A sociedade hodierna está marcada por uma crise sociopolítica onde no centro não se encontra a defesa do bem-comum e da justiça. Uma sociedade onde os jovens, os idosos, as famílias estão com o seu futuro comprometido devido à corrupção que, paulatinamente, destrói a estrutura social e institucional do país.

Por Vicente Coelho (*)

Uma comunidade humana em que a política não é capaz de romper com uma lógica perversa, ou seja, onde a estratégia de governação não é competente para superar os discursos inconsistentes que não enfrentam os grandes problemas da nação. Uma sociedade onde a política é responsável pelo seu descrédito, uma vez que se submeteu à corrupção e, por isso, sem um horizonte de estratégias que visam o bem da população. No fundo, trata-se de uma sociedade onde o Estado não é capaz de cumprir o seu papel.

Diante de todos estes problemas, a realidade do país está à vista de todos; se o país encontra-se debilitado deve-se ao facto de os cargos não estarem permeados pela exigência competente que a eles diz respeito, desde o cargo parlamentar ao cargo com fim a administrar os bens do povo.

Por isso, nós jovens não podemos nem devemos “aceitar a corrupção como se fosse um pecado como os outros, (…) porque aquilo que deixarmos passar em branco hoje, amanhã ocorrerá de novo, até que façamos disso um hábito e também nos transformemos numa engrenagem indispensável.”

Assim sendo, para não cairmos neste mecanismo da corrupção, somos chamados a prevalecer na recta consciência; isto é, na fidelidade a uma consciência bem formada onde estamos unidos aos demais homens de boa-fé no dever de buscar a verdade, a justiça, e, através delas, resolver os problemas do nosso país.

Portanto, apesar das dificuldades que a juventude Santomense atravessa nos dias de hoje, acredito que nós os jovens, verdadeiramente unidos, podemos mudar, juntamente com os homens de boa-fé, o futuro de São Tomé e Príncipe.

Para tal mudança há que valorizar a vida, os idosos, a família, a educação; há que construir uma cultura de preservação que pretende cuidar daquilo que é nosso; por outro lado, teremos que cultivar a recta consciência, os valores morais, o diálogo transparente e, sobretudo, cultivar um espírito crítico capaz de seleccionar as informações que nos são fornecidas pelos meios da comunicação social, entre outros.

Por fim, havemos de defender uma política transparente que leve por diante uma reformulação e uma mudança integral do nosso pequeno São Tomé e Príncipe.

Deste modo, todos os jovens com um pensamento mais maturado devem sentir-se responsáveis por transmitir aos outros de que é possível fazer o bem, de contribuir para o desenvolvimento completo de São Tomé e Príncipe. Se assumirmos este desafio como nosso, acredito que teremos sucesso, ou seja, São Tomé e Príncipe terá um novo rosto a nível nacional e internacional.

(*) Mestrando em Teologia na Universidade Católica de Lisboa

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