Uma das principais funções do jornal da Angola do MPLA é a de papel higiénico da escatologia imposta pelo MPLA durante demasiadas décadas. A entrevista a Irene Neto, tentando humanizar Agostinho Neto, é uma dessas actividades escatológicas.

Por Domingos Kambunji

Antes de desenvolvermos este tema, queremos relembrar a todos os angolanos de que da lista de mais de centena e meia de angolanos que morreram recentemente de fome no Bié não faz parte nenhum familiar de Agostinho Neto ou da sua filha Irene Neto.

Agora vamos directamente ao assunto que nos traz hoje a terreiro.

Irene Neto faz-nos recordar as opiniões da filha de Estaline, o ditador que mandou matar muitíssimos milhões de cidadãos da Rússia para poder governar sem adversários. Svetlana Estalina fugiu para os Estados Unidos da América, como refugiada política, e mudou de nome para Lana Peters, com o objectivo de não ser facilmente identificada. Svetlana também tentou humanizar o sanguinário Estaline mas a história demonstra que a objectividade é sempre mais forte do que as tentativas de branquear personalidades demasiado manchadas com o sangue das suas vítimas.

Irene Neto afirma que a morte de Agostinho Neto atrasou o processo de pacificação em Angola e traça rasgados elogios a um dos mais sanguinários ditadores de África e do mundo, o seu pai, Agostinho Neto. A filha deste “Estaline de Angola” diz que o seu pai estava a iniciar um processo de pacificação do nosso país, com conversações envolvendo outras pessoas e outros países, e que a paz poderia ter chegado ao nosso país no final dos anos setenta do século passado.

Se Neto não tivesse morrido em Moscovo, de doença ou assassinado por uma conspiração, teria sido mais justo que no final dos anos setenta do século passado ele tivesse sido julgado num tribunal internacional como o principal responsável dos crimes contra a humanidade perpetrados pelo MPLA.

Só pessoas muito matumbas ou ingénuas poderão acreditar que Agostinho Neto estaria interessado em negociar acordos de paz. Se queria a paz porque iniciou a guerra civil em Angola e mandou matar muitas dezenas de milhar de angolanos nos acontecimentos do 27 de Maio?

Uma leitura muito atenta das memórias do William Tonet sobre a história sanguinária do MPLA podem dar-nos uma imagem nítida de quem foi o Agostinho Neto. A Irene Neto pode tentar usar toneladas de perfume para tentar humanizar a imagem do seu pai porque, mesmo assim, essa imagem continuará a soltar um cheiro a sangue e a podridão.

Queremos aqui recordar que, ainda não há muito tempo, a mãe da Irene Neto moveu uma acção judicial contra um historiador angolano que fez o retrato fiel de Agostinho Neto como Ditador Sanguinário. Conclusão: a mãe da Irene berrou, protestou, arranjou testemunhas de sarjeta e no fim perdeu a causa em tribunal. Agostinho Neto foi mesmo um ditador sem escrúpulos.

A Irene, filha de Agostinho Neto, diz que a visão política do seu pai é muito pouco conhecida. Não adianta tentar deitar areia para os olhos das pessoas, Irene, porque os factos estão ao alcance de todos os que têm memória e um mínimo de inteligência para não acreditarem em sofismas e falácias.

Agostinho Neto iniciou a guerra civil em Angola para tentar impor uma filosofia política que estava errada desde a sua génese. A prova disso é que o próprio MPLA, quando conseguiu finalmente vencer a guerra civil, porque matou mais angolanos, fez uma rotação de 180 graus, para passar a defender, na “paz podre”, os ideais que andou a combater. A Irene Neto também foi cúmplice desse passado recente porque aceitou desempenhar cargos políticos na história vergonhosa da governação do MPLA que desagua em injustiça social, epidemias, mortalidade infantil, corrupção…

Nos tempos de Agostinho Neto a RDA (República Democrática(?) da Alemanha), onde Vladimir Putin exerceu funções de agente da KGB, era propagandeada como um exemplo de sucesso da filosofia política imposta pelo pai da Irene Neto. Quando deu o badagaio à RDA veio a saber-se que esta parte da Alemanha estava muitíssimo atrasada, com demasiada injustiça social, quando comparada com a RFA (República Federal da Alemanha).

A visão política do Agostinho Neto, depois seguida por José Eduardo dos Santos até este virar a casaca, conduziu Angola para um lugar entre os países mais atrasados do mundo.

Há muito poucos dias um daqueles moços de recados do MPLA, que se apresenta como governador provincial, dizia que todos os angolanos deveriam ser como o Agostinho Neto. Esse governador provincial não foi muito explícito. Ele queria dizer que todos os angolanos deveriam ser bêbedos ou sanguinários?

Um porco com lábios pintados não deixa de ser porco!

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