José Eduardo dos Santos deu um ar da sua graça ao defender no final da semana passada que o seu partido, o MPLA, no exercício do poder político desde 1975, tem o dever de “liderar o combate à corrupção e ao nepotismo no país, males susceptíveis de manchar a imagem do Estado e do Governo angolano”.

Isto disse ele numa demonstração de vitalidade política e adiantamento à oposição digna do seu comprovado maquiavelismo.

De facto, em linguagem “jesiana”, o que ele arengou é um ataque ao anestesiamento dos opositores face ao protagonismo do tipo “candimba” de João Lourenço, resultado da sua surpreendente governação ao longo de pouco mais de dois meses.

De facto, o MPLA, depois de ter sido durante mais de 40 anos um autêntico motor de arranque e promotor de toda a espécie de roubos, lavagem de dinheiro e desvios de fundos dos cofres do Estado em Angola, eis agora que, pela voz do seu presidente, pretende ser expert em matéria de luta contra o nepotismo, lavagem de dinheiro e corrupção, tentando dar aulas aos seus militantes a fim de tirar os louros do combate a esta praga que delapida o erário público!

Como é possível levar a política, essa tão nobre missão, a tão baixo nível de falácia e hipocrisia? E, sobretudo, como é possível acreditar estarem a UNITA, CASA-CE, FNLA e PRS tão sem soluções, permitindo desta forma o ressurgir de JES, ante o mutismo opositor?

No final do ano passado, José Eduardo dos Santos deu consistência ao seu desígnio de abandonar o poder. Cumpriu, foi ele a apresentar-se agora, em Agosto, não como candidato à presidência, mas como número três da lista de candidatos a deputado, o que foi quanto baste para fazer erguer o coro da lambedores das botas do regime em hinos à sua honradez.

«Palavra dada, palavra honrada», clamaram eles aos azimutes! Sejamos realistas, honrada era a minha avó que já morreu! Em política, o “Honrado” está quase sempre nas ruas da amargura, o que não parece ser o caso de JES, cujas amarguras se devem a forças que se ergueram a contrariar a sua pujante ambição (entre outras, a sua má saúde). Ele não sai para honrar palavra nenhuma, sai porque não há alternativa sustentável! E cuidado, ele saiu a dizer, «Estou a vir!»

A imprensa angolana tem vindo ultimamente a citar uma decisão do juiz Gerard Farrara, do Supremo Tribunal das Caraíbas, sediado nas ilhas Virgens Britânicas, de congelar os bens monetários de Isabel dos Santos, confirmando que Isabel dos Santos cometeu “actos fraudulentos e desonestos” na gestão da Unitel, corroborando que grandes somas dessa empresa foram transferidas para outras empresas que são propriedade e controladas por Isabel dos Santos, “sem nenhum benefício discernível para a Unitel.

Para tal, Isabel agiu através da empresa Vidatel, “de maneira desonesta ou fraudulenta, e com um padrão inaceitavelmente baixo de moral comercial”.

Pelo lado das Virgens, tudo OK, a princesa, que vai contestar a decisão, segundo algumas fontes, já terá retirado da Vidatel parte do seu dinheirinho, uns 238 milhões de dólares, para outras operações! Quer dizer, Belinha pagava-se a si mesmo, fugindo ao imposto e debicando nas quotas dos seus associados.

Mais uma borrada no seu currículo, se for verdade, a dar razão ao Prof. Ngola Kiluange, que pretende que a filha primogénita de Dos Santos “seja responsável por estar a criar uma vertente empresarial mais que nociva no que toca à economia, que só a si e aos seus comparsas directos interessa”.

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