Os bolseiros das Forças Armadas de Angola dirigiram uma carta aberta, que reproduzimos, a diversas entidades oficiais, entre as quais o Procurador-Geral da República e o Ministro da Defesa, na qual relatam a forma indigna como estão a ser tratados pelo seu país.

“A s Forças Armadas Angolanas (FAA) foram fundadas a 9 de Outubro de 1991 (27 anos) e sempre estiveram em actividade para a defesa da Pátria. Elas são o resultado da fusão de dois exércitos beligerantes em Angola, na altura da Guerra Fria: as Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), pertencente ao MPLA, e as Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA), pertencentes à UNITA. O exemplo da verdadeira Reconciliação Nacional

Se a memória não nos atraiçoar, em Maio de 2008, BOB GELDOF, o famoso activista e criador do Live Aid e Live 8, foi a Portugal a convite do Banco Espírito Santo (BES) e do jornal Expresso para falar sobre desenvolvimento sustentável. O tema proposto intitulava-se “Fazer a Diferença”.

O músico de origem irlandesa cumpriu: fez a diferença ao insultar os dirigentes angolanos como «criminosos» e não deixou ninguém indiferente. Nessa altura muitas vozes se levantaram em protesto contra tal afirmação e muitos de nós até usamos expressões xenófobas como “ ESSE BRANCO É LOUCO E NÃO SABE O QUE DIZ “.

Passados alguns anos demos razão ao Bob Geldof, por um simples motivo: Enviar filhos de Angola para o exterior em formação e abandoná-los sem subsídios para suprir as necessidades básicas como alimentação e habitação, que tipo de dirigentes afinal temos?

Porque muitos de nós já estamos no extremo e a qualquer momento iremos acabar por morrer porque não é fácil e nem humanamente concebível ficar oito meses sem salários para suprir as nossas necessidades, acabando por passar fome , frio e miséria extrema que está a conduzir-nos à morte e que tem como responsáveis nossos queridos, amados e idolatrados dirigentes, logo sendo responsáveis pela nossa morte não são Santos, se o fossem já teriam resolvido esta questão que está a acabar com a vida dos bolseiros militares (FAA) .

Não entendemos o porquê desta situação crítica, pois ninguém pode viver sem subsídios há mais de oito meses. Afinal somos humanos e filhos de gente humilde. Somos sempre prejudicados em virtude de os filhos e familiares de generais que não sendo membros das FAA, recebem salários superiores aos nossos e beneficiam de vários cartões Visa suportados pelas FAA, que não é demais recordar que estas pessoas recebem subsídios acima de oito mil dólares mês enquanto nós militares recebemos em media 2 mil dólares.

Não é a primeira vez que escrevemos e sempre somos ignorados e não é demais recordar que a área de ensino das FAA tem sido o ninho de uma organização malfeitora e de garimpo aos cofres do Estado, dando bolsas de estudo a pessoas que não têm vínculo com as FAA, e fazem cursos que não têm benefícios para as FAA, mais para agradar a uma cúpula de gente sem patriotismo que só se preocupa em encher o bolso, visto que nesta área, generais e coronéis, os seus filhos e familiares beneficiam de subsídios de bolsa acima de oito mil dólares. Para confirmar isto basta fazer uma auditoria às folhas que são enviadas nas finanças e depois ao Banco Económico.

Se existe patriotismo, que seja feita uma inspecção nos órgãos de finanças, recursos humanos, ensino e no Banco Económico para verificar esta situação onde os generais Mackienze e Tchindombe, coronel Teca, Major Brice, Tenente Perivaldo, Sub-tenente Muinza têm beneficiado e beneficiado os seus familiares com fundos destinados aos bolseiros das FAA.

Não entendemos o porquê de enviar civis como bolseiros das FAA para cursos civis e que em nada serviram as FAA, porque não é missão das FAA conceder bolsas de estudos a civis, porque esta função é do INBE, e por mais que queiram ajudar que sejam bolsas internas que acarretam menos custos, uma vez que muitos quando terminam não regressam e continuam a beneficiar destes subsídios só pelo facto de serem filhos, familiares e amantes de gente grande.

Acreditamos que se queremos umas Forças Armadas fortes temos que apostar em cursos militares que só podem ser feitos em academias militares e não esbanjar dinheiro com civis que são mais de 90% dos gastos com subsídios e muitos fantasmas. Com este dinheiro esbanjado por estes usurpadores dos cofres do Estado daria para construir casernas e estabelecimentos de ensino para engrandecer as FAA.

Se as FAA querem ter respeito e prestigio tanto nacional como internacional não podemos estar a enviar militares para passarem fome e vergonhas no exterior, as FAA devem prender estes criminosos que roubam e nada é feito.”

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