As autoridades de Angola de hoje, copiando o que fariam as de ontem, asseguraram que o primeiro satélite angolano, lançado terça-feira, está sob controlo, ao contrário de notícias divulgadas hoje indicando que a Rússia havia perdido o contacto com o aparelho. Ou seja, o Governo desmente o que não foi dito e, involuntariamente, confirma o que foi dito.

Nenhuma notícia, como se pode verificar abundantemente (aqui no Folha 8 por exemplo), diz que as autoridades russas perderam o controlo sobre o satélite. Quanto a perder o contacto, o que é – pensamos – diferente de perder o controlo, a própria Corporação Estatal de Actividades Espaciais Roscosmos, órgão governamental responsável pelo programa de ciência espacial e pesquisa geral aeroespacial da Rússia, confirma essa “dificuldade”, afirmando que “tudo indica que será um problema transitório”.

Em declarações hoje aos jornalistas no final do Conselho de Ministros, o secretário de Estado para as Tecnologias de Informação, Manuel Homem, rejeitou que existam problemas nos contactos com o satélite, cumprindo-se o que estava previsto.

Manuel Homem mostrou, claramente, que não sabia do que falava e, como habitual, não falava do que sabia. O que estava previsto era que o Angosat, depois de entrar em órbita, começasse a transmitir dados. E isso não aconteceu, o que levou os técnicos a falar de perda da telemetria.

Segundo notícias divulgadas hoje, a Rússia perdeu o contacto com o primeiro satélite angolano de telecomunicações Angosat, lançado terça-feira do cosmódromo de Baikonur no Cazaquistão.

“O contacto cessou temporariamente, perdemos a telemetria”, indicou fonte do cosmódromo à agência France Presse, dizendo esperar restabelecer o contacto com o satélite.

O secretário de Estado para as Tecnologias de Informação perdeu igualmente a “telemetria” do MPLA/Governo, esquecendo-se que não estava a, supostamente, desmentir a KCNA (Korean Central News Agency) mas sim a France Presse.

Ora, segundo o governante angolano, o que “aconteceu é que de facto o lançamento do satélite ocorreu ontem (terça-feira). O satélite fez o seu percurso normal, está na órbita para o qual foi planificado” e “temos sob controlo o satélite”, disse Manuel Homem, citado pela agência noticiosa angolana Angop, infelizmente ainda uma versão (apesar de tudo de melhor qualidade) da KCNA.

Manuel Homem remeteu para mais tarde mais informações oficiais sobre o estado do aparelho. Como? Estado do satélite? Então se está tudo normal e como previsto, o que haverá a dizer sobre o estado do Angosat?

O Angosat representa um investimento do Estado angolano de 320 milhões de dólares (269,6 milhões de euros) e o seu lançamento foi comemorado em Luanda com fogo-de-artifício.

Angola tornou-se assim no sétimo país africano, ao lado da Argélia, África do Sul, Egipto, Marrocos, Nigéria e Tunísia, com um satélite de comunicações em órbita.

O aparelho, construído por um consórcio estatal russo, foi lançado com recurso ao foguete ucraniano Zenit-3SLB, envolvendo ainda a Roscosmo, empresa espacial estatal da Rússia, e estará em período de teste até Março, aproximadamente.

Na semana, passada, o ministro das Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha, disse que 40% da capacidade comercial do satélite já está reservada e que o Estado angolano estima a recuperação do investimento em pelo menos dois anos.

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