Os angolanos precisam urgentemente de um virar de página, (ainda) capaz de os salvar da hecatombe para onde estão a ser lançados pelo “ancien regime”.

Por William Tonet

Angola tem potencialidades e riquezas naturais, capazes de fazerem feliz cada um dos seus habitantes, mas a incompetência governativa, ao longo dos 40 anos de independência, tem-nos, materialmente, empobrecido, muito pela falta de políticos fortes e líderes não corruptos.

É este quadro dantesco que, depois de se ouvir o barroco discurso do presidente da República, José Eduardo dos Santos, no Moxico, falar do comboio, nas actuais condições de investimento, um investimento absurdo, quando as pessoas querem saber da comida, dos medicamentos, dos salários e como sair da maior das crises económicas, sociais, sanitárias e financeiras, denota o seu descaso para com o sofrimento popular e um crasso irrealismo político.

Não se pode falar de comboio, mel e arroz, quando não se estimula a cidadania, para além do cordão umbilical do MPLA. E é a insistência nesta mediocridade política, que apela ao emergir de um verdadeiro “nacionalismo – pátrio”, sem chauvinismo, nem populismo, interpretado por um novo líder, não importando se das entranhas do poder ou da oposição, mas capaz de medir o real sentir e pulsar do país e das populações.

Por muito que tente adoptar engenharias de blindagem monárquica, conferindo o controlo económico da riqueza nacional aos filhos e familiares, e mesmo o político, conferindo-lhes assento no Comité Central do MPLA, o destino final – estribado no que não fez e no que deixou fazer – do presidente Eduardo dos Santos está traçado: DITADOR.

Não tenhamos medo das palavras. Quem prende jovens e os condena injustamente, como os 15+2, por estarem a ler um livro, não é um democrata, mas um ditador, que coloca em cheque o seu verdadeiro papel na luta de libertação. Afinal, não visavam construir um novo país, mas tornarem-se neocolonialistas, delapidadores e proprietários corruptos, há 37 anos no poder.

Daí que quando muitos esperavam uma “mea-culpa”, na reunião do Conselho de Ministros, realizada no Luena, por parte de Eduardo dos Santos, face à danosa e dolosa gestão económica do país, assumindo as devidas responsabilidades, este, preferiu distribuir culpas aos demais, que são auxiliares, colocando-se, como sempre, no pedestal de eterno inocente.

Por isso, reputados políticos, intelectuais e cidadãos o tenham considerado irresponsável, para além de ser um total desrespeito e abuso a paciência dos povos, face às dificuldades que lhe vêem sendo impostas, principalmente, os do interior. Quando um dirigente se converte em líder de crises, agindo como se fosse impoluto, poderá esgotar a paciência popular e estimular radicais, como aconteceu com outros ditadores, que chegaram a realizar eleições, com 100% de votos, mas saíram do poder a correr…

Seria pois inteligente, antes do radicalismo assentar poeira, no reino, a opção de estabelecer com todas as forças vivas do país, um “Pacto de Regime”, para balizar as tensões presentes e futuras. É um imperativo patriótico. E por mais que a clique bajuladora, com controlo da comunicação social pública, das Finanças, das tropas castrenses e do partido no poder tentem branquear o reinado, Eduardo dos Santos, hoje, é um sério problema; um cancro maligno para Angola, incapaz, mesmo com a entrega da Sonangol à filha Isabel dos Santos, e o Fundo Soberano do Petróleo, ao filho, Filomeno dos Santos, de inverter a situação e ser a solução, para a saída da crise.

A história diz: Quanto mais se adia uma saída (que pode ser menos dolorosa), mais se acirram os recalcamentos e sentimentos de vingança, por parte dos discriminados. E isso, no caso angolano, ainda pode ser evitado, se houver uma visão pragmática, capaz de despoletar negociações com base na humildade, modéstia, honestidade e patriotismo das partes. Isto é, de quem afundou o país e de quem poder vir a ser uma futura solução.

É uma opção ousada, arriscada, e que custa crer ser capaz de sair de José Eduardo dos Santos que se acha o rei e dono disto tudo, mas para bem geral, da estabilidade e futuro do país, outra opção não resta, mais pacífica, capaz de garantir uma retirada da vida política e vivência tranquila no país, sem eventuais temores de julgamentos em Haia.

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