«Eu, Garcia Manuel Nkiambi, angolano, natural do Nzeto, sou um jovem preto do interior (enfatizo PRETO, por ser a designação, que Sebastião Araújo, nos trata, mas da qual me orgulho, por os meus pais não terem sido assimilados, no tempo colonial), que chegou a campeão nacional de ténis de campo e, tal como outros jovens fazem uso do Clube de Ténis de Luanda, enquanto entidade de Utilidade Pública, que não deve praticar o racismo, nem a discriminação, condenadas pela Constituição da República de Angola.

Por Garcia Manuel Nkiambi (*)

Apesar disso há um programa incubado dessa prática, pelo seu actual presidente, neste recinto razões que cacarejam tanto e que se não forem travados, não só ficaremos sem os nossos Direitos, como poderá haver um clima de tensão, capaz de estimular a confrontação física.

Isso por o senhor Sebastião José Araújo estar a mostrar, com um comportamento, incompatível com as funções de um dirigente desportista, num país como Angola é um racista invertebrado, complexado, discriminador, invejoso, um homem, cujo poder, de um clube, o torna um mini-ditador que quer pôr e dispor da vida de todas as pessoas, da minha em particular.

Por tudo isso decidi de livre e espontânea vontade descrever situações sobre as diatribes, maus exemplos, comportamentos medíocres do actual Clube de Ténis de Luanda, que obrigam a uma intervenção urgente, visando uma investigação, sobre as práticas de Sebastião Araújo, pelo órgão reitor: Ministério da Juventude e Desportos.

Os factos

1 – Na vigência da anterior direcção (Ernesto Monimambo), rubriquei um contrato de arrendamento de um espaço de cerca de 13m2, para aí instalar uma loja de venda de material desportivo.

Com a sua nomeação (a eleição é uma farsa, decidida numa mesa de bar, por um grupo selectivo de amigos), começou uma impiedosa e vergonhosa perseguição, ao Garcia Kiambi, jovem do interior, sem apelido das famílias assimiladas tradicionais. Forja confusões, impede os trabalhadores, nas minhas ausências, ameaçou, ainda faltando dois anos, que não renovaria o contrato, quando nunca deixei de cumprir com as minhas responsabilidades contratuais.

2 – Estas confusões recorrentes ao longo do contrato, desestabilizaram o meu negócio, as vendas, quando gastei muito dinheiro, sem lucros, por geralmente fazer compras nos Estados Unidos da América. Por flagrantes interferências, 5 trabalhadores despediram-se, havendo por isso um saldo negativo, que deveria ser assumido pelo Clube, enquanto pessoa de bem, pese o seu máximo representante agir de má-fé.

3 – Certa vez, na minha ausência, forçou a minha retirada da loja usando a lei da força e o abuso do poder, que lhe subiu a cabeça, pois o seu maior sonho, talvez não tenha outra capacidade de dirigir uma organização desportiva, face ao seu complexo de ter sido um desportista medíocre, como tenista, logo combater, pessoas como eu, que foi campeão nacional e que subiu na vida a pulso, honestamente.

O objectivo final de toda esta campanha é o de proibir-me de entrar no Clube, tal como selectivamente, vem fazendo a outros jovens pretos, por acreditar ser o Clube um local onde deve haver selectividade, racial, de riqueza e estrangeiros.

4 – Tudo isto prova ser o senhor Sebastião Araújo, uma péssima pessoa, para dirigir um clube desportivo, num país multirracional. Pois parece uma pessoa perturbada, com práticas piores que as dos colonos brancos. É o primeiro presidente que ao chegar ao clube, os guardas têm de correr para lhe ir tirar a bagagem e a senhora da secretaria e limpeza têm de lhe acarretar água. Práticas de pessoas perturbadas, que pese ser mulato, abomina cidadãos Pretos como nos chama.

