O sino tocou. Mais uma vez. O endereço físico e mental é o mesmo. Sempre. Folha 8. O destinatário, na rectilínea defesa de princípios e de dar voz a quem não tem voz, não prescinde dos ideais de liberdade de imprensa e democracia, por mais que sejam os ataques abjectos e covardes.

Por William Tonet

Os novos, velhos, assessores presidenciais, na senda da perseguição, accionaram arrogantemente, mais uma vez, o ancião recurso, a opacidade numérica do veículo intimidador: o celular.

E, na altiva arrogância e petulância alegam “justa causa”, na acção, por estar, o director do Folha 8, de forma recorrente, a visar, flagrantemente, o “camarada João Manuel Gonçalves Lourenço, que está somente há nove meses no poder e não pode ser responsabilizado pelos tenebrosos 38 anos de Eduardo dos Santos”.

É verdade ser a responsabilidade criminal individual. Mas, também, é verdade, nunca o director do F8, ter visado o cidadão João Lourenço, pessoa que estima, tendo para com a esposa, actual primeira-dama, uma relação de consideração e amizade.

O F8 assume, sim, no quadro da responsabilidade pública que tem o dever de denunciar e, com esta prática, ajudando a destapar os actos de ofício do Presidente da República, que se mostrem inversos aos pergaminhos da constituição política e da Constituição da República. No leque de funções, o F8 não tem um pacto com a MENTIRA, mas com a VERDADE democrática, logo, a responsabilidade de um profissionalismo comprometido com as causas dos povos, da liberdade e da democracia, quantas vezes assolado pela bestialidade oral e letal dos detentores do poder, mas, que não nos fazem abandonar o CAMINHO.

Pelo contrário, continuamos erectos, por ser erecto o sonho dos povos de Angola, ansiosos de um futuro melhor. Um futuro onde a semente do agricultor, comprometido, com as regras da natureza e estação, faça com que os frutos sejam colhidos na época certa. Um futuro, preparado num presente imediato, onde a Liberdade, a igualdade, a oportunidade, a democracia, sejam as molas propulsoras de uma nova aurora.

A tarefa do F8 tem sido a de alertar, para os malefícios do agigantar da “turminha do mal”, especialista na produção genética, com laboratório nos corredores do poder. Essa gente, muita, sem escrúpulos, não vê meios para atingir os fins. É mister por isso recordar, que os ditadores não nascem de partos biológicos, mas dos efectuados por “ginecologistas-partidocratas”, que elevam aos píncaros, um homem, colocando-lhe como sumidade divina, na terra, rodeando-o de um escudo bélico astronómico, dinheiro, para aliciar mentes e propagandistas, para, no fundo, melhor trafegaram nesse pantanal, geneticamente concebido, a institucionalização da arrogância, da discriminação, da ladroagem pública, da corrupção e do belicismo das forças armadas e policiais.

Assim, antes mesmo de aprisionarem os povos no sonho de viverem num país melhor e diferente do do tempo colonial, assistem ao aprisionar da LIBERDADE e do desfilar da incompetência dirigente. Homens insensíveis, muitos sem o preparo requerido, ladeando o Presidente da República, a quem fornecem cada vez mais e mais poder, ao invés de acções capazes de dignificarem o pobre.

Os 20 milhões de pobres, esperavam uma política diferente, que visasse o CAMINHO, ao invés dos caminhos sinuosos, escorregadios e indiferentes ao seu drama. Por esta razão, e, na falta de um interlocutor, propusemo-nos a emprestar a nossa solidariedade, para não passarem indiferentes, numa estatística discriminatória, que apenas inclui os endinheirados e os lugares-tenentes da partidocracia dominante.

Nós, F8, direcção e profissionais, estamos, verdadeiramente, comprometidos com a denúncia revolucionária e não com a omissão e covardia. Abomina-mos a concentração, sempre maléfica de poder, nas mãos de um homem. Esses poderes, vão seguramente, aprisionar o país e nunca libertá-lo do passado tenebroso, que todos conhecemos as marcas e desvarios.

Teremos, no rodar da esquina, novos e recauchutados “kopelipas”, cuja prepotência, esbanjamento financeiro, estamos a ver, neste início de ciclo, em acções contrárias, ao rigor nos gastos públicos, transparência e comprometimento com as boas práticas governativas.

Esta nova realiza, cujos actos, excessos e desvarios, por serem, totalmente indiferentes à crise, que se abate sobre a maioria dos povos, têm merecido, sim, o nosso alerta, denúncia e indignação. Isso porque, a crise não pode só afectar as populações carentes, obrigadas a carregar toda sorte de carga tributária, para alimentar as mordomias, de uma nova corte de nababos, que se instalam ao redor do “chefe”.

Nesta senda, não acreditamos, que depois de Setembro, com o acumular de funções; partido e Estado, por parte de João Lourenço haja o aligeirar das práticas lesivas, que corroem os órgãos da alta administração do Estado. Pelo contrário, um novo ciclo, quinquenal que seja, tem garantia de continuidade ditatorial, ainda que travestida de democrática e com novo protagonista.

O que F8 denuncia é o regabofe que atenta contra toda a lógica constitucional de separação dos três poderes (legislativo, executivo e judicial) e de, em democracia, nenhum outro estar acima destes, tradicionais, inspirada na lógica jurídica de 1789, por Charles Louis de Secondat, mais conhecido por Barão de Monstesquieu.

No caso angolano, desde 1975, o primeiro e acima dos demais, está o MPLA, comprometido na subversão da lógica da democracia, impedindo, desta feita, a alternância de poder, face ao controlo que tem dos órgãos do processo eleitoral (CNE), partidocratamente instituído para gerir e alimentar a fraude a seu favor.

É diante destas diatribes que emerge o compromisso do F8 de antever, prevenir e denunciar, todos quantos abracem trafegar em sentido contrário a democracia e as liberdades. Se isso constituir crime, aqui estamos, para enfrentar, na barra dos tribunais, a acusação, em nome da defesa do bem comum e da democracia.

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