O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) precisa de quase 12 milhões de euros para apoiar as populações no sul de Angola, onde mais de 700 pessoas estão sem acesso a água potável, devido à seca prolongada.

Ainda bem que a Unicef sabe que Angola é um país pobre (é isso não é, presidente João Lourenço?) e que sem essa ajuda externa não será possível salvar muitos dos nossos cidadãos.

Aliás, ainda hoje se ficou a saber que o Governo angolano prevê gastar este ano 19.500 milhões de kwanzas (78 milhões de euros) com a aquisição, pelo Ministério da Defesa Nacional, de helicópteros, embarcações de patrulha, equipamentos de vigilância da costa.

Será, pensa-se, uma forma de diversificar a economia e diminuir o número de pobres, cerca de 20 milhões. É isso não é, presidente João Lourenço?

Esta informação resulta de dados compilados com base na proposta de lei do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2018, em discussão na Assembleia Nacional (do MPLA) até Fevereiro.

Entre os investimentos orçamentados pelo Ministério da Defesa Nacional conta-se a aquisição e equipamento de transporte de seis helicópteros, por 12.159 milhões de kwanzas (48,5 milhões de euros), mas sem avançar dados sobre os fornecedores. Como se sabe, a Defesa é prioritária para preservar a vida desses milhões de pobres que, apesar de tantos anos nessa situação, ainda não aprenderam a viver sem comer.

Soma-se a aquisição de equipamento de vigilância marítima, por 4.231 milhões de kwanzas (17,3 milhões de euros), de embarcações de patrulha da costa, por 2.200 milhões de kwanzas (8,8 milhões de euros), e de radares e outras embarcações, por 1.000 milhões de kwanzas (quatro milhões de euros).

Outro dos grandes projectos do Ministério da Defesa Nacional em 2018 prende-se com a construção e apetrechamento da Academia Naval de Porto Amboim – Kalunga, orçamentada em 1.500 milhões de kwanzas (seis milhões de euros).

De acordo com o mais recente relatório daquela agência das Nações Unidas, o sul de Angola enfrenta uma crise prolongada de malnutrição, decorrente dos “impactos combinados” da crise económica, da falta de chuva e da “deterioração da qualidade dos serviços básicos”.

O documento refere que o acesso à água no sul de Angola “permanece limitado”, com dois terços dos pontos de abastecimento não operacionais, nas áreas afectadas, e mais de 700.000 pessoas a precisarem de água potável”.

Além disso, e embora reconhecendo que a segurança alimentar melhorou recentemente, o mesmo relatório sublinha que “os preços mais elevados restringem o acesso aos alimentos e aumentam o risco de malnutrição para milhares de crianças”.

“Muitas dessas crianças ainda estão a enfrentar os impactos do fenómeno do ‘El Niño’, que deixou 756.000 pessoas a precisarem de assistência alimentar”, lê-se.

A prolongada estiagem no sul de Angola afecta essencialmente as províncias do Cuando Cubango, Cunene, Huíla e Namibe.

O Unicef alerta que a presente estação das chuvas, que se prolonga até Maio, associada a outros fenómenos, “provavelmente dará origem a doenças transmitidas pela água, particularmente a cólera”.

Em articulação com o Governo angolano, o programa do Unicef para 2018 pretende apoiar até 275.000 crianças com menos de cinco anos que sofrem de malnutrição e 43.000 crianças com idades entre os 6 e os 59 meses em estado de malnutrição severa.

O plano de acção do Unicef, para o qual necessita de doações no valor de 14,6 milhões de dólares (11,7 milhões de euros), prevê ainda acções para levar água potável a 125.000 pessoas e acções de sensibilização sobre cuidados de higiene a 470.000 pessoas, além da vacinação de 15.000 crianças.

Inclui igualmente o apoio aos milhares de refugiados da República Democrática do Congo, sobretudo mulheres e crianças, que permanecem na província angolana da Lunda Norte.

“É necessário um financiamento adequado e previsível para apoiar a resposta nacional, que inclui o tratamento da malnutrição severa, (…) a ampliação das intervenções de resposta à saúde, educação e proteção infantil e a assistência vitalícia às crianças e mulheres refugiadas”, aponta o Unicef.

Folha 8 com Lusa

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