Na sua 2ª Reunião Ordinária, de 12 de Março de 2018, o Bureau Político do MPLA, e na sequência da apresentação dos temas propostos para a reunião pelo Presidente do partido (nomeadamente o Programa de Apoio à Produção Nacional, Promoção das Exportações e Substituição das Importações e, igualmente, o Relatório de Balanço sobre as Eleições Gerais de 2017) e após as primeiras intervenções, eis que Rui Falcão pede um ponto de ordem.

Rui Falcão diz: “Fizeram-me sair da minha província, abandonando tarefas imediatas, para discutir isso?! Não é isso que temos que discutir, Camarada Presidente. Nós temos que discutir aqui sobre a bicefalia. Então lá fora toda a gente fala da bicefalia e nós aqui não falamos dela?! O Camarada Presidente tem que dizer quando é que vai deixar a Presidência do partido ao Camarada João Lourenço!”.

Seguiu-se outro pedido de intervenção. Dino Matross disse concordar com Rui Falcão, desafiando o Presidente (José Eduardo dos Santos) a dizer ali e sem meias palavras “quando é que vai sair da liderança do partido”, acrescentado que “já está na hora da marcação do Congresso Extraordinário!”.

Um outro dinossauro do partido não se fez rogado. Roberto de Almeida, embalado na onda de querer passar com urgência o Presidente do partido de bestial a besta. “Em vez de voltarmos aqui na sexta-feira para falar de assuntos sem importância, temos de vir aqui para o Camarada Presidente marcar a data do Congresso que decidirá sobre a sua saída!”, disse Roberto de Almeida.

Perante o cenário de contestação, com laivos de sublevação, em que estava, José Eduardo dos Santos tomou a palavra para dizer: “Temos que agir com muita calma no tratamento desse assunto… Desde já quero dizer ao Camarada Roberto de Almeida que não esperava isso de si… No entanto, não poderei estar presente na reunião de sexta-feira e delegarei poderes para o Secretário-Geral do partido presidir à referida reunião…”.

Desta vez, também fazendo uso dos seus galões e da capacidade militar de manipulação de massas, quem não deixou Eduardo dos Santos terminar de falar foi o próprio João Lourenço: “Porquê o Secretário-Geral, se eu estou aqui e na hierarquia do partido o Vice-presidente está acima do Secretário-Geral?!”.

O confronto estava ao rubro. José Eduardo dos Santos faz pedagogia e explica: “Há um entendimento no partido de que o Camarada João Lourenço, enquanto Presidente da República, tem muitas preocupações a nível do Estado e preferimos libertá-lo das tarefas partidárias…”

Foi um alvoroço na sala. A tempestade escancarava as portas. Em coro, Dino Matross e Roberto de Almeida fizeram-se ouvir: “Camarada Presidente, isso é falso problema, no seu tempo sempre foi assim, entregue a presidência do partido ao camarada João Lourenço. Pelos vistos o camarada Presidente quer manter a indefinição por muito tempo”.

De novo João Lourenço assume o comando: “Está decidido, na quinta-feira estaremos aqui e vou presidir à reunião para definir a data do Congresso Extraordinário”.

Com estas palavras demolidoras do vice-presidente, e sob aplausos e muitas manifestações de alívio, terminava a reunião. Consta que Eduardo dos Santos esteve quase a ter um treco…

Nada disso. “Fake news”

“É fake news”. É desta forma que reagiu ao Folha 8, um membro do Bureau político do MPLA, à notícia posta à circular nas redes sociais de tensas altercações – como acima referimos – entre influentes membros deste órgão e José Eduardo dos Santos, exigindo a sua saída da presidência do MPLA.

“Isso não aconteceu salvo na imaginação do autor, que, no caso, se esconde no anonimato”, assegurou a fonte de F8.

Questionado sobre a intervenção no conclave dos históricos do partido, foi peremptório: “Nem Dino Matross, nem Roberto de Almeida, nesta reunião questionaram o camarada José Eduardo dos Santos, sobre a bicefalia e ou a sua saída, pois esta questão para nós não existe e como partido maduro estamos tranquilos”.

No entanto, a fonte do F8 considera haver correntes tendentes a criar falsas crises no seio do MPLA e dar a imagem de haver bicefalia, na condução do país: “Não existe esse problema e o MPLA não tem problemas de liderar a reforma do Estado e separar, proibindo que o presidente de um partido seja da República ou que haja eleição nominal do Presidente da República e voltemos ao regime presidencialista com um primeiro-ministro”.

Mas houve ou não burburinhos, sobre a bicefalia? Tornamos a questionar e aqui a fonte desceu os degraus e desmistificou: “num intervalo da reunião realizada não no dia 10.03, mas faz 15 dias atrás, foi levantada, no corredor pelo camarada Rui Falcão e um outro membro, que nem introduziram na reunião passada. Alguém ouviu e fez dessa história uma miragem, visando denegrir o camarada Rui Falcão diante do presidente do partido, como se ele fosse o agitador de uma crise e traição ao líder do partido”.

A fonte do F8, membro do Bureau político do MPLA diz estar o seu partido preparado para estes jogos sujos, que visam inventar histórias e a criação de um clima inexistente, “pois seria bicefalia se o camarada João Lourenço não participasse nas reuniões dos órgãos do partido. Ele é vice-presidente e tem presidido a maioria das reuniões do secretariado, logo ele, não recebe orientações, mas participa em todas decisões e o presidente do Partido não tem como interferir na governação”.

Por outro lado, apelou à serenidade, pois a transição está a decorrer de forma normal e os “militantes tem consciência que foram eles que elegeram o camarada Eduardo dos Santos para um mandato até 2022 e que ele poderá terminar ou não, mas nós estamos serenos. Vamos reunir com os secretários provinciais e depois teremos reunião metodológica e a do comité central e todas decorrem sem pressão, na mais serena tranquilidade”.

Assim a notícia de crise interna, onde foi questionada a liderança de JES, ainda não ocorreu no seio do MPLA. Vamos esperar os próximos capítulos

Seja como for, a situação obrigou hoje o MPLA e emitir o seguinte comunicado:

“Indivíduos eivados de má-fé estão a fazer circular, através das redes sociais e não só, uma onda de especulações, fazendo crer da existência de clivagens graves no seio do MPLA, o que não corresponde à verdade, porquanto o Partido mantém-se coeso e pronto para discutir, democraticamente, todos os assuntos da actualidade política de Angola.

Na sua 2ª Reunião Ordinária, de 12 de Março de 2018, o Bureau Político do MPLA analisou assuntos relativos ao País e à vida interna do Partido, donde sobressaem o Programa de Apoio à Produção Nacional, Promoção das Exportações e Substituição das Importações e, igualmente, o Relatório de Balanço sobre as Eleições Gerais de 2017.

Convém sublinhar que nunca a Direcção do MPLA se furtará à reflexão, clara e objectiva, sobre o processo de transição político-partidária, tal como o fez a respeito do aparelho do Estado, aquando da realização das últimas Eleições Gerais, usando, para tal, os órgãos vocacionados, à luz dos seus Estatutos e de outros documentos fundamentais.”

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