A equipa do Presidente João Lourenço foi muito bem escolhida. Quase todos os dias membros do Governo, ou afins, surpreendem o país e o mundo com a revelação de descobertas inovadoras e nunca pensadas em Angola, sobretudo nos últimos 43 anos. É obra! Dir-se-ia que algumas são verdadeiras pérolas.

Hoje, por exemplo, o ministro de Estado do Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, disse que Angola precisa de melhorar o ambiente de negócios e tornar o processo de aplicação de capitais no país mais célere e eficiente, para atrair o investimento directo estrangeiro.

Como é que, até agora, ninguém tinha pensado nisso? É, com certeza, uma descoberta que vai originar teses de doutoramento (no mínimo) nas principais universidades do mundo, para além de merecer o prémio Nobel da Economia. A escolha não será, contudo, fácil, tantos são os casos merecedores desse, e de outros, prémios.

Segundo Manuel Nunes Júnior, que discursava na abertura do seminário nacional de auscultação de empresários sobre o PRODESI – Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição das Importações (só o nome deste programa é um verdadeiro tratado de sabedoria), o país precisa também de introduzir ajustamentos à actual lei do investimento privado, processo que já está em curso.

Reparemos, com a devida e merecida atenção, nesta descoberta que vai revolucionar a economia mundial, sendo certo que nada será igual a partir de hoje. Disse o ministro que o aumento da produção nacional e a diversificação da economia são um imperativo nacional, porque se Angola não tiver uma economia forte, sustentada e diversificada não conseguirá resolver de modo satisfatório os sérios problemas sociais do país.

Consta que alguém da Academia Real das Ciências da Suécia, que atribuiu o Nobel da Economia de 2017 ao norte-americano Richard Thaler, cujos estudos ajudam a perceber como o comportamento humano por vezes se desvia dos modelos económicos teóricos, terá lamentado que Manuel Nunes Júnior não tivesse defendido esta tese o ano passado. Mas em 2018 o prémio estará garantido.

Manuel Júnior lembrou que de 2002 a 2008 Angola registou taxas médias anuais de crescimento de dois dígitos e integrou a lista dos países que mais cresceram no mundo nesse período, um desempenho fortemente influenciado pela dinâmica do sector petrolífero. Quem sabe… sabe. Mas se alguém tivesse dúvidas, o ministro arrasou-as. Pedagogicamente, é óbvio.

No período em referência, a produção petrolífera conheceu um crescimento médio anual de 14 por cento e o preço desta matéria-prima aumentou, em média, 25 por cento/ano, sendo que em 2008 se abateu sobre o mundo uma profunda crise económica e financeira que teve como uma das suas consequências a redução drástica do preço do petróleo no mercado internacional.

Como consequência, no período 2009/2017 a economia angolana continuou a crescer, porém com taxas mais brandas. Quem diria, não é senhor ministro? Se não fosse Vossa Excelência e ainda estaríamos todos na idade das trevas, da ignorância.

“A trajectória de crescimento foi crescente até 2013, com um crescimento de 2,39 por cento em 2009, 3,5 em 2010, 3,9 em 2011, 5,2 em 2012, 6,8 em 2013. No ano de 2014 a taxa de crescimento baixou para 4,8 por cento e em 2015 foi de 3 por cento. Em 2016 Angola teve um crescimento de 0,1 porcento”, disse o ministro como “introdução” ao seu brilhante raciocínio.

Em função das ilações tiradas da história económica recente, o ministro Manuel Nunes Júnior salientou algo que só uma mente brilhante consegue: O país continua a ter ainda uma economia muito vulnerável a choques externos, sobretudo das oscilações do preço do petróleo no mercado internacional.

Na visão do ministro Manuel Nunes Júnior, embora se verifique uma diminuição do peso do sector petrolífero na economia nacional, tal redução não se traduziu ainda numa alteração estrutural das exportações e das receitas do Estado, sobretudo das receitas em moeda externa, isto é, em divisas. Aqui está outra constatação só ao alcance dos génios que, infelizmente, só agora foram descobertos.

De acordo com Manuel Nunes Júnior, trata-se de uma situação que merece ser alterada, com rigor, disciplina e com o foco nos objectivos, aprendendo com as lições do passado e evoluir para estágios mais avançados. Bem lembrado. É que muita gente (sobretudo da Oposição) pensava que era possível evoluir para estágios mais atrasados.

Manuel Nunes Júnior adiantou, numa estrondosa sucessão de descobertas, que a diversificação progressiva da base económica do país e das exportações, bem como a sua especialização produtiva não deve ser feita de modo espontâneo e difuso, mas sim na base de uma coordenação perfeita entre os investimentos públicos e privados.

Para Manuel Nunes Júnior, os investimentos públicos devem criar as condições necessárias para o aumento da eficiência dos investimentos privados, no qual o Estado e o sector privado devem andar de mãos dadas, estabelecendo para o efeito uma verdadeira aliança estratégica.

Este foi, estamos em crer, mais um recado para os detractores do regime. Esses que acham que o Executivo só descobre o que já foi descoberto e que apenas diz verdades de La Palice. Será que esses sabem que o Estado e o sector privado devem andar de mãos dadas, estabelecendo para o efeito uma verdadeira aliança estratégica? Claro que não sabiam…

Eis mais uma (foram tantas que é impossível enumerá-las todas) sublime explicação. Manuel Nunes Júnior apontou como condições para promoção da existência de uma economia sustentada, que gera investimento produtivo e emprego, a estabilidade política e macroeconómica, (taxas de juro, taxas de câmbio e taxas de inflação), alinhadas com o objectivo do crescimento económico, Infra-estruturas básicas de apoio à produção.

O PRODESI, no conjunto da sua múltipla esfera de actuação, é um instrumento que visa congregar iniciativas de diversos sectores, visando criar uma nova dinâmica em que o Estado e os privados, de forma sincronizada, interagem no sentido de alterar o estado da economia.

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