Quando falamos dos que nos são queridos não conseguimos marcar distância. O coração tem sempre razões que a razão desconhece e, por isso, falar de Angola torna-se para mim uma alegria e um risco. Alegria porque lá me sinto em casa, um risco porque nunca sou objectivo quando falo deste país e das suas boas gentes.

Por Tony Neves (*)

11 de Novembro faz os angolanos sair à rua. A independência é um direito para todos os povos e, por essa razão, Angola celebra uma liberdade que, até agora, não foi completamente conquistada. O país está a dar passos importantes no caminho da liberdade e da democracia, valores de fundo a que os angolanos nunca tiveram direito.

Novos ventos estão a soprar no país e há uma esperança profunda numa governação que combata a corrupção galopante e as desigualdades sociais sempre gritantes.

Nesta nova era, a comunicação social está mais livre e interveniente, a justiça parece mais independente dos poderes partidários, a economia abre novas possibilidades de desenvolvimento, a educação está a libertar-se das amarras ideológicas que a tornavam frágil e subserviente aos interesses dos poderes instituídos.

Também a Igreja no país vive tempos de mudança. Algumas dioceses mudaram recentemente de pastor. Benguela, a que mais padres deu e dará à Igreja de Angola, tem como novo Bispo Dom António Jaka, um missionário verbita nascido e crescido em Malanje. A sua juventude e criatividade ajudarão Benguela a cimentar-se como diocese viva que é.

Dom Belmiro Chissengueti assumiu, com coragem e grande sentido de diálogo, a diocese de Cabinda, marcada por algumas dificuldades internas após a morte do seu primeiro Bispo, D. Paulino Madeca. D. Belmiro chegou ao enclave com uma vontade enorme de unir e dissipar tensões que os últimos tempos fizeram acumular. Foi bem recebido e creio que está aberto um caminho que levará a Igreja de Cabinda à comunhão, devolvendo-lhe o estatuto de diocese muito influente, como o foi sempre nos últimos 40 anos. É bom recordar que padres de Cabinda chegaram a ser bispos em Luanda, Moxico, Lubango, Huambo e Cabinda!

No planalto central, vai chegar em breve ao Huambo D. Zeca Martins, missionário verbita que está nomeado para dar continuidade ao excelente trabalho desenvolvido pelo actual arcebispo, D. José Queirós Alves.

Estas mudanças nas hierarquias abrem perspectivas novas à Missão da Igreja que, com todos os seu limites, continua a ser a instituição mais relevante do país, com grandes compromissos na educação, saúde, desenvolvimento integral, paz, justiça e respeito pelos direitos humanos.

É bom ainda saber que D. Gabriel Mbilingi, Arcebispo do Lubango, é o actual presidente do Simpósio das Conferências Episcopais de África e Madagáscar(SECAM). A esse título esteve em Roma no Sínodo dos Bispos e é convocado, com frequência, pelo Papa Francisco para ajudar na missão delicada e decisiva de renovar as estruturas da Igreja. É uma enorme honra para Angola.

Felicito os angolanos por mais um ano de vida independente e desejo que o futuro seja marcado por mais justiça, paz, liberdade, democracia, desenvolvimento e respeito pelos direitos humanos.

(*) In http://www.agencia.ecclesia.pt/portal

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