Agora sim. É desta que se o Governo do MPLA vai dar o seu Grito do Ipiranga. O Ministério da Comunicação Social pretende estabelecer parcerias com as associações empresariais das províncias do Namibe, Cunene e Huíla, no sentido de – diz a Angop – “encorajá-las a investir no mercado publicitário, visando engrandecer as despesas do sector na região sul do país”.

Por Orlando Castro

A intenção foi manifestada hoje, segunda-feira, à Angop, no Lubango, pelo secretário de Estado da Comunicação Social, Celso Malavoloneke, no quadro da sua visita aos órgãos do sector, onde recebeu informações sobre o seu funcionamento.

Segundo o, digamos, D. Pedro da era do MPLA, o objectivo passa por assegurar receitas que são geradas por via da publicidade e também de patrocínios de programas temáticos. Isso, em concreto, significa o quê? Talvez, pensamos nós, uma declaração de menoridade que o Governo passa aos empresários.

D. Celso sublinhou que o empresariado, neste tempo de crise, precisa, igualmente, de fazer conhecer os seus produtos, as suas marcas, os seus serviços e as suas ideias, porque o público consumidor tem agora um poder de compra reduzido.

Cada cavadela, cada minhoca. E os bagres que se cuidem. O Governo anda à pesca. Ou será à caça? Como em tempos de crise não se olha aos anzóis, até as granadas servem para apanhar peixes…

Do alto da sua cátedra e na perspectiva de livrar o seu chefe de posto (João Melo) destes ridículos enciclopédicos, Celso Malavoloneke considerou que este processo de intermediação, entre o público consumidor, produtores, empresários, provedores dos serviços e os geradores de ideias, é feito precisamente pelos órgãos de Comunicação Social. Quem diria? Esta bem poderia ser assumida pelo nosso Paul Joseph Goebbels.

Daí a proposta, explicou o perito do MPLA com funções comediantes delegadas, da parceria com a classe empresarial como uma forma de potenciar o mercado publicitário, para que se gere mais emprego par os jovens recém-formados nas universidades em Ciências de Comunicação nos vários órgãos de Comunicação Social, se combata a cólera, a malária, a lepra etc. e se incentive a venda de pentes para carecas, luvas para manetas e, é claro, o estudo do achatamento polar das batatas.

Justifica brilhantemente o nosso “little” Goebbels que esta estratégia visa também “facilitar que estes sectores possam cumprir cabalmente o seu papel de potenciadores da economia e do desenvolvimento económico e social da província”.

Celso Malavoloneke acrescentou que a reacção dos empresários nesta direcção é salutar e, a qualquer momento, as distintas direcções dos órgãos de Comunicação Social poderão sentir os efeitos da implementação desta parceria.

Como sabemos, é verdade que qualquer parceria com MPLA é mais do que meio caminho andado para o sucesso do… MPLA. Por regra, numa sociedade solidária como é a nossa, o MPLA entra com as ideias e os empresários com o dinheiro. Quando chegar a altura da colheita dessa parceria, o resultado é inequívoco: Os empresários ficaram com as ideias e o MPLA com o dinheiro.

Relativamente ao candente e basilar “problema” da Carteira Profissional, o “little” Goebbels esclareceu ser a agora da competência da ERCA (Entidade Reguladora da Comunicação Social do MPLA), cujos membros já tomaram posse e o seu estatuto remuneratório já foi criado e, doravante, é a essa organização a quem deverão ser dirigidas todas as preocupações ligadas ao assunto. Para uns basta ter cartão do MPLA, para outros ter cartão do MPLA… basta.

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