A estória começa assim: Era uma vez um João muito bem domesticado, assimilado pelos patrões da corrupção e, depois de muito ter rastejado, conseguiu finalmente um tacho como Ministro da governação.

Por Domingos Kambunji

Há alguns meses decorreu em Luanda uma enorme palhaçada que alguns defensores do socialismo cleptocrático, como é o caso do João, cognominaram de Congresso do MPLA. Nessa palhaçada o “Querido Líder”, Zédu dos Santos, foi eleito com 99.6% dos votos. Não consta que o João, muito bem domesticado e assimilado pelos patrões da corrupção, fizesse parte dos 0.4% que tentaram criticar esse cortejo carnavalesco.

Passados que foram alguns, não muitos, meses a claque de que faz parte o João quer-nos demonstrar que em Angola tudo o que há de mau foi provocado pelo eleito com 99.6% da grande palhaçada.

Ainda não há muitos meses, no tempo dos 99.6%, um grupo de angolanos quis organizar uma manifestação a favor da defesa da democracia e dos direitos humanos. Essa manifestação foi brutalmente reprimida pelos tutores do João defensor do socialismo cleptocrático.

O João defensor do socialismo cleptocrático “vestiu apressadamente a farda do MPLA, apertou os atacadores do sapatos, afivelou o cinto, para não lhe caírem as calças, e veio numa enorme correria para a rua gritar”, numa crónica publicada no Jornal de Angola, órgão da propaganda oficial do socialismo cleptocrático, apresentando-se como “intelectual” defensor de uma contramanifestação, do tipo das que são organizadas pelo Kim Jong-un da “Correia da Morte”.

Há já alguns anos, jovens adultos, Cassule e Camulingue e Ganga, entre muitos outros, foram assassinados, em obediência às “ordens superiores” dos kapangas do governo apoiado pelo João defensor do socialismo cleptocrático. Passados já vários anos, as famílias desses mártires ainda não foram indemnizadas pelos danos causados pelo grupo dos 99.6 %, do qual o João, defensor do socialismo cleptocrático, faz parte. O João mantém-se calado, demasiadamente surdo e mudo, cobarde e cumplicemente indiferente perante uma tão grande injustiça.

Já há algum tempo, não muito, uma criança pobre, o Rufino António, foi assassinada pelos cangaceiros ao serviço do grupo dos 99.6%, quando revelou uma enorme aflição por estarem a derrubar a casa pobre dos seus pais pobres. Passado tanto tempo os criminosos e os patrões dos criminosos continuam em liberdade sem serem julgados. O João mantém-se calado, demasiadamente surdo e mudo, cobarde e cumplicemente indiferente perante uma tão grande injustiça.

Há algum tempo iniciou-se em Portugal o processo para o julgamento de Manuel Vicente, que demonstra sinais exteriores de riqueza impossíveis de adquirir através de uma remuneração honesta na Sonangol, apenas possíveis através do peculato. O João defensor do socialismo cleptocrático “vestiu apressadamente a farda do MPLA, apertou os atacadores do sapatos, afivelou o cinto, para não lhe caírem as calças, e veio numa enorme correria para a rua gritar”, numa crónica, defendendo que os tribunais angolanos são competentes para julgar o potencial corrupto.

O MPLA andou muito atarefado a rascunhar a Lei da Legalização da Roubalheira dos Grandes Ladrões, no tempo dos 99.6%, pomposamente designada por lei do repatriamento de capitais. O João manteve-se calado, demasiadamente surdo e mudo, cobarde e cúmplice perante uma tão grande injustiça nojenta.

No início desta semana estava planeado o início do julgamento do Rafael Marques, por ter desmascarado o “ex-Porcariador Geral da Reipública” em actividades de corrupção. Essa palhaçada foi adiada. O João defensor do socialismo cleptocrático mantém-se calado, demasiadamente surdo e mudo, cobarde e cumplicemente indiferente perante uma tão grande palhaçada.

Anteriormente a estratégia era diferente, era necessário demonstrar que o João, defensor do socialismo cleptocrático, fazia parte do grupo dos 99.6%. Agora a estratégia é tentar demonstrar que não fez parte do grupo dos 99.6% até ao dia em que o novo “Querido Líder” seja eleito, no próximo Congresso da Palhaçada, com 99.999%.

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