A UNITA, o maior partido da oposição angolana, afirma que o país vive uma “segunda libertação”, com a “luta contra a corrupção” a ser agora “política oficial” do Presidente da República, João Lourenço. Os jacarés sorriem. Mostram uma ementa vegetariana mas comem galo… negro.

Mais uma vez, Isaías Samakuva acredita que, embora seja filho e neto de jacarés, a partir de Agosto do ano passado o jacaré-rei mudou a sua dieta alimentar e é agora vegetariano. E, se assim é, mesmo estando rodeado de jacarés carnívoros, tem o benefício da dúvida da UNITA. Benefício esse que só terminará quando o jacaré-rei se cansar da dieta e resolver comer o… Galo Negro.

A posição consta da declaração política divulgada pelo partido, na sequência da reunião, extraordinária, realizada quinta-feira, em Luanda, do Comité Permanente da Comissão Política da UNITA.

“A UNITA regozija-se pelo facto de verificar que a sua luta contra a corrupção tornou-se agora política oficial do titular do poder executivo. A UNITA constata que a sua mensagem sobre a corrupção, segundo a qual o Estado angolano funda-se na corrupção, alimenta-se da corrupção e sobrevive na corrupção, lançou finalmente as sementes para a segunda libertação do país”, lê-se na mesma declaração.

O partido, liderado por Isaías Samakuva, que presidiu a esta reunião, refere acompanhar “com bastante interesse as mediáticas denúncias que nos últimos dias têm dominado a opinião pública, desta vez saídas de dentro das estruturas do próprio partido-Estado”, sobre alegados crimes de peculato, quadrilha, corrupção, organização criminosa, branqueamento de capitais e outros, imputados a servidores públicos, “a todos os níveis”.

“A dimensão moral e material desta endemia que se instalou na génese do partido-Estado e arruinou a estrutura da economia nacional, está finalmente a ser compreendida pela grande maioria dos cidadãos. A UNITA espera que os angolanos compreendam que a única solução para a endemia da corrupção é a mudança. E mudança significa alternância de poder”, sublinha ainda a mensagem.

Durante a esta semana, a Procuradoria-Geral da República confirmou oficialmente que figuras como José Filomeno dos Santos, filho do ex-Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, e Valter Filipe, anterior governador do Banco Nacional de Angola, foram constituídos arguidos, numa investigação à transferência ilegal de 500 milhões de dólares para o exterior do país.

Num outro processo, e também esta semana, a PGR confirmou publicamente e sem disso ter dado conhecimento prévio ao visado, que o chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, general do Exército Sachipengo Nunda, e o porta-voz nacional do MPLA, Norberto Garcia, foram constituídos arguidos numa investigação à alegada tentativa de burla ao Estado angolano, no valor de 50 mil milhões dólares.

“A UNITA encoraja todos os cidadãos honestos a manterem uma atitude de coragem, denunciando todos os actos criminosos que delapidaram a nossa economia, agravaram a situação de penúria da maioria dos angolanos e ofenderam os nossos valores civilizacionais”, aponta ainda o partido do Galo Negro.

Ao mesmo tempo, afirma ainda a UNITA, no exercício da função jurisdicional, os órgãos competentes do Estado devem assegurar “a defesa dos direitos e interesses legalmente protegidos, incluindo os princípios do acusatório e do contraditório, primando sempre pelo rigor processual no escrupuloso respeito pelo princípio da supremacia da Constituição e legalidade”.

“Nesse sentido, a UNITA encoraja os procuradores, juízes, advogados, provedores, activistas e demais actores e profissionais da justiça a prosseguirem com coragem a luta pela sua própria independência, que é a luta pela defesa da legalidade democrática e pela afirmação de um poder Judicial verdadeiramente independente e imparcial, apenas sujeito à Constituição e à lei”, sublinha a mesma declaração.

O maior partido da oposição angolana, que nas últimas eleições gerais, em Agosto, viu a sua representação parlamentar quase duplicar, reitera ainda a exigência “de uma sindicância, inquérito, inspecção ou auditoria à dívida pública” de Angola, que se aproxima dos 70% do Produto Interno Bruto do país.

“Os angolanos e a comunidade internacional sabem que nenhum outro país do mundo teve o seu erário público tão saqueado pelos seus próprios governantes como Angola. E sabem também que uma boa parte deste saque ou roubo foi feito através de alegadas dívidas, umas forjadas, outras empoladas”, reclama ainda a UNITA.

Folha 8 com Lusa

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