A sociedade civil angolana, representada nos seus diversos estratos, diante da situação grave em que o país se encontra, face à divulgação dos resultados eleitorais, constata e toma a seguinte posição:

“1.Não houve o cumprimento da Lei na fase de contagem, escrutínio, apuramento e divulgação dos resultados pela CNE, pelo que, houve a violação dos articulados 124-136 da LOEG (Lei Orgânica das Eleições Gerais).

2. O facto acima expresso foi confirmado por sete comissários nacionais da CNE.

3. Os partidos da oposição reafirmam, com dados probatórios, a discrepância entre os resultados divulgados ilegalmente pela CNE e as actas provenientes dos locais de votação depositadas nos seus centros de contagens paralelo – documentos fiáveis na expressão da vontade cidadã.

4. Em virtude de haver semelhança entre o percentual anunciado antecipadamente pelo regime, de uma falsa vitória do seu partido, e os anunciados posteriormente pela CNE, é mais uma evidência de que os resultados foram produzidos pela cúpula do MPLA.

5. Estes acontecimentos são consequências previsíveis de acções que inquinaram o processo desde a sua preparação, como sejam, o registo eleitoral conduzido por um árbitro e que ao mesmo tempo é jogador; solução tecnológica e logística sob responsabilidade das empresas INDRA e SINFIC, ambas famosas na fabricação de resultados eleitorais contra a vontade popular.

6. Neste momento crucial e grave da nossa história, propomos a nossa inclusão na recontagem dos votos e divulgação dos resultados, seguindo todos os procedimentos previstos pela lei.

7. Não havendo flexibilidade para a nossa integração na busca de uma solução de um problema criado pelo regime, recomendamos o seguinte:

a) Que a Igreja, em nome da verdade, da doutrina social e do sentido profético do antigo testamento, tome uma posição firme.

b) Que os partidos da oposição se unam para que em conjunto convoquem o povo, a única vítima desta farsa, para que possamos repor a verdade eleitoral com apoio do artigo 47 da Constituição da República de Angola que nos confere o direito à manifestação até a concretização e o respeito da lei.

c) Que os cidadãos saibam que se não tomarmos uma posição alinhada e unida jamais sairemos da neo-escravidão na qual fomos colocados pela tirania que quer manter os seus interesses cleptocráticos instalados.

Luanda, 30 de Agosto de 2017”

Subscrevem esta posição as seguintes organizações e personalidades: Associação Construindo Comunidades (ACC), Associação para o Desenvolvimento da Cultura dos Direitos Humanos (ADCDH), ANO, Friends of Angola (FoA), Movimento Kairós Southern Africa (MKSA), Sedrick de Carvalho, Manuela Serrano, Pedrowski Teca, Pe. Pio Wakussanga, Pe. Gaudêncio Félix Yakuleinge, José Gama, Luiz Araújo, Lubanzadio Bula, Gika Tetembwa, Magno Domingos, Arlete Ganga, Arão Bula Tempo, Benedito Jeremias, Leandro Freire e Domingos da Cruz.

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