O ministro das Telecomunicações e das Tecnologias de Informação de Angola, José Carvalho da Rocha, anunciou hoje, em Luanda, a construção, na Rússia (obviamente), de um novo satélite nacional, o AngoSat-2, para substituir o primeiro, lançado em Dezembro e que não cumpriu os requisitos. “Angola está na indústria espacial para não mais sair”, diz o ministro. Portanto, depois virão os Angosat-3, 4 etc. para se juntarem aos nossos 20… milhões de pobres.

“Da análise que as nossas equipas técnicas têm estado a realizar, com bastante intensidade, na sexta-feira, no sábado e no domingo, verificámos que o AngoSat-1, apesar de estar em órbita, não apresenta os parâmetros para os quais foi contratado”, anunciou José Carvalho da Rocha. Em síntese, milhões deitados fora num projecto, mais um, megalómano e falhado.

O ministro falava após a assinatura de uma adenda ao contrato de construção do satélite angolano com o consórcio russo formado pela S.P. Korolev e SC Energia, na presença de representantes do Governo de Moscovo e da agência espacial daquele país europeu.

Os russos que não julguem que brincam com a perspicácia do governo. Até agora nós entrámos com o dinheiro e os russos com a experiência. O resulta é o que se conhece. Agora nós ficamos com a experiência e os russos com o dinheiro…

“Diante desta situação há uma pergunta que se coloca: o que fazer? Naturalmente, as duas equipas (Angola e Rússia) cingiram-se ao contrato e o artigo 12.º prevê que nessas situações deve ser construído um outro satélite, neste caso o AngoSat-2, sem custos para a parte angolana”, explicou José Carvalho da Rocha.

Acrescentou que, também ao abrigo do contrato inicial, impõe-se que durante o período de construção do AngoSat-2 “devem ser fornecidas as compensações para que os serviços [de comunicação] continuem a ser prestados”.

“Há uma série de serviços que nós prevíamos assentar no AngoSat-1”, recordou, acrescentando que a adenda ao contrato hoje assinada, prevendo a construção do AngoSat-2 e a disponibilização de largura de banda para comunicações.

“Vamos continuar a trabalhar arduamente, é um caminho que temos de fazer, não é uma recta linear, temos que estar preparados para que nestes percursos tenhamos picos altos e picos baixos. O mais importante é que os nossos interesses sejam bem defendidos, como até aqui, e possamos fazer, com o apoio russo, este caminho, que sabemos deve ser feito por várias gerações”, sublinhou o ministro angolano.

Construído por aquele consórcio estatal russo, cujas negociações entre os dois países arrancaram em 2005, o Angosat-1 foi lançado em órbita, a partir do Cazaquistão, com recurso ao foguetão ucraniano Zenit-3SLB, envolvendo a Roscosmos, empresa espacial estatal da Rússia.

A construção arrancou a 19 de Novembro de 2013 e o lançamento aconteceu a 26 de Dezembro de 2017. Logo após, surgiram notícias sobre problemas com a infra-estrutura, nomeadamente a perda de comunicação.

A construção do AngoSat-1, de acordo com dados do Ministério das Telecomunicações e das Tecnologias de Informação, envolveu três contratos, o primeiro dos quais, no valor de 252 milhões de dólares (205 milhões de euros), para a construção e o lançamento do satélite. Neste caso, só a construção do satélite está avaliada em 120 milhões de dólares (98 milhões de euros).

Um outro contrato, no valor de 50 milhões de dólares (40 milhões de euros), envolveu a construção de todo o segmento terrestre e o Centro de Comando de Satélite, localizado na Funda, arredores de Luanda.

O terceiro contrato, de 25 milhões de dólares (20 milhões de euros), serviu para alugar a posição orbital onde o satélite permaneceria durante 18 anos.

Globalmente, o projecto representa um investimento superior a 320 milhões de dólares (262 milhões de euros) do Estado angolano e pretende reforçar as comunicações no país, fornecendo ainda serviços para parte do continente africano.

Folha 8 com Lusa

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