É anedota. Só pode ser anedota a última excreção jornalística do soprano do jornal da Angola do MPLA, Victor Silva, acerca do 23 de Março, na sequência de muitas outras anedotas publicadas no mesmo jornal partidário pelo José Ribeiro, pelo Artur Queiroz e o pelo Victor Carvalho. Pensando bem, o jornal da Angola do MPLA é uma grande anedota que tenta vulgarizar ideias tragicómicas inspiradas em alucinações e ficções oportunistas.

Por Domingos Kambunji

Ainda não há muito tempo o mesmo jornal partidário tentava propagandear a ideia de que a Batalha do Cuito Cuanavale (“Coito-Carnaval”, mais exactamente) foi uma luta muito sangrenta entre duas posições políticas e que as tropas da oposição foram humilhantemente derrotadas pelas forças militares do MPLA, as FAPLA.

Os factos históricos demonstram exactamente o contrário. Se os mercenários de Cuba da Rússia e do MPLA tivessem garantido essa vitória, tão ficcionada, as mesmas tropas não teriam levado um arraial de pancadaria pouco tempo depois, na célebre batalha Assalto Final, onde se destacou como chefe da propaganda o general (?) Higino Carneiro, ao convidar a comunicação social, nacional e estrangeira. A coisa correu tão mal que, na fuga, as tropas do Zédu, “a correr, até batiam com os calcanhares no cu”!

Esta tragicomédia do soprano do jornal da Angola do MPLA sobe às luzes da ribalta quando ele afirma que a oposoção estava no lado errado da história. Será no lado errado da estória?

O Victor Silva anda a plagiar as palavras do advogado de Donald Trump, Rudy Giuliani, que, para tentar eufemizar os comportamentos absurdos do seu cliente, afirma que “a verdade não é verdade”.

A História diz-nos que o MPLA lutava pela imposição de uma ideologia política, mono partidária, que declarou falência nos finais do anos oitenta e princípios dos anos noventa do século XX, o marxismo-leninismo, um modelo politico completamento desajustado e que contribuiu para o anquilosamento de um pensamento crítico construtivo.

O MPLA estava no lado certo da História quando resolveu iniciar a guerra civil em Angola e quando fuzilou angolanos no 27 de Maio de 1977, contribuindo assim para a morte de centenas de milhar de cidadãos nacionais? O MPLA estava no lado certo da História quando impôs a cleptocracia em Angola?

O soprano do jornal da Angola do MPLA diz que o 23 de Março contribuiu para a formalização da democracia parlamentar em Angola. Em que ano irá acontecer essa formalização? 2020? 2025? 2050? Quando essa “formalização” acontecer nós aqui estaremos, se ainda formos vivos, para aplaudir essa iniciativa que tanto tarda na Angola do MPLA.

A realidade diz-nos que em Angola continua a sobreviver uma oligarquia em muito aspectos semelhante à do tempo colonial. A propaganda da (des)Educação Patriótica diz-nos que em Angola coabitam três poderes: o Legislativo, o Executivo e o Judicial. A prática implementada pelo MPLA demonstra que apenas existe um poder, o Executivo. Os sistemas Judicial e Legislativo são humildes e obedientes monangambés do Executivo, que tudo pode e manda.

Afirmar que existe democracia parlamentar em Angola é o mesmo que dizer que a Torre Eiffel está instalada no Cunene ou a Estátua da Liberdade foi construída e erguida na ilha do Mussulo. Uma mentira do tamanho do Universo.

Ainda não há muito tempo, os deputados (ou serão deturpados?) do MPLA diziam que o seu grupo parlamentar (ou será paralamentar?) não devem criticar o governo porque não querem fazer oposição… Os pseudo-deputados das ditaduras do Saddam Hussein, do Bashar al Assad ou de Vladimir Putin diziam e dizem exactamente o mesmo. Isso significa que os deputados do MPLA foram nomeados para a Assembleia Nacional apenas para exercer a função de balastro, de bobos da corte e de “Sim Senhor Presidente-Rei”. Onde está o Poder Legislativo? Irá iniciar as funções no dia 23 de Março de 2020, 2025 0u 2050?

O soprano do jornal da Angola do MPLA diz que o 23 de Março contribuiu para o processo de consolidação da paz e da democracia na África Austral. Coitado, tem a mania das grandezas e de tão incoerente só revela que em honestidade ele se encontra bastante doente.

Todos (os que puderem ver e ler órgãos de comunicação social independentes) se devem lembrar dos célebres discursos de Barack Obama no Cairo e no funeral de Nelson Mandela, criticando as oligarquias cleptocráticas dessa África Austral, especialmente a de Angola. O jornal da Angola do MPLA e outros órgãos oficiais monangambés do re(i)gime não reportaram nem fizeram eco dessas críticas porque visavam directamente as ditaduras reinantes nesses territórios, em especial José Eduardo dos Santos, que era nesse tempo defendido por um Ministro de nome João Lourenço..

O tal 23 de Março permitiu o derrube de uma minoria ditatorial branca na África do Sul? Não será demasiada megalomania? E fez isso para poder impor a ditadura de uma minoria negra cleptómana em Angola, que contribuiu para a existência de 20 milhões de pobres no nosso país!

A amiga do Zédu da Argentina, ex-presidente Cristina Kirchener, está a ser investigada pelo sistema judicial por corrupção e corre o risco de ir parar à cadeia. Na sequência das investigações a Donald Trump, Paul Manafort, director de campanha, foi “caçado” em actividades de corrupção e poderá ser condenado até 300 anos de prisão. Chris Collins, membro da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos e apoiante de Donald Trump, foi “pescado” em actividades de corrupção e corre o risco de ser condenado a muitos anos de cadeia.

Alguém abriu uma investigação em Angola acerca do enriquecimento muito suspeito de José Eduardo dos Santos, Isabel dos Santos, António França “Ndalu”, Manuel Helder Vieira Dias “Kopelica”, Fernando Piedade Dias dos Santos, António José Maria, João Martins, Kundi Paihama, Dino Matross, Leopoldino do Nascimento, João Lourenço, Manuel Vicente, João Maria de Sousa? Enfim, a lista de suspeitos parece infindável.

Nos Estados Unidos, entre outros, os jornais New York Times, Los Angels Times, Washinghton Post e várias estações de televisão estão a ser criticadas por Donald Trump por dizerem a verdade. O jornal da Angola do MPLA, especialmente através do seu director, o soprano Victor Silva, continua a ser muitíssimo protegido para defender e perpetuar a mentira, parasitando o Orçamento Geral do Estado.

O advogado de Trump, Rudy Giuliani, tentando disfarçar a embrulhada em que o Donald se meteu, diz que a verdade não é verdade. O soprano do jornal da Angola do MPLA Victor Silva continua a repetir a mentira para que ela pareça verdade.

Em inglês há quem diga ao Rudi: “Man Up” ou “Be a Man”. Em português pode-se aconselhar o soprano do jornal da Angola do MPLA, Victor Silva, a tentar ser um homenzinho, abandonando comportamentos tão infantilmente dependentes e subservientes.

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