O Presidente angolano disse hoje que o inquérito do Ministério do Interior aos incidentes mortais envolvendo deputados da oposição, em Benguela, duramente criticado pela UNITA, responsabilizada nessas conclusões, vai ser “aprofundado”.

José Eduardo dos Santos falava em Luanda, enquanto presidente do MPLA, na abertura da quarta reunião extraordinária do Comité Central do partido, destinada a preparar o congresso electivo de Agosto próximo, tendo-se referido directamente aos confrontos, que em maio provocaram três mortos.

“Lamentamos os incidentes verificados no Cubal, província de Benguela, entre militantes da UNITA e do MPLA. As entidades competentes da polícia e do Ministério do Interior estão a tomar providências e informaram-me que estão a aprofundar o inquérito para determinar correctamente o que se passou”, anunciou José Eduardo dos Santos.

“Tudo deve ser feito para evitar que situações como estas voltem a acontecer. Ninguém deve fazer justiça por mão própria. Os cidadãos e pessoas colectivas, partidos políticos ou associações devem recorrer às autoridade quando alguém tentar violar ou violar de facto os seus direitos”, exortou.

“Nas próximas eleições, a todos os níveis, deveremos aprofundar o carácter autocrítico de algumas das nossas intervenções, atitudes e conclusões, para corrigirmos as nossas insuficiências, sobretudo no que diz respeito à observância dos valores imorais, éticos e cívicos”, disse, numa mensagem para o interior do partido.

A UNITA exortou terça-feira o Ministério do Interior de Angola a esclarecer porque é que “está a proteger milícias” ilegais que “realizam ataques contra deputados”.

A posição surge na sequência do resultado de um inquérito do Ministério do Interior apresentado segunda-feira, em Luanda, sobre um incidente ocorrido na localidade de Cambundo, comuna de Capupa, município do Cubal, província de Benguela, no mês passado, que envolveu uma delegação parlamentar da UNITA e militantes do MPLA, partido no poder, que terminou com três mortos e seis feridos.

Em conferência de imprensa, o líder da bancada parlamentar da UNITA, Adalberto da Costa Júnior, levantou várias questões sobre o inquérito, entre as quais “a quem o Ministério do Interior está a querer proteger”.

O inquérito responsabilizou militantes da UNITA pelos incidentes mortais, ao realizarem disparos de armas de fogo, “retiradas indevidamente” à polícia.

Na base dos tumultos, concluiu ainda o referido inquérito, esteve a retirada de duas bandeiras do MPLA, que a UNITA alega que estavam colocadas na residência de um militante do partido.

Adalberto da Costa Júnior manifestou indignação pelo facto de terem sido remetidos à Procuradoria-Geral da República “um processo-crime aos autores dos disparos que causaram a morte de dois cidadãos e nada remeteram contra quem atacou deputados e provocou a morte de outro cidadão”.

O líder da bancada parlamentar da UNITA disse que com o resultado do inquérito apresentado, “ficou claro que o Ministério do Interior autoriza assassinar cidadãos quando em causa está a retirada de bandeiras”.

A UNITA considera que o Ministério do Interior “alterou intencionalmente toda a dinâmica dos factos”, lançando um apelo para que se ponha fim à “impunidade e levem aos tribunais os inúmeros autores de vários crimes naquela região”.

Para o maior partido da oposição angolana, “a protecção aos criminosos é um forte incentivo à realização de novos crimes”.

A UNITA denunciou anteriormente que na origem do caso estiveram elementos alegadamente afectos ao MPLA, dizendo por isso ter-se tratado de um caso de intolerância política.

Fonte: Lusa

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