ANGOLA. O vice-Presidente de Angola, Manuel Vicente, partiu hoje de Luanda para a Etiópia onde participa na Cimeira da União Africana (UA), que começa na segunda-feira em Adis Abeba, com o país a concorrer a lugares de comissário da organização.

Os 54 países-membros da UA vão procurar eleger, na reunião de dois dias na capital da Etiópia, o sucessor da presidente da Comissão, a sul-africana Nkosazana Dlamini-Zuma, que anunciou que não se candidataria a um segundo mandato.

Angola lançou nos últimos dias uma forte campanha diplomática, durante a preparação da Cimeira, para apoio aos dois candidatos que apresenta aos cargos de comissários da organização para os Assuntos Políticos, Tete António, e para o Comércio Rural e Agricultura, Josefa Sacko, processo que tem sido liderado pelo ministro das Relações Exteriores angolano, Georges Chikoti.

Tete António é actualmente representante da União Africana junto das Nações Unidas, enquanto Josefa Sacko chegou a ser secretária-geral da Organização Inter-Africana do Café.

A eleição do presidente da Comissão, prevista para Julho do ano passado, falhou, quando nenhum dos três candidatos conseguiu reunir os dois terços necessários de votos, tendo ficado adiada a escolha para Janeiro.

Entretanto, Specioza Wandira Kazibwe, antiga vice-Presidente do Uganda, que era considerada a favorita na corrida, desistiu da candidatura, mantendo-se a ministra dos Negócios Estrangeiros do Botsuana, Pelonomi Venson-Moitoi, e Agapito Mba Mokuy, chefe da diplomacia da Guiné Equatorial – país que aderiu à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em 2014.

Desde então, juntaram-se mais três candidatos: Moussa Faki, ministro dos Negócios Estrangeiros e antigo primeiro-ministro do Chade; a chefe da diplomacia do Quénia, Amina Mohamed, e o representante especial das Nações Unidas Abdoulaye Bathily, do Senegal.

Um dos temas que estará em cima da mesa é a possibilidade de reintegração de Marrocos – uma intenção já assumida pelo rei marroquino, Mohammed VI -, país que abandonou a UA em 1984 em protesto pela admissão da República Árabe Saarauí Democrática (RASD), proclamada pela Frente Polisário.

O reino de Marrocos, que considera esta ex-colónia espanhola anexada em 1975 (tal como aconteceu com Angola em relação a Cabinda) como parte do seu território, propõe uma ampla autonomia para o território mas sob a sua soberania.

A pretensão de Marrocos de regressar à organização pan-africana deverá enfrentar a oposição da Argélia e da África do Sul, apoiantes da Frente Polisário, e levanta a questão de se a RASD sairá da UA, com a entrada de Rabat.

F8 com Lusa

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