O presidente da UNITA, Isaías Samakuva, anunciou hoje que o partido vai convocar novas manifestações em Angola para contestar “irregularidades” na preparação das eleições gerais de 23 de Agosto se nada for alterado pela Comissão Nacional Eleitoral (CNE).

“S ó queremos testar. Estamos aqui a brincar ou levar as coisas a sério. Se estivermos num país verdadeiramente democrático, então temos de mudar, mas se estivermos num país do ‘pai banana’, como se diz, naturalmente que vamos continuar a ver as violações a acontecerem”, afirmou Samakuva, em declarações à agência Lusa, em Luanda.

O líder da UNITA falava durante uma manifestação convocada pelo partido para contestar a contratação – por adjudicação directa – de duas empresas conotadas com o Governo para a preparação das eleições gerais de Agosto, que o partido apelida de “fraude eleitoral”.

Em causa estão ilegalidades no procedimento contratual de duas empresas, SINFIC, portuguesa mas ligada a capitais angolanos, e INDRA, espanhola, para a elaboração dos cadernos eleitorais e o credenciamento dos agentes eleitorais e o fornecimento de material de votação e da solução tecnológica, respectivamente, e que já participaram nas eleições de 2012.

O protesto, de carácter nacional, juntou em Luanda milhares de pessoas, que marcharam a pé durante cerca de três quilómetros, exigindo eleições livres e justas, levando o presidente da UNITA a afirmar tratar-se de um “dia histórico na luta por uma Angola livre e verdadeiramente democrática”.

“Nós certamente que vamos continuar se aquilo que estamos a exigir agora não for satisfeito. Até obter a reparação das violações que estão a ser cometidas. Se o quadro não for invertido, nós vamos continuar com manifestações”, afirmou o líder do maior partido da oposição.

A UNITA convocou esta manifestação, de carácter nacional, para exigir que a CNE inicie novo processo contratual das empresas para prestar apoio tecnológico às eleições gerais.

Durante o protesto, o partido acusou a CNE (Comissão Nacional Eleitoral, órgão manipulado pelo MPLA) de “prática fraudulenta”, ao ter feito uma adjudicação directa na contratação das duas empresas de forma ilegal, num negócio que ronda os 143 milhões de euros e que, por isso, devia ter sido alvo de concurso público, e que as mesmas empresas tiveram “informação privilegiada”, além de terem já participado “na fraude de 2012 [eleições gerais]”.

“Se as pessoas dizem estar num Estado de Direito, então têm de o mostrar, cumprindo com as leis que, por sinal, eles próprios fizeram”, criticou Isaías Samakuva, que é cabeça-de-lista da UNITA pelo círculo nacional nas eleições de 23 de Agosto, e candidato dessa forma à eleição por via indirecta para o cargo de Presidente da República.

Esta foi uma manifestação que se realizou também em várias províncias do país. O secretário provincial do Huambo da UNITA, Liberty Chiaka, disse que a marcha arrancou às 12:00, da sede do partido para o Largo Saidy Mingas, no centro da cidade do Huambo.

“Tudo correu muito bem, sem nenhum incidente, tivemos mais de 50 mil participantes. Foi uma participação que nos satisfaz e, se houver necessidade de se realizar uma outra a próxima semana, poderá ser mais concorrida”, frisou.

Por sua vez, o secretário do Kuando Kubango, Adriano Sapinhala, assegurou que o acto ocorreu de forma organizada, tendo valido os contactos antecipados, quer com as autoridades quer com a polícia, bem como com o MPLA, partido no poder.

“Até ontem [sexta-feira] tivemos uma concertação, inclusive com o MPLA, exactamente para que se evitassem algumas querelas, já que o MPLA também organizou uma actividade hoje”, explicou.

Segundo o dirigente da UNITA, o número de participantes superou as expectativas, tendo a marcha começado às 13:00, e em quase duas horas percorrido várias artérias da cidade de Menongue, capital do Kuando Kubango, terminando com uma declaração frente à sede do partido.

“Achamos que tanto da nossa parte quanto da parte das autoridades cumpriu-se tudo conforme se tinha estabelecido”, disse o político, ressaltando o papel positivo da Polícia Nacional e das restantes autoridades.

Já o secretário provincial do Cuanza Sul da UNITA, Armando Kakepa, referiu que além dos militantes do partido juntaram-se ao protesto amigos e simpatizantes, tendo o número de participantes superado as expectativas.

“A nossa marcha passou nas principais vias da cidade do Sumbe (capital da província do Cuanza Sul) e terminámos no Largo Comandante Cassange, onde lemos a declaração do partido. Tivemos uma participação de cerca de sete mil pessoas”, salientou.

“A polícia disponibilizou os patrulheiros a partir dos municípios do interior, para escoltarem as nossas caravanas até aqui e vão regressar com elas para as áreas de procedência. Aqui também disponibilizaram efectivos, todas as vias estavam controladas pela polícia”, disse.

F8 com Lusa

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