Este país governado por vários matumbos é uma caricatura demasiado evidente de tragicomédia. As ocorrências a provocarem sorrisos amarelos multiplicam-se. O efeito multiplicador dos empréstimos do estrangeiro parece anquilosar ainda mais as mentes de quem se governa e diz estar a fazê-lo “para o bem do povo”, para combater a corrupção e as injustiças sociais.

Por Domingos Kambunji

É este o país onde vivemos, onde há muitos licenciados que foram para as universidades, criadas às três pancadas, para adquirir diplomas e pouco conhecimento. Há, todavia, algumas, poucas excepções.

Quem pensava que todas as situações caricatas se resumiam à promoção do Kangamba a general e às suas intervenções públicas “analfabrutas”, enganou-se. Angola é o país dos Kangambas, sob diversos pseudónimos.

Só em Angola… O ex-Vice-Presidente Manuel Vicente agora é deputado para poder manter a imunidade cleptocrática, obtida através do cargo anterior e do actual. O sistema judicial angolano respeita essa imunidade cleptocrática para permitir que o Manuel Vicente, que tanto se serviu da Nação, continue a gozar dessa protecção.

O sistema judicial angolano ainda não investigou o enriquecimento muito estranho de João Lourenço e de José Eduardo dos Santos. Também eles gozam de imunidade cleptocrática. Se alguém se atrever a investigar a origem de tanto kumbu poderá arriscar-se a servir de alimentação a jacarés.

O João Pinto, mais conhecido por o Doutor Atum, a personificação do narcisismo matumbo e da desonestidade intelectual, necessita de milhares de páginas para declarar todos os seus títulos de vaidade: jurista, constitucionalista, deputado, professor universitário, vigarista, demagogo, pateta… É por tudo isso que não nos admiramos que os licenciados pela universidade do Catambor sejam especialistas a usar erros “hortográficos”, para além de muitos outros.

O jornal da Angola do MPLA é um dos mais fortes candidatos ao recorde mundial de kangambices.

Há alguns meses, numa reportagem sobre crianças com autismo, esse jornal do MPLA dizia que as crianças que sofriam dessa “patogenia” recebiam assistência num hospital de Luanda. Os maiores especialistas mundiais em autismo não sabem qual é esse “agente patogénico” que provoca o autismo, descoberto por um repórter do jornal da Angola do MPLA.

Esse mesmo jornal, numa reportagem sobre o hospital de Icolo e Bengo, dizia que esse serviço de saúde estava sem medicamentos e os doentes eram tratados e melhoravam apenas com a atenção e carinho dos enfermeiros. Não sabemos porque esperam para atribuir o Prémio Nobel da Medicina ao Hospital de Icolo e Bengo, especialista a tratar doentes sem utilizar medicamentos e o Prémio “Pulhahitzer” ao jornal da Angola do MPLA.

Na semana passada o jornal da Angola do MPLA veio a público com um hilariante cabeçalho: “Sindicato Quer Trabalhar em Beneficio dos Filiados”. Será que até agora esse sindicato angolano esteve a trabalhar em benefício dos jogadores do Matraquilhense Futebol Clube de Moscovo, de Pequim ou de Havana?

Ficou famosa a entrevista do general Higino Carneiro, quando era governador do Cunene, afirmando que tinha fundado a indústria da madeira naquela província. Essa indústria consistia apenas em mandar cortar árvores que cresceram nessa província, tão abandonada, muitas dezenas de anos antes de o Higino ser nomeado para governador.

Uma notícia que nos fez rir, a bandeiras despregadas, foi a recente nomeação pela Ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, para o cargo de Chefe do Departamento de Planeamento e Gestão Financeira do Hospital Américo Boavida de um licenciado em Comunicação Social. A desculpa foi que o escolhido tinha muita experiência. Nós pensávamos que esses cargos deveriam ser ocupados por licenciados em contabilidade, finanças, gestão de empresas, economia… Estávamos completamente enganados. Só esperamos que a Ministra nomeie o seu motorista para desempenhar as funções de cardiologista, porque tem muita experiência em… circulação.

Em matéria de erros “hortográficos”, o exemplo parte da própria Universidade Agostinho Neto, instituição de referência (não se sabe bem onde) na formação dos nossos doutores. Uma vista de olhos no site da UAN, secção História, permite-nos ver (quase de olhos fechados) bons exemplos. Lá encontramos: “Repúbica portuguesa”, “Agronomia e Silvicltura”, “Sá da Bndeira”, “Físca”, “Ectroténica”, “edífico”, “Unidades Ogânicas”, “Senando Universitário” etc..

Mas a anedota mais cómica deste ano e dos próximos anos, na Re(i)pública da Angola do MPLA, aconteceu em Luanda. A baixa de Luanda ficou às escuras depois de terem sidos roubados o gerador, o posto de transformação e os cabos eléctricos que asseguravam a iluminação.

Este acontecimento é um forte aviso para a guarda pessoal do presidente da Re(i)pública. Estejam atentos, aumentem a vigilância porque se roubarem o presidente não sabemos quem mais poderá ir ao estrangeiro pedir fiado!

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