ANGOLA. O preço para comprar divisas nas ruas de Luanda não sofre alterações há mais de um mês, em sentido contrário à contínua depreciação oficial do kwanza, o período de estabilidade mais prolongado desde o início da crise.

Numa ronda feita hoje por alguns dos bairros da capital angolana, as ‘kinguilas’, como são conhecidas as mulheres que se dedicam à compra e venda de divisas na rua, transaccionam um dólar por cerca de 420 kwanzas (1,60 euros).

Trata-se de uma cotação, do mercado informal, que se mantém inalterada desde 22 de Fevereiro e contrasta com os 475 kwanzas (1,80 euros) do final de Janeiro, o mesmo acontecendo com a moeda europeia.

O euro está a ser transaccionado na rua, em bairros como Maculusso, Mutamba ou São Paulo, a cerca de 520 kwanzas (dois euros), também inalterado há mais de um mês, contrastado com os 580 kwanzas (2,20 euros) do final de Janeiro.

Na taxa de câmbio oficial definida pelo Banco Nacional de Angola (BNA), a compra de cada dólar está hoje fixada – praticamente sem alterações há três semanas – nos 214,3 kwanzas, enquanto adquirir cada euro custa 264,7 kwanzas.

A falta de kwanzas no mercado continua a ser a explicação apontada por estas ‘kinguilas’ para a manutenção da cotação do dólar e do euro, resultando na prática, devido à retirada de moeda de circulação física, numa valorização da moeda angolana.

Na prática, e apesar de continuar escassa a quantidade de divisas nos bancos, o preço no mercado paralelo não dispara, como aconteceu em meses anteriores.

A retirada de dinheiro de circulação física tem sido uma medida adoptada pelo BNA para conter a escalada da cotação do euro e do dólar no mercado informal, alternativo, embora ilegal e a preços especulativos, para angolanos e expatriados que não conseguem comprar divisas aos balcões dos bancos, face à crise cambial.

Durante o mês de Janeiro, no mercado de rua, negócio que a polícia angolana tenta combater, o custo da nota de dólar tinha aumentado quase 20% e a de euro 15%, segundo os cálculos feitos pela Lusa, tendência que desde o início de Fevereiro está a ser invertida.

Lusa

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