Angola regista uma escassez da vacina BCG, administrada aos recém-nascidos para protegê-los contra a tuberculose, assumiu hoje o secretário de Estado da Saúde Pública angolano, José Cunha, um problema que pode ser superado “ainda na próxima semana”. Talvez pedindo mais uma linha de crédito à China, não?

De acordo com o governante, entrevistado hoje pela rádio pública angolana, a carência da BCG constitui um problema, “mas não por muito tempo”, garantindo estarem a ser envidados esforços para resolver o problema. Em Angola, com os 43 anos de governação do MPLA, nada é por muito tempo. É quase sempre por todo o tempo.

“Há, de facto, uma falta da vacina do BCG e, como se sabe, essa vacina é extremamente importante, porque é ela que protege a criança contra a tuberculose logo à nascença, ou seja, é administrada logo ao recém-nascido”, afirmou.

José Cunha adiantou ainda que os “esforços” dos ministérios da Saúde e das Finanças vão permitir obter vacinas “o mais rápido possível”.

“Há esforços na relação entre esses dois ministérios e acreditamos que, até à próxima semana, provavelmente as coisas se resolvam”, indicou.

O secretário de Estado da Saúde Pública admitiu ainda que, caso o Ministério das Finanças não disponibilize atempadamente o montante para aquisição da vacina BCG, o “fornecedor poderá dar as vacinas a crédito”.

“O fornecedor, como é internacional, também está já habituado às nossas solicitações”, concluiu.

1 de Novembro de 2016. O Ministério da Saúde angolano admitia que o país ainda tinha falta de vacinas BCG. De acordo com o director nacional de saúde pública, Miguel de Oliveira, o país chegou a receber em quantidades mínimas a vacina BCG, que foram distribuídas para unidades hospitalares de todo o país, que se dedicam à vacinação.

“A vacina BCG está disponível em pequenas quantidades, há de facto alguma insuficiência da vacina, que vai ser superada dentro de 30 a 40 dias”, informou então Miguel de Oliveira.

Em Abril de 2016, o então governador da província de Luanda, Higino Carneiro, informou que havia verbas específicas, desbloqueadas pelo Governo, para a aquisição da vacina BCG, depois de queixas da falta da mesma há já três meses.

A memória é tramada

As eleições (isto é como quem diz!) do ano passado estavam à porta e os “catarros” do regime aproveitavam tudo para dizerem que iam, finalmente, fazer o que andam a prometer há 42 anos. Assim, dizia o regime, um milhão de crianças seriam vacinadas até final de 2017, no âmbito do seu Programa de Intensificação da Vacinação de Rotina.

A promessa, a demagogia, foi anunciada pelo então ministro da Saúde, Luís Gomes Sambo. Só faltou saber se a cada criança seria doado um cartão vitalício de filiação no… MPLA.

Luís Gomes Sambo, que discursava na suposta abertura da campanha de Intensificação da Vacinação de Rotina, realizada em Viana, arredores de Luanda, disse que existem vacinas e material suficiente para a imunização das crianças.

O governante sublinhou a necessidade do aumento das campanhas de sensibilização da população sobre a eficácia das vacinas na prevenção de doenças e redução de mortes infantis.

“Apelo aos governadores provinciais, administradores municipais e comunais de todo o país, assim como os profissionais de saúde, para que se envolvam ainda mais”, referiu o ministro.

O então ministro da Saúde referiu que o Governo assumiu o compromisso de garantir o acesso universal à vacinação de rotina, tendo no último ano disponibilizado mais de 50 milhões de dólares (45,7 milhões de euros) para a aquisição de vacinas de qualidade.

O titular da pasta da Saúde apelou aos parceiros internacionais para que continuem a apoiar Angola no acesso a vacinas de qualidade e a preços baixos, principalmente as vacinas novas, para que sejam introduzias no programa de vacinação de Angola.

Falta de vergonha

Vejamos o país real. Por cada mil nados vivos em Angola, morrem 156 crianças até aos cinco anos de idade, de acordo com relatório da Organização Mundial de Saúde. Esta é mais uma medalha de mérito no peito (já de si atestado de medalhas semelhantes) do partido que está no Poder desde a independência, o MPLA.

A Angola do MPLA aparece assim, e com todo o mérito, no primeiro lugar mundial da mortalidade infantil, sendo também o país com a segunda mais baixa esperança de vida. Coisa pouca, não é senhor Presidente João Lourenço?

Além disso, em cada 100.000 nados vivos em Angola morrem 477 mães, neste caso distante da Serra Leoa, onde para a mesma proporção morrem 1.360 mulheres. Certamente que, também nesta matéria, é caso para dar os parabéns ao MPLA, bem como a todos os seus acólitos, internos e externos.

A OMS, que não levou em conta os dados antagónicos dos especialistas do regime, refere igualmente que a esperança média de vida à nascença em Angola cifrou-se nos 52,4 anos, apenas à frente da Serra Leoa, com 50,1 anos. Boa.

Mas, é claro, que a OMS não percebe nada desta matéria. É que, segundo os dados mais credíveis do mundo (os do MPLA), a esperança média de vida no país passou a estar fixada em 60,2 anos. Vejam se aprendem, ok?

Ainda segundo regime do MPLA, as mulheres angolanas aspiram agora a viver até aos 63 anos e os homens até aos 57,5 anos.

Segundo a OMS, em Angola, a expectativa de uma vida saudável à nascença é de apenas 45,8 anos, igualmente uma das mais baixas do mundo. Mas alguém acredita? Claro que não. Basta olhar para o paradigma dos angolanos – o clã João Lourenço e similares.

Mais uma vez sem levar em conta quem sabe (continuamos a falar do comité da especialidade do MPLA), a OMS refere que perto de metade da população angolana (49%) tinha acesso a fontes de água potável, o que é o segundo pior registo em 47 países africanos, enquanto o acesso a saneamento abrange 52%, a 11ª posição no mesmo grupo.

Esquece-se a OMS de dizer, mas o regime não vai em cantigas e di-lo com todas as letras, que a culpa de tudo isto é do colonialismo português. Apesar de independente há quase 43 anos, este tempo ainda só foi suficiente para enriquecer os altos dignitários do MPLA.

Estima-se ainda que cada angolano com mais de 15 anos consome por ano o equivalente a 7,6 litros de álcool, e que a cada 1.000 angolanos não infectadas por HIV, com idades entre os 15 e os 49 anos, surgiram em uma média de 2,1 novos casos da doença.

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