Bento Kangamba é a figura principal no universo emepeliano de Angola. É analfabeto (sistémico) mas é general. É o maior cómico da política nacional quando resolve assumir uma postura intelectual. Não é o único, num universo tão vasto de megalómanos cleptómanos a raciocinarem com as cabeças dos pés, emitindo uma variedade enorme de chulés.

Por Domingos Kambunji

Na verdade Angola é um país de kangambas, com muitos kangambas. Na elite do regime são tantos os que, mesmo não parecendo o que ele parece, são de facto o que ele parece e… é.

Em governadores provinciais estamos bem fornecidos de kangambas com coeficientes mentais de créditos completamente falidos.

Um deles, um falcão que se arma em pomba. Não temos a certeza se rui ou se rói. Ele tem a mania que é rei da competência e honestidade. No Lava Jato do Brasil foi desmascarado como rei da falsidade estando envolvido em corrupção, nos cambalachos com os muitos milhões de dólares gastos nas últimas eleições. Ele é um bom exemplo nacional do que é a incoerência total.

Lá mais para Norte há um parolo, o Pombolo, que passa o tempo a fazer figura de tolo. Ele é um dos aprendizes do Feiticeiro de Oz que, por vezes com uma atitude casmurra, quando tenta levantar o tom da voz, zurra. O Pombolo é um dos mais famosos aprendizes na técnica de inaugurar chafarizes.

A Sul, no Cunene, temos o grande governador esclerosado, o grande arquitecto de cacimbas que se chama kundi paiLama. Este é mais um dos generais do JES que raciocina com os pés.

Em Luanda governa um carneiro, general de tresanda. Ele foi o grande fundador da indústria de madeiras preciosas do Kuando Kubango, mundialmente conhecido como o Serrote. O Serrote pensa que implementou uma indústria de madeiras preciosas por saber derrubar árvores e nada mais. Em Angola destruir e subtrair é o grande lema dos generais. Ainda nenhum companheiro partidário lhe disse que indústria da madeira não é derrubar árvores, é, por exemplo, transformá-la em mobiliário.

O kangamba itinerante é o Louvalozédu, especialista nas artes dos disparates. Quando se apresenta em debates leva tanta porrada naquela mona que, depois, até parece ficar em estado de coma.

Um kangamba com a mania de que é intelectual é o José Roubeiro, director do pasquim oficial. Coitado do desgraçado, passa o tempo a mentir e julga que raciocinar é emitir o gás que cheira muito mal, com origem intestinal, que publica frequentemente no pasquim oficial.

Um kangamba que agora está na moda, muito propagandeado pelos serviços de informação oficial, é o João “Malandro” Lourenço, o general. Na campanha eleitoral diz que “o futuro governo do MPLA será honesto e transparente”. Pensa que é original. Revela um baixo coeficiente intelectual este general. Anda muito distraído, porque, nas últimas quatro décadas todos os governos do MPLA demonstraram elevada honestidade e transparência (e muita arrogância). Foram sempre muito honestos e transparentes, nunca tiveram necessidade de fazer a ocultação da corrupção.

É quase infinita a lista dos kangambas que há como dirigentes dos MPLA. Hoje ficamos por aqui, não por falta de tempo ou de espaço, apenas porque descrever este tipo de caricatura da ditadura provoca bastante nojo e algum cansaço.

No MPLA todos o tentam imitar, com pouco sucesso, o kangamba com maior fama na comédia nacional e internacional, o original, o Bento, o general. Até para imitar é necessário pensar e, no universo emepeliano dessa liça, os dirigentes do MPLA revelam uma enorme preguiça.

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