A UNITA instou hoje o Governo angolano a trabalhar intensamente com parceiros nacionais e internacionais para corrigir o que diz serem as graves distorções no combate à epidemia de febre-amarela.

Em nota de imprensa, o maior partido da oposição angolana apelou ainda às autoridades governamentais para adoptarem urgentemente acções que resguardem o sector da saúde da crise económica que Angola enfrenta actualmente, decorrente da baixa do preço do barril do petróleo.

A UNITA pede que sejam alocados atempadamente os recursos financeiros e outros necessários para a prossecução dos diversos programas em curso e a serem delineados em virtude da presente situação crítica.

Numa análise ao estado da saúde em Angola, a UNITA deplorou o que considerou a “catastrófica degradação da situação sanitária a que se assiste no país”.

Para a UNITA, o surto de febre-amarela é o “corolário da falência do sistema sanitário do país em relação ao qual o executivo tem respondido com tibieza, com medidas pouco articuladas e com falhas gritantes no que diz respeito à comunicação, aspecto fundamental para assegurar a adesão das populações e o êxito das acções a empreender”.

De acordo com a análise do partido de Isaías Samakuva, a campanha de vacinação, particularmente, tem sido pautada por uma estrondosa desorganização, que leva a que nos postos de vacinação ocorram filas enormes onde as pessoas, na sua maioria mulheres e crianças, passam horas a fio, muitas vezes sob sol intenso ou mesmo chuva.

“As falhas de comunicação têm impedido que sejam suficientemente divulgados os locais de vacinação e os alvos a vacinar”, refere o comunicado, acrescentando que consequentemente muitas pessoas têm percorrido distâncias enormes em busca de postos de vacinação.

A UNITA considera que as medidas de controlo do surto de febre-amarela, que totaliza já 693 e 119 óbitos, desde o início da epidemia, em Dezembro de 2015, não se devem circunscrever à campanha de vacinação, mas também a outras medidas como a melhoria do sistema de informação, que permita uma notificação célere dos casos e, mais importante, um conjunto de acções individuais e colectivas, tendentes a combater o vector da doença.

“Quaisquer destas acções precisam estar acopladas a uma campanha dirigida, intensificada de informação, comunicação e educação para a saúde, a fim de promover a participação consciente das populações e das comunidades”, exemplificou a UNITA.

Foto: Joaquina Bento/Angop

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