Sua majestade o rei de Angola disse hoje que o país está a ser gerido “num ambiente extremamente complicado”, devido à falta de divisas, causado pela baixa do preço do petróleo, e pediu compreensão para a situação que se vive. Compreensão? Claro que sim. De barriga vazia, mas sempre compreensivos.

José Eduardo dos Santos procedia hoje à abertura da reunião da Comissão Económica e da Economia Real do Conselho de Ministros, realizada no Luena, capital da província do Moxico.

O chefe de Estado, também presidente do MPLA e Titular do Poder Executivo, lembrou que o Orçamento Geral do Estado (OGE) para este ano foi calculado na base dos 45 dólares o barril do petróleo, a sua principal fonte de receitas mau grado há décadas se falar da urgência da diversificação económica, mas em Fevereiro o preço baixou até 28 dólares.

“Com este nível de preços, a Sonangol ficou sem condições de garantir os recursos para o OGE”, explicou José Eduardo dos Santos, especificando que “desde Janeiro o Governo deixou de receber receitas da Sonangol porque ela não está em condições de o fazer”.

O Presidente acrescentou que as importações foram igualmente afectadas pela crise financeira e económica que Angola regista, diminuídas que estão as receitas arrecadas com os serviços aduaneiros.

“O nosso país vive de importações praticamente, para bens alimentares, para matérias-primas, para a produção nacional, isto é, para a indústria, a agricultura, materiais diversos para a construção, pagamento de especialistas estrangeiros, então deixamos de ter praticamente essa capacidade de importação”, disse o Presidente nunca nominalmente eleito e que está no cargo desde 1979.

“Isto significa que o crescimento da nossa economia diminuiu drasticamente, há quem diga que agora deve estar entre um a dois por cento, quando já estava em cinco a seis por cento”, frisou.

A diversificação da economia é apresentada agora, depois de 40 anos de independência e de 14 de paz total, como a estratégia traçada pelo Governo angolano, salientou José Eduardo dos Santos, pelo que aumentar a produção interna e reduzir as importações é a actual meta.

A província do Moxico, segundo o chefe de Estado, pode contribuir com a produção e exportação da madeira, bem como com incentivos à produção agrícola, nomeadamente o arroz.

“Para tal, será necessário mobilizar empresários capazes, financiamentos, mas isso é possível fazer-se. Podíamos exportar o mel, produz-se aqui bastante mel, podemos produzir mais arroz, porque, de acordo com os dados históricos que temos, esta província já produziu, só da produção realizada pela agricultura familiar, mais de 60 mil toneladas de arroz por ano, na década de 60 e 70, agora está longe dessa cifra na produção actual”, destacou.

Angola vive uma crise financeira, económica e cambial, decorrente da péssima governação desde a independência e agora mais visível devido à forte quebra da cotação internacional do barril de crude, que motivou uma descida para menos de metade nas receitas fiscais com a exportação de petróleo em 2015, e por consequência na entrada de divisas no país, condicionando toda a actividade económica.

Folha 8 com Lusa

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