Angola ultrapassou no terceiro trimestre de 2015 os 3,5 milhões de habitantes com acesso a abastecimento de água em áreas rurais, segundo dados do Ministério da Energia e Águas.

O Programa Água para Todos (PAT), inserido no projecto estruturante deste sector, no quadro da implementação do Programa Nacional de Desenvolvimento do Executivo angolano, tem como meta abranger 80% da população rural, de acordo com declarações do ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges.

O governante fez estas declarações no final de uma Sessão Ordinária Conjunta das Comissões Económica e para a Economia Real do Conselho de Ministros, orientada pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

O encontro procedeu à apreciação do Relatório de progresso sobre a evolução e execução dos projectos estruturantes do sector da energia e águas, no quadro da implementação do Programa Nacional de Desenvolvimento 2013-2017.

De acordo com João Baptista Borges, este projecto vai permitir que a população que vive nas