O Banco Nacional de Angola (BNA) anunciou hoje que efectuou sexta-feira uma nova sessão de venda de divisas em leilão aos bancos comerciais, tendo colocado 55,54 milhões de euros no mercado primário e levando a nova desvalorização do kwanza.

Pela segunda vez desde 9 de Janeiro deste ano, dia em que começaram as operações de leilões, o montante disponibilizado (100 milhões de euros) não foi adquirido na totalidade pelos 11 bancos comerciais que participaram no 51.º leilão, em que a moeda angolana voltou a depreciar-se face à europeia, passando a valer, oficialmente, 348,632 kwanzas/euros.

A 1 de Janeiro deste ano, a taxa de câmbio era de 185,40 kwanzas/euro, pelo que a depreciação desde então é já de 46,82%. No início deste mês, na 49ª sessão, a moeda angolana fixou-se nos 345,941 kwanzas/euro.

O mesmo se passa em relação à moeda norte-americana, que ultrapassou a 3 deste mês, no mercado oficial, a barreira dos 300 kwanzas/dólar, situando-se hoje nos 301,579 kwanzas/dólar, o que representa uma depreciação de 44,98% desde Janeiro, quando um dólar valia 165,92 kwanzas. A 1 deste mês, a taxa de câmbio situou-se nos 297,926 kwanzas/dólar.

Há uma semana, o BNA anunciou que, para este mês, vai colocar no mercado primário 650 milhões de dólares (552,5 milhões de euro) em divisas distribuídas por 14 sessões.

Segundo o banco central angolano, o montante será colocado por via de leilões de preços, na venda de divisas, e da quantidade, no caso dos “plafonds” para cartas de crédito.

Após a terceira sessão de Outubro, os restantes 11 leilões deste mês serão realizados nos dias 08, 10, 12, 15, 17, 19, 22, 24, 26, 29 e 31.

Em Setembro, o BNA anunciou que, a partir de 1 de Outubro, deixaria de proceder à venda directa de divisas, pelo que as solicitações de compra de moeda estrangeira devem voltar a ser unicamente apresentadas aos bancos comerciais autorizados.

Na ocasião, o BNA referiu ter, no âmbito da normalização do funcionamento do mercado cambial, retomado a venda de moeda estrangeira nos leilões de divisas sem indicação específica das operações ou importadores para os quais os fundos devem ser vendidos pelos bancos comerciais.

Segundo o BNA, o sistema ajustado de vendas directas permitiu que o banco central angolano tivesse um entendimento mais preciso da metodologia necessária para a protecção das reservas internacionais e emitisse regulamentação e orientações aos bancos comerciais adaptados a esse objectivo.

Com esse sistema, o BNA assegurou ainda a alocação imparcial das divisas no pagamento dos atrasados e a atenuação das percepções negativas dos clientes sobre os critérios de selecção dos beneficiários aplicados pelos bancos comerciais.

O BNA entende agora que, após o período de maior intervenção, com o mercado cambial actualmente mais bem regulamentado e com maior regularidade na oferta de moeda estrangeira, estavam criadas as condições para que sejam novamente os bancos comerciais a realizarem a alocação de moeda estrangeira aos seus clientes.

No exercício das suas responsabilidades de supervisor e de autoridade cambial, o BNA comprometeu-se a trabalhar junto das instituições financeiras, para que esta transição seja bem-sucedida e ocorra sem quaisquer impactos negativos na actividade económica do país.

Lusa

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