Morreu o meu amigo, Almerindo Jaka Jamba. Subitamente. Não acabou o último poema, tão pouco o último parágrafo do seu livro. O destino, não permitiu, tal como fazer-me acreditar, que o ontem, em que estivemos juntos, discutindo o farfalho da Filosofia grega com a Filosofia Bantu angolana, jamais a repetiremos.

Por William Tonet

Nós não éramos só amigos. Era uma honra, ser aceite, nessa condição; AMIGO, por um homem, qual “oceano” de humildade e saber filosófico, ímpar, se me lhe reconhecia.

São cada vez mais raros, entre nós, os “dinossauros virtuosos” nesta tumultuosa tribo política indígena e, quando te julgavam no esplendor da juventude, eis que o destino nos surpreende com a tua inesperada partida.

Tu, meu kota, eras um “gentleman do Sul”, que irradiavas urbanidade em todos os húmus, do Norte, Nordeste, Leste, Sudoeste, Enclave e Oceano, que ficará órfão.

Não só a tua querida e guerreira família, mas todos aqueles corações que te acolhiam por doares, em primeiro lugar, a cidadania, a tua sanzala, a angolanidade e só no final, se carecesse, a ideologia partidária, que partilhas.

No convívio entre os compatriotas, colocavas em primeiro lugar o facto de seres primeiro local, depois angolano e só no fim de um partido político, o teu: UNITA.

Na nossa tradição Bantu, tu, meu KOTA, que tão bem, nela navegavas, és meu mais velho, logo, nesta hora, vergo-me à grande elevação, moral, ética, política e educativa, que muito invejei e procurei trilhar, com a mesma elevação. Sou incompetente para saber se, alguma vez consegui ou conseguirei, chegar aos teus calcanhares, mas podes ter a certeza, tentei, tento.

Por tudo isso, resisto em acreditar, teres, tão abruptamente, partido, sem nos deixar a última mensagem: VOLTO JÁ!

E quando assim é, tenho a certeza que é um até breve, pois na esquina do reencontro do além, estaremos, podes escrever, nas nuvens divinas, JUNTOS e continuaremos a debater as reformas da administração pública do Estado, nos estúdios da Rádio Despertar, onde estivemos, no mês passado e ainda bebi, mais dados do teu pergaminho.

Assim, nesta “ora di bai”, meu Kota, autóctone angolano de gema, Almerindo Jaka Jamba: Até breve.

TAMOJUNTO.

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