que descobriu a pólvora. Se tivesse tido o cuidado de instruir, de humildemente aprender alguma coisa com Frederico Cardoso, evitaria cair no ridículo de falar de matérias cujo domínio absoluto pertence a especialistas como ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República.

“A economia não se diversificou suficientemente; as autoridades fizeram alguns esforços em 2009 e 2010, mas depois os preços do petróleo subiram novamente e os esforços não continuaram”, considerou Samantha Singh.

É claro que isto aconteceu porque João Lourenço ainda não era presidente, porque Frederico Cardoso ainda não era ministro de Estado e Chefe da Casa Civil do Presidente da República e porque o MPLA só estava no poder há quatro décadas…

Para a analista que segue o mercado angolano, “o Governo percebe a importância da diversificação económica e a maioria das autoridades do país percebe que tem de acelerar a diversificação e há melhoramentos nos investimentos em agricultura e na manufactura, mas não são significativos”.

Ou seja, o Governo tem de fazer, mas este do MPLA que está no poder há 42 anos, nunca o fará. Por alguma razão há dezenas de anos, mas sobretudo a partir de 2002, todos aqueles que pensam com a cabeça certa reivindicam a urgência dessa diversificação económica.

Questionada sobre se a diversificação económica, uma das apostas repetidamente prometidas pelo Presidente da República, com a aprovação do Titular do Poder Executivo e do Presidente do MPLA, mas nunca concretizada numa escala minimamente suficiente que permita proteger o país da volatilidade dos preços das matérias-primas, poderá avançar com um novo Presidente da República, Samantha Singh disse que “tem de se esperar para ver”.

E é o que os angolanos estão a fazer. Esperar para ver. Aliás, estão à espera desde 1975.

“O novo Presidente vai querer tomar o pulso, não avançando para reformas bruscas, mas os mercados têm uma perspectiva relativamente positiva porque também o povo quer uma mudança; ele pode melhorar algumas coisas, até porque as autoridades, de uma forma geral, sabem o que tem de ser feito, mas tem de se esperar para ver”, disse Samantha Singh.

Questionada na altura sobre se o recurso a um programa de assistência financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI) seria uma boa aposta, a analista sedeada em Joanesburgo disse que “Angola já tem seguido as recomendações do FMI, nomeadamente na questão da redução dos subsídios aos combustíveis e à desvalorização da moeda, e, de uma forma geral, nos aspectos orçamentais sugeridos pelo Fundo”.

Angola “já tem cumprido, até certo ponto, as recomendações do Fundo, e é sempre possível recorrer a assistência financeira, mas para já tem ajuda da China”, vincou a analista, lembrando que Angola é o terceiro maior fornecedor de petróleo à China, a seguir à Rússia e à Arábia Saudita.

“A China tem muita influência no país, como aliás noutros países africanos, e isso deverá continuar por um longo período de tempo”, vaticinou.

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