A UNITA vai pedir uma comissão de inquérito urgente aos incidentes ocorridos na quarta-feira na província de Benguela, que terão terminado com três militantes mortos, quatro ainda desaparecidos e ameaças a três deputados do maior partido da oposição angolana. A CASA-CE já “condenou com a mais viva veemência, mais este acto bárbaro e de manifesta intolerância de elementos afectos ao MPLA”.

A informação foi avançada pelo líder da bancada parlamentar da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, um dos três deputados que, segundo o próprio relatou, terão sido alvo, juntamente com outros militantes, de “emboscadas” e “ataques” alegadamente perpetradas por “apoiantes” do MPLA, partido no podesde desde 1975, durante uma visita de trabalho à comuna de Capupa, no município do Cubal.

“É uma zona ciclicamente de muita intolerância política e onde nunca houve responsabilização deste tipo de acção. Mas o que aconteceu connosco não foi intolerância política e sim um ataque para matar”, denunciou o deputado, um dos visados.

Os confrontos, entre ameaças e ataques, aconteceram, segundo a UNITA, sobretudo entre as 16:00 e as 22:00 de quarta-feira, naquela aldeia, numa zona praticamente sem comunicações.

“Temos três mortos, quatro desaparecidos, que foram vistos sendo arrastados para o milheiral que ali havia, muito provavelmente não estarão vivos, e mais três feridos. São dirigentes da UNITA. A polícia [que acompanhava a delegação dos deputados do partido] também diz que tem um agente desaparecido e outro ferido”, explicou já esta manhã o deputado e líder parlamentar.

Segundo Adalberto da Costa Júnior, umas das vítimas mortais, com cerca de 55 anos, era um tenente-coronel na reserva e quadro superior da UNITA na província de Benguela, que terá sido alvo de “violentas agressões” na cabeça.

Os ataques à comitiva e militantes da UNITA, disse ainda, terão envolvido, além de agressões e destruição de casas e viaturas de apoiantes do partido do “galo negro” durante o dia, “várias emboscadas num perímetro de oito a dez quilómetros”. Inclusive com “árvores cortadas no meio da estrada para parar as viaturas” e a utilização de flechas, porretes, catanas e paus.

“Tivemos sorte, só não tive danos físicos porque as pessoas que estavam a fazer a nossa segurança agiram muito rapidamente e com uma protecção extraordinária. Naturalmente foi preciso usar armas para se tirar as pessoas da zona”, relatou.

A UNITA associa “sem dúvidas” o ataque a apoiantes do MPLA, nomeadamente pela utilização de bandeiras daquele partido e pelo historial deste tipo de acções.

“Esperamos uma comissão de inquérito ao que aconteceu transparente e urgente. É o mínimo quando se vê um servidor do povo a ser atacado numa visita parlamentar com a presença da polícia, é qualquer coisa de inacreditável”, disse ainda.

A UNITA queixa-se de mais de uma centena de mortos entre dirigentes do partido por acções de “intolerância política” desde o fim da guerra civil, em 2002, e “sem qualquer tipo de responsabilização”.

Posição da CASA-CE

Entretanto, o Secretariado Executivo Nacional da CASA-CE, “ao tomar conhecimento dos incidentes ocorridos na Província de Benguela, contra uma caravana de Deputados da UNITA, dirigida por Adalberto da Costa Júnior, Presidente do seu Grupo Parlamentar, condena com a mais viva veemência, mais este acto bárbaro e de manifesta intolerância de elementos afectos ao MPLA, protagonizado por responsáveis do Comité Municipal do Cubal, mais propriamente da Comuna da Capupa, chefiados pelo Soba e seus acólitos, tendo provocado a morte do Inspector Provincial da UNITA, Fernando Sachopa, o ferimento grave de 4 militantes e outros desaparecidos”.

Para além de endereçar à família do malogrado Francisco Sachopa, “os seus mais sentidos pêsames e neste funesto e condenável momento, solidariza-se com a direcção da UNITA, pela perda de um dos seus membros, que em missão de paz, em tempo de paz, viu a sua vida ceifada de modo cobarde e primitivo”.

“O Secretariado Executivo Nacional da CASA-CE, inconformado com a crescente onda de intolerância politica que graça um pouco por todo o País impunemente, insta os órgãos da Administração da Justiça, mormente a PGR, a assumirem as suas funções de guardiães da legalidade democrática, a porem cobro a esta política de impunidade recorrente, que tende a encorajar os criminosos a tais práticas”, diz o comunicado da CASA-CE.

A CASA-CE realça que “o incidente do dia 25 de Maio, coincidentemente Dia de África, registado na Capupa – Cubal é só mais um dos muitos factos repugnantes, que têm passado impune e sobre o olhar silencioso e cúmplice das autoridades competentes”, perguntando: “Se os deputados soberanamente mandatados, em missão parlamentar são atacados, o que se reserva a outros homens e mulheres que por livre opção e em sã consciência, se têm envolvido em actividades políticas ou actividades cívicas?”

Assim, a CASA-CE alerta a “opinião pública nacional e internacional a olharem para mais este acto bárbaro como um sinal de regressão efectiva, quanto aos ganhos já alcançados, e, a denunciarem os mesmos por forma a evitar-se qualquer derrapagem no processo de paz tão dificilmente alcançada, lembrando que Angola nosso torrão sagrado, já foi mergulhado num longo banho de sangue, por via destas práticas, de 1975 a Abril de 2002”, concluindo que “não precisamos de repetir a História sangrenta, no interesse dos que se pretendem eternos no poder.”

Foto: Arquivo

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