Foi. Foi. E, foi… Primeiro. Para quê? A resposta ficará incrustada na incógnita do tempo. Os “sequitistas” rejubilam com a fracção numérica. Nem mais. Ter sido o primeiro Presidente angolano a discursar no Parlamento Europeu, como se isso fosse, por si só, hoje como ontem ou amanhã, para os 20 milhões de pobres, alguma “mais-valia”.

Por William Tonet

Não passa de ambição mosquito. A maioria autóctone gostaria ver o Presidente da República, Titular do Poder Executivo, Chefe de Estado, João Manuel Gonçalves Lourenço, erecto, livre, responsável e de cara levantada, no centro do Parlamento Europeu, apresentar um programa económico e social de combate à fome, à miséria e ao desemprego, em Angola.

Um programa de defesa das riquezas nacionais, capitaneada pela valorização dos quadros angolanos, capaz de fomentar o consumo interno, garantir o trabalho de carteira assinada, com o compromisso solene e perene de enterrar o “entregopólio” aos órgãos ocidentais, amiúde discriminadores da mão-de-obra nacional.

João Lourenço deveria exaltar o orgulho da autoctonia angolana, desmascarar o racismo incubado europeu, nas relações com Angola e África, exigindo qual abutre dos povos subdesenvolvidos, igualdade nas relações comerciais e financeiras.

Infelizmente, para nossa desgraça colectiva, uma vez mais no plano externo, não saiu da mesma bitola dos discursos de alguns líderes de países subdesenvolvidos, comprimidos nos fatos Pierre Cardin e perfumes de Paris, que destilam complexo e submissão, para gáudio europeu.

Um discurso pragmático, independente e democrático distancia-se da filosofia barroca e, não aceita vergar a estopinha, mesmo que o objecto seja o de solicitar financiamento da comunidade europeia.

A primeira vez, deveria ser mais empolgante, na defesa erecta do sonho de libertação económica dos angolanos e não um ajoelhar pedindo ao “algoz” europeu, para não escancarar as fronteiras, aos quadros, que humilhados e discriminados em Angola e em outras ditaduras de África e subdesenvolvidas, partem na busca de valorização.

“Nenhum governante quer ver os seus filhos abandonar o país, sobretudo naquelas condições desumanas em que o processo está a decorrer. Imigrações sempre houve no Mundo, mas nestas condições, com perdas de vidas humanas durante a travessia, é evidente que ninguém quer que os filhos da sua pátria e do seu continente passem por uma privação tão grande quanto esta”, disse João Lourenço, como se estivesse exilado na Europa.

Um líder comprometido, com os valores dos cidadãos, num palco tão heterogéneo, deveria, em nome da vergonha, demitir-se de tal apologia, para não se equiparar a um cheque em branco, a muitos dos sanguessugas das matérias-primas, angolanas e africanas.

Daí a assertiva do magnata de telefonia, Mo Ibrahim, de as “falhas monumentais dos líderes africanos após a independência”, serem responsáveis pela pobreza extrema, paradoxalmente, piores que, “quando nasceram os primeiros Estados africanos independentes, nos anos 50, África estava melhor em termos económicos”.

Desta forma, às portas para o novo colonialismo económico internacional, podem estar livres, como deixou transparecer, o vice-presidente da bancada parlamentar do Partido Popular Europeu, o português Paulo Rangel, depois de um refastelado almoço, oferecido por JLo: “O que foi sublinhado ao almoço foi a vontade de criar condições para haver um investimento que não esteja dependente da arbitrariedade da corrupção. Houve muito a ideia de passar a imagem de um país que está a preparar-se para um período de investimento estrangeiro muito forte, e de um investimento diversificado, e preferencialmente europeu”, asseverou.

Dentro desta visão, Mo Ibrahim denuncia o facto de que “não se justificam a fome, a ignorância e a doença que assolam África”, afirma, acrescentando, que a solução terá de passar obrigatoriamente por “bons líderes, boas instituições e boa governação”, sem os quais “não haverá Estado de Direito, não haverá desenvolvimento”.

E, no vaticinar de haver ou não um verdadeiro líder, não se pode parar no semáforo da “mesmice” falatória do combate à corrupção e ao nepotismo, mas, apenas, como “via verde” para o desfile institucional de todos os excessos do capital estrangeiro, ante um poder judicial domesticado, na bota, discricionariedade e controlo do TPE (Titular do Poder Executivo), que os vai credibilizar, na senda de os “sócios-gatunos” partidocratas, de colarinho branco, com leis proteccionistas terem garantia institucional de manter o status quo exploratório.

Por isso se esperava mais de João Lourenço, na sua primeira aparição no Parlamento Europeu, até para justificar os milhões no aluguer do avião, com cama King size, que permite dormir, nas nuvens…

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