5 – O presidente do Clube de Ténis Sebastião Araújo já faltou, publicamente, respeito ao mais velho, Dr. Gil (antigo presidente do Clube) chamando-lhe de branco português, que deveria voltar a sua terra, entre outras boçalidades. Tudo porque, estando a jogar no campo 2, a gerente do Snack Bar tendo colocado a música alta, este ao solicitar que a baixassem e havendo reacção contrária, da cunhada de Sebastião Araújo, qual nepotismo, de repente este entra em campo e começa a ofender o Dr. Gil (acusado de nos ter protegido e permitido a prática da modalidade, num clube, que apenas deveria acolher os mais claros e da classe alta), na presença dos senhores, Guerreiro e João Paula. Para evitar o pior, o Dr. Gil não reagiu, saiu do campo e do clube. O grave, nunca antes vivemos problemas raciais numa organização gerida, maioritariamente, por presidentes claros.

6 – Nesta cruzada, infelizmente, tem o apoio do general na reserva, Adolfo Rasoilo e o informático Nelson Costa, que face as suas responsabilidades, ao invés de condenarem essas práticas, ainda se tornam coniventes. O general, também, chega mesmo a ameaçar de dar tiro, no campo, como o fez a alguns cidadãos estrangeiros e ao Eng. Albano Kanga.

7 – Sebastião José de Araújo, não é presidente da República, mas acha-se como tal e se continuar e nada for feito, pelo órgão de tutela, um dia poderá ocorrer o pior, no nosso seio, face ao instinto medíocre, confucionista, discriminador e racista deste senhor, que finge ser uma coisa, mas é outra, porquanto só por interesse e devido a condição social se dá com determinados pretos.

Dos flagrantes

8 – Um belo dia (eu Nkiambi Garcia) ralhei o seu filho por estar a perturbar os demais jogadores, na quadra, falando alto, dizendo palavrões, numa cópia do botão sair a casa.

Nessa actuação atirava bolas na vedação, entre o campo 1 e o 3. Inconformado telefona ao pai e este, ao chegar ao invés de ouvir os outros jogadores, inicia uma sessão de agressões verbais, principalmente contra mim…

9 – O filho é intocável e por esta razão pratica o nepotismo, pois começa a jogar as 10h00 terminando às 18h00, não pagando o campo, toda semana e é escalado com dinheiro do clube para o ir representar no exterior do país, deixando ficar tenistas melhor preparados.

10 – O filho do Sebastião Araújo partiu a testa do tenista, Zedário Kutumina, jogador do Sagrado Esperança da Lunda Norte, com uma raquete, face a uma simples chamada de atenção, feita pelo ora denunciante e o gestor do clube, Hélio José (Dede), para não jogar no corredor, no sentido de não partir as lâmpadas. O outro (Kutumina) obedeceu e parou de fazer o voley, mas o Marcelo Araújo não gostou da atitude do jovem e decidiu, por via disso, partir para a ofensa e agressão, desferido vários e violentos golpes, contra a testa, abrindo-a, tendo de ser suturado, na Clínica da Endiama, com cinco (5) pontos, afectando o lado direito do olho.

11 – Pese este incidente grave, merecedor de sanção, nada fez, mas em contrapartida, por não querer jogar com o seu filho, suspendeu o tenista Alberto Augusto (De Killer), atleta de alta competição e filho do CTL, por mais de três (3) anos. Quando questionado, mentindo, inventa, ter o “De Killer” entrado na casa de banho, das mulheres, estando no seu interior uma senhora, mas esta não aparece. E assim, um jovem que tinha no CTL uma fonte de rendimento, dava aulas ou servia de rebatedor, está atirado a indigência, por capricho de uma pessoa racista.

12 – O actual presidente suspendeu um jovem tenista campeão do CTL, por mais de três meses, João Neves (Rosário), pelo simples facto de reclamar, o facto de ter dado as suas sapatilhas ao filho, Marcelo Araújo, bem como, questionar não integrar delegações ao exterior, nos torneios, colocando o filho, mesmo sabendo ser este medíocre e ainda não ter gabarito para disputa de torneios regionais.»

(*) Tenista, professor, ex-campeão nacional de Ténis de Campo.

Nota: Texto da Carta Aberta dirigida por Garcia Manuel Nkiambi à Ministra da Juventude e Desportos, pedindo que “travem e evitem o pior, corrigindo o que está mal”.

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