Foi notória a forma ligeira e pretensiosa como alguma imprensa estatal, cujo profissionalismo está bem patente nas lixeiras de Luanda, useira e vezeira em desejar desgraça em casa alheia, saiu à rua para lançar louvaminhas à volta de um programa de resgate económico monitorado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), organização de que Angola é membro de pleno direito.

Por Orlando Castro

Cá dentro, a imprensa canina de sua majestade o rei José Eduardo dos Santos foi desmentida com o anúncio de que persistir nos erros típicos do regime pode originar a bancarrota. As finanças públicas não existem mais, segundo o porta-voz da UNITA, que é, para desgraça do regime, membro da Assembleia Nacional, um órgão que deveria ser de soberania e que deveria (se o MPLA deixasse) merecer todo o nosso respeito.

O dirigente da UNITA, que é deputado, preferiu deixar o hemiciclo onde a canina maioria põe e dispõe, para na praça pública fazer coro com os “amigos da verdade”. Preferiu, e bem, a praça pública para dar eco e amplificar em vários milhares de decibéis as vozes que criticam os sipaios bajuladores de sua majestade o rei.

Completamente consciente e certeiro, o porta-voz do maior partido da oposição, Alcides Sakala, não se esqueceu de referir que o “pedido de ajuda” ao Fundo Monetário Internacional (FMI) “reflecte desespero” do Governo de sua majestade o rei, que deixou de merecer a confiança da comunidade internacional. Sendo certo que há muito perdeu a dos próprios angolanos.

Não fosse a UNITA, felizmente useira e vezeira em discursos assertivos e certeiros, com uma válida sustentação técnica, dir-se-ia que o reino perdera completamente o Norte e agora confunde – com razão – Angola com a Coreia do Norte.

O porta-voz da UNITA, reflectindo o sentimento nacional e internacional, referiu também – com visível azia dos acéfalos de sua majestade o rei – que a comunidade internacional “agora pensa duas vezes antes de se engajar com o Governo angolano”.

Agastados, os luvualus de sua majestade o rei vieram a terreiro contrariar o que Alcides Sakala disse. Temem que a incompetência criminosa do regime nos leve para uma desgraça tal que os sipaios do MPLA sejam obrigados a trocar os modernos carros a gasóleo por carroças movidas por bois, ou até que muitos deles tenham de regressar ao seu meio ambiente, nuns casos as latrinas do reino, noutros as copas das árvores.

Mesmo com o não esclarecimento do ministro das Finanças de que não se trata de um plano de resgate económico, embora todos saibamos que é um resgate, o porta-voz do maior partido da oposição preferiu, e bem, dar ouvidos à voz da razão e não se deixar cair no ridículo que está no ADN dos luvualus de sua majestade o rei. Para gente que pensa antes de abrir a boca para dizer verdades, ficou claro que as negociações do Governo com o FMI visam um resgate.

A negociação a ser estabelecida com o Fundo Monetário Internacional, a meio deste mês, tem como base o pedido de um programa de resgate económico, de assistência financeira, tendo também a variante da assistência técnica que o reino de sua majestade solicita enquanto país membro de pleno direito da instituição.

A economia do reino, segundo os luvualus do regime, continua sólida, apesar da actual crise financeira que o mundo vive. Prova disso está – dizem – o facto de Angola ter sido graduada como país de rendimento médio, o que permitiu o seu acesso a degraus na relação financeira internacional e no conjunto de parceiros de desenvolvimento, como o Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento e a Agência de Desenvolvimento do Japão.

Bem como na liderança do ranking da corrupção…

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