ANGOLA. Dezenas de estudantes finalistas do Instituto Superior de Tecnologias de Informação e Comunicação (ISUTIC) de Angola manifestaram-se hoje contra “as irregularidades” que dizem ocorrer naquela instituição, como a “falta de informação sobre a defesa dos trabalhos de licenciatura”.

“O grupo de finalistas está totalmente insatisfeito, porque até Janeiro e Fevereiro trabalhamos afincadamente para defendermos os trabalhos de monografia de fim de curso em Março, mas infelizmente não defendemos os trabalhos”, disse hoje à imprensa Carlos Pascoal, um dos finalistas.

De acordo com o estudante, que durante cinco anos, entre 2013 e 2017, frequentou o curso de telecomunicações, a direcção “não se predispôs” até ao momento esclarecer aos finalistas os motivos do adiamento da defesa dos trabalhos, situação que os deixa “bastante agastados”.

“Depois disseram que seria em Abril, mas dois dias antes do arranque da defesa, a direcção comunicou que a mesma não mais seria realizada, porque tínhamos que submeter os projectos de licenciatura às empresas do sector para analisarem. Um conjunto de argumentos que não percebemos o porquê, até antes de terminarmos o ano curricular estavam previstos estágios e até agora não tivemos qualquer resposta e para o nosso espanto continuamos assim”, adiantou.

“Resolvam a nossa situação, de quem é a tutela do ISUTIC?, Fora a direcção ISUTIC” são alguns dizeres de protesto inscritos nos cartazes dos estudantes, que manifestaram o seu “descontentamento”, quando o ISUTIC acolheu um workshop sobre o Dia Internacional das Telecomunicações e da Sociedade de Informação.

Localizado no distrito urbano do Rangel, arredores de Luanda, o instituto público inaugurado em 2013, segundo os estuantes era tutelado pelo Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, pelo que “agora desconhecem a tutela da instituição”.

“É uma situação lastimável, estamos sem saber a quem nos dirigir, tanto é que não sabemos quem actualmente tutela a instituição, estamos insatisfeitos, queremos respostas se é o Ministério do Ensino Superior ou então ainda é o das Telecomunicações”, acrescentou Carlos Pascoal.

Por sua vez, Margarido Sebastião, outro finalista, apontou outras “irregularidades” patentes no ISUTIC, lamentando mesmo a “falta de um elevado número de professores” em determinadas turmas.

“Constatamos ainda que até a própria direcção também não anda coesa, há muitos atritos entre os membros de direcção e ainda lamentamos a existência de turmas que faltam oito professores”, disse, recordando as motivações da manifestação.

“Fizeram-se as publicações sobre as datas da defesa dos nossos trabalhos de fim de curso, cada um tinha o seu dia, mas sem aviso prévio as defesas foram anuladas sem qualquer esclarecimento, por isso estamos aqui para mostrar o que nós passamos aqui no ISUTIC”, apontou.

Uma fonte da direcção do ISUTIC garantiu aos jornalistas que o director-geral da instituição deve pronunciar-se sobre o assunto na próxima semana.

Lusa

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