A democracia consiste em escutar e respeitar as opiniões diferentes, muitas vezes discordando. A democracia não é a arte de vulgarizar o disparate e considerar racionais os anquilosamentos mentais. Os “digerentes” da Coreia do Norte e da Rússia também dizem existir democracia nesses países. Todavia, as opiniões contrárias são “homenageadas” com espancamentos, raptos, envenenamentos e fuzilamentos, como acontece em Angola.

Por Domingos Kambunji

Esta nossa vinda a terreiro tem a ver com o facto de o Club-K continuar a publicar os textos do Hungulo. Quem estiver pouco familiarizado com o clima e o estado do tempo da sociedade angolana poderá considerar isso uma aberração, um disparate. A verdade é que o Club-K está a prestar um bom serviço ao país, permitindo que a militância no MPLA se retrate de uma maneira tão matumba, demasiado pateta.

O Hungulo não é excepção no país dos generais Kangamba. Há mais, muitos mais, demasiados “intelectuais” com opiniões fecais.

Basta observar os comportamentos e atitudes dos “altos” dirigentes da Comunicação Social angolana, começando pelos directores do JA, da TPA e da RNA e acabando no Ministério “capatazeado” por João Melo e pelo Celso Malavoloneke. Este tipo de personalidades é muitíssimo bem retratado pelo lápis de uma das pérolas que Angola possui, com elevada inteligência, capacidade de observação e acutilância, o cartoonista Sérgio Piçarra.

O mais triste desta tragicomédia é que os kangambas Hungulo, João Melo, Celso Malavoloneke e outros que tais continuem na ribalta da sociedade angolana.

João Melo é o tal que lutou arduamente na defesa da imunidade cleptocrática do Manuel Vicente, exigindo que o processo judicial de kapiango fosse transferido de Lisboa para Luanda, cidade onde o gamanço efectuado pelas “altas” autoridades do MPLA está liberalizado, é legalizado. O Celso sempre demonstrou elevadas capacidades de mudar para réptil com o objectivo de, finalmente, conseguir um tacho de secretário de Estado.

Seria hipocrisia não considerar os comportamentos dos Celsos, Joãos e Hungulos bastante cómicos mas, infelizmente, também teremos de concordar que são exageradamente trágicos para a promoção e desenvolvimento de um pensamento inteligente, crítico construtivo, racional entre os angolanos em geral.

Os números do Instituto Nacional de Estatística do MPLA, que se deveria chamar Instituto Nacional de Eufemística, até podem tentar demonstrar que Angola é um país muito desenvolvido, com um forte crescimento económico, a maior potência mundial. Os dados internacionais, de instituições cientificamente competentes, mostram o enorme nojo que é a política social do MPLA, “capatazeada” por dirigentes corruptos, demagogos e matumbos.

É por isso que quando o Hungulo diz que o “Zédu é o Papa ou um Deus e o João Lourenço uma das metamorfoses da Rainha de Inglaterra ou da Suécia” nós rimos, rimos muito pela expressão da megalomania estúpida, com a manifestação de tanto narcisismo escatológico.

Enquanto o Rafael Marques, considerado ovelha negra pelos donos do jornalismo do MPLA, continua a ser homenageado com prémios internacionais pela qualidade no jornalismo, o João e o Celso, “professores de comunicação social”, continuam a sobreviver curvando-se perante o cabritismo.

É por isso que não nos admiraríamos que o Ministério da Propaganda e Educação Patriótica, “capatazeado” por João Melo, propusesse a construção de uma estátua, em todas as praças mais centrais de todas as cidades de Angola, homenageando o Hungulo, um retrato muito fiel do que é a militância no MPLA.

Nos países democráticos escuta-se e respeita-se as opiniões diferentes, muitas vezes discordando. Em Angola, a falsa definição de democracia consiste em impor as ideias do MPLA, muito inconstantes, com as modas a variarem frequentemente, de acordo com os padrões de Moscovo ou de Pequim.

Aconteceu assim quando o MPLA, desrespeitando acordos de paz internacionais, iniciou a guerra civil para impor a ditadura. Aconteceu assim no 27 de Maio de 1977. Aconteceu assim quando tropas do MPLA fuzilaram a criança Rufino António no dia em que derrubaram a cubata onde vivia com os pais num bairro de lata.

Aconteceu assim quando o MPLA prendeu, julgou e condenou os Revús. Acontece assim quando a polícia do MPLA espanca zungueiras nas ruas de Luanda e outras mulheres, nas esquadras. Acontece assim quando os deputados do MPLA, escolhidos e nomeados para o Parlamento, num processo eleitoral muito dúbio, dizem que não podem nem devem criticar o “JLozecutivo”, porque não foram “Lexusados” para fazerem oposição.

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