O ministro dos Negócios Estrangeiros português, Augusto Santos Silva, visita Angola entre 10 e 12 de Fevereiro, prevendo-se que do seu programa constem deslocações a províncias, além da capital, disse hoje fonte diplomática portuguesa. António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa também estão na calha. Sua majestade o rei agradece.

A visita a Angola do chefe da diplomacia portuguesa chegou a estar prevista para Dezembro, tendo Augusto Santos Silva anunciado em Novembro querer aproveitar a viagem para abordar a diversificar da relação económica entre os dois países.

Aliás, quanto mais perto for de Agosto melhor será para a imagem, neste caso interna, do regime que domina o país há 41 anos e que há 37 anos tem no comando o mesmo homem, José Eduardo dos Santos.

“Estão previstos encontros ao mais alto nível e fazemos questão – quer eu, quer o meu colega ministro das Relações Exteriores de Angola, Georges Chikoti – que a visita não se fique por Luanda mas que haja também a visita a províncias angolanas”, disse à Lusa, a 10 de Novembro, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal.

Os ministros portugueses da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, e do Ambiente, João Matos Fernandes, estão esta semana em visita a Angola, com programas relacionados com o reforço da cooperação, nas duas áreas, entre Portugal e Angola.

Antes, em Julho, foi a vez do ministro da Agricultura, Luís Capoulas Santos, visitar Angola, tendo então proposto uma agenda bilateral renovada para o sector agrícola.

Já em Outubro, em Luanda, a secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Teresa Ribeiro, anunciou a intenção de os governos de Portugal e de Angola de reforçar e “dar substância” à agenda bilateral e assim preparar as próximas visitas de governantes, ao mais alto nível, continuando em cima da mesa a realização de uma cimeira.

“Vamos construir uma agenda que seja substantiva e que vá influenciar os próximos passos que nós dermos em matéria de cimeiras, de visitas entre os dois países. Criar substância”, enfatizou a governante portuguesa.

O objectivo é “preparar um trabalho sólido”, disse na altura, para as planeadas visitas a Angola do ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, do primeiro-ministro, António Costa, e do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.

O chefe da diplomacia angolana, Georges Chikoti, anunciou em Março de 2016 que o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, vai visitar oficialmente Angola, em datas que serão tratadas pela via diplomática.

Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa são, reconheça-se, os políticos indicados para não só cimentarem como também alargarem as relações com o regime. Ambos sabem que – do ponto de vista oficial – Angola ainda é o MPLA, e que o MPLA ainda é Angola. Portanto… Siga a fanfarra.

Angola é o país lusófono com a maior taxa de mortalidade infantil e materna e de gravidez na adolescência, segundo as Nações Unidas. Mas o que é que isso importa a Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa? Importante é saber de facto que a filha do presidente (nunca eleito nominalmente e no poder desde 1979) soma e segue, mesmo quando se sabe que o regime é um dos mais corruptos do mundo. Ou será por isso mesmo?

Aliás, muitos dos angolanos (20 milhões) que vivem na pobreza e que raramente sabem o que é uma refeição, poderão certamente alimentar-se com o facto de a filha do presidente vitalício ser também dona dos antigos colonizadores, para além de assistirem ao beija-mão de Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa ao “querido líder”.

Os pobres em Angola estão todos os dias a aumentar e a diminuir. Aumentam porque o desemprego aumenta, diminuem porque vão morrendo. Mas a verdade é que esses angolanos não contam para Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, tal como não contam para António Guterres que cá veio pedir a bênção do “escolhido de Deus” para chegar a secretário-geral da ONU.

Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa sabem que o presidente angolano está no poder desde 1979 sem ter sido nominalmente eleito. Mas isso pouco ou nada importa… pelo menos por enquanto.

É claro que, segundo a bitola de Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa, há bons e maus ditadores. Muammar Kadhafi passou a ser mau e Eduardo dos Santos continua a ser bom. E que mais podem querer os bajuladores que enxameiam os areópagos políticos de Lisboa?

Portugal continua de cócoras perante o regime de Luanda, tal como estava em relação a Muammar Kadhafi que, citando José Sócrates, era “um líder carismático”. Talvez um dia Portugal chegue à conclusão que, afinal, Eduardo dos Santos também é um ditador.

Será que alguém vai perguntar a Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa o que pensam desse eufemismo a que se chama democracia em Angola?

Certo será que, nesta matéria, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa (líder de um partido que é irmão do MPLA na Internacional Socialista) continuam a pensar da mesma forma que Cavaco Silva, José Sócrates, Passos Coelho ou Paulo Portas, para quem Angola nunca esteve tão bem, mesmo tendo 70% dos angolanos na miséria.

De facto, como há já alguns anos dizia Rafael Marques, os portugueses só estão mal informados porque querem, ou porque têm interesses eventualmente legítimos mas pouco ortodoxos e muito menos humanitários. Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa não escapam à regra.

Custa a crer, mas é verdade que os políticos portugueses (há, é claro, excepções) fazem um esforço tremendo (se calhar bem remunerado) para procurar legitimar o que se passa de mais errado com as autoridades angolanas, as tais que estão no poder desde 1975.

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