O kwanza sofreu a segunda depreciação face ao euro este mês, acumulando uma perda superior a 33% desde a aplicação do regime flutuante cambial em Angola, em Janeiro, com taxas de câmbio formadas nos leilões de divisas.

Esta depreciação, que foi mais acentuada em Janeiro e que em Fevereiro desceu para um ritmo de quase 1% por semana, foi confirmada por cálculos feitos a partir das taxas cambiais oficiais do Banco Nacional de Angola (BNA), de 1 de Janeiro e de 31 de Maio.

Hoje, a taxa de câmbio média do euro cifra-se nos 277,8 kwanzas, quando a 1 de Janeiro era de 185,40 kwanzas, o que representa uma depreciação de 33,2% no espaço de praticamente cinco meses. Já o dólar norte-americano é hoje cotado à taxa média de 226 kwanzas, quando a 1 de Janeiro valia 165,92 kwanzas, uma depreciação, neste caso, de quase 30,7%.

A actual taxa de câmbio oficial foi formada após o último leilão de divisas, realizado na quarta-feira, conforme informou hoje o BNA, permitindo a colocação de 197,7 milhões de euros, destinados à reposição da posição cambial dos bancos comerciais.

Nesta sessão, em que contribuíram para o apuramento da taxa de câmbio as propostas de 15 bancos participantes no leilão – no âmbito do novo regime flutuante cambial, iniciado a 9 de Janeiro -, o euro passou a valer (na compra pelos clientes) 277,80 kwanzas, correspondente a uma depreciação de 1,01% da moeda angolana, face ao euro.

No início do mês de Maio, um outro leilão de divisas já tinha provocado uma desvalorização do kwanza, face ao euro, de cerca de 0,9%.

No leilão de divisas realizado quarta-feira, o 24º do género, voltaram a ser aplicadas as regras anunciadas no final de Janeiro pelo governador do BNA, José de Lima Massano, alterando os limites das propostas que podiam ser apresentadas pelos bancos, que depois são utilizadas para formar a taxa de câmbio do kwanza face ao euro.

A 18 de Janeiro, um outro leilão ao abrigo deste modelo – em que os bancos apresentam propostas de compra de divisas em kwanzas – foi suspenso pelo BNA, por as propostas terem ultrapassado o limite máximo (da cotação) definido pelo banco central para estas vendas, acima dos 300 kwanzas por cada euro.

Na reacção, o BNA convocou os bancos comerciais para uma reunião, no dia seguinte, e revelou os novos contornos do modelo de leilão de divisas (euros), em que as propostas da “margem máxima” sobre a taxa de referência – ou seja o valor que os bancos podem colocar como apreciação ou depreciação da taxa de câmbio -, “não pode ser superior nem inferior a 2%”.

“Significa que em qualquer um dos leilões, a variação máxima que poderá acontecer será de 2%, não mais, não menos”, avançou o governador do BNA, no final daquela reunião.

Desde então, a depreciação do kwanza face ao euro e ao dólar norte-americano tem sido inferior a 1% por semana.

No modelo cambial anterior, até 9 de Janeiro, a cotação era fixada directamente pelo BNA, com o kwanza indexado ao dólar norte-americano, mas passou então a ter moeda europeia como referência para o mercado nacional.

Lusa

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