Os problemas que o país vive devem-se à actual crise económica e financeira, e não à má governação dos dirigentes do MPLA, conforme a UNITA tem vindo a dizer, esclareceu o governador do Cuando Cubango, Pedro Mutindi. O governador não sabe que para ser burro só lhe faltam as penas. Mas, pelos vistos, João Lourenço também não sabe.

Por Norberto Hossi

Pedro Mutindi, um sipaio que mostra como o MPLA escolhe os seus altos quadros, falava no encerramento da reunião do conselho provincial de auscultação social, explicou que Angola está mergulhada numa crise económica e financeira acentuada, porque a maior parte das receitas que o país tinha foram utilizadas para a construção e reabilitação de estradas, pontes, hospitais, barragens, centrais térmicas, entre outras infra-estruturas sociais que foram destruídas pela UNITA, durante a guerra.

Até mesmo, presume-se, a crise nas valas-comuns registada na altura dos massacres do 27 de Maio de 1977 é da responsabilidade da UNITA. Pedro Mutindi poderia igualmente lembrar que a UNITA foi responsável, entre outros casos:

– Pelo genocídio, no Camboja, de 1975 a 1979, de 1,7 milhões de pessoas, executado por Pol Pot, um dos generais de Savimbi, e que acabou com 20% da população do próprio país. Professores, jornalistas, pessoas que usavam óculos, chineses, vietnamitas, budistas, muçulmanos… Qualquer um que pudesse ser caracterizado como intelectual ou estrangeiro era detido em campos de concentração para morrer de fome;

– Em 1945, pela morte de 2 milhões de pessoas, por ordem de outro general do Galo Negro, Josef Stalin.

– Pelo genocídio do Ruanda, quando hutus exterminaram tutsis (e centenas de hutus que se recusaram a participar da barbárie). Em 100 dias de massacres, 800 mil pessoas foram mortas, a maioria a golpes de catana.

Diz Pedro Mutindi, possivelmente um dos próximos ministros de João Lourenço, que se não fosse a UNITA o dinheiro que foi gasto na recuperação das infra-estruturas serviria para financiar outros projectos que poderiam melhorar as condições de vida dos angolanos e a crise económica e financeira não estaria muito visível em Angola.

Recorde-se que, em tempos, um dirigente provincial da UNITA no Cuando Cubango, Adriano Sapiñala, afirmou ter sido alvo de uma tentativa de assassinato por parte de militantes e apoiantes do MPLA, cujo secretário provincial era… Pedro Mutindi.

O também governador provincial do Cuando Cubango, respondeu que o secretário da UNITA – a quem chamou “miúdo” – estava a propagar mentiras.

Mas, depois de se descalçar para contar até 12, foi mais longe ao dizer que “a UNITA sempre mente. Este tal delegado da UNITA que se ponha no seu devido lugar”. Pedro Mutindi acrescentou ainda. “A UNITA cometeu crimes neste país. Fomos nós que perdoámos. Agora se ele não tem apoiantes, não encontra pessoas, devido à sua fraqueza e à sua incoerência, e quer criar factos políticos e atribuí-los a um governante, nós não queremos perder tempo”.

O governador do Cuando Cubango vai mais longe, afirmando não ter “mais paciência para aturar essa miudagem”. “Ele passa pelo Cuito Cuanavale, onde naturalmente a UNITA esteve a massacrar a população, pode ter havido um indivíduo que atirou uma pedra. E é muito natural isso. Agora ele que vá atrás de quem atirou a pedra e não acuse o MPLA”, diz o ilustríssimo analfabeto e ditador-sipaio de nula estatura moral, Pedro Mutindi.

Estatura moral que pode ser aquilata quando, um ano após a sua nomeação (em 2008) como titular do Ministério da Hotelaria e Turismo contratou (sem a realização do concurso público) a empresa Mutanga Services, Lda, com sede no distrito das Ingombotas, em Luanda, – pertencente a um dos seus filhos (Tyilenga Mutindi) para prestar alguns serviços ao Ministério da Hotelaria e Turismo.

Pedro Mutindi abandonou cedo os seus estudos, durante o ensino secundário para trabalhar na construção, tanto em Angola como na Namíbia.

De 1973 a 1975, de regresso ao país, aliou-se à administração colonial portuguesa e exerceu a profissão de professor de ensino primário, função elogiada por Portugal. Em 1974, com 22 anos, iniciou a sua carreira política no MPLA, organização que desconhecia totalmente.

Desde então, passando para a sua relação com o MPLA a mesma estratégia que aprende com a administração colonial (bajulação e subserviência canina), ocupou diversos cargos: em 1977 foi nomeado membro do Comité Provincial do MPLA e participou na comissão preparatória do primeiro congresso do partido.

Em 1978 foi nomeado comissário municipal de Kahama e um ano depois tornou-se comissário provincial do Cunene. Em 1980 foi eleito deputado e nomeado presidente da Assembleia Popular Provincial do Cunene; em 1984 foi eleito deputado da Assembleia do Povo; e um ano depois fez parte do Comité Central do MPLA.

Pedro Mutindi foi, de 1983 a 2008, quando passou para a Assembleia Nacional, governador da província do Cunene. Chegou depois a ministro da Hotelaria e Turismo. Hoje é o soba do Cuando Cubango.

Pedro Mutindi recebeu a Medalha do Trabalho, a Medalha da Amizade Angola-Cuba e a Medalha dos 50 Anos da Fundação do MPLA. Fica a faltar-lhe a medalha da ignorância elevada à 42ª potência neocolonial do MPLA.

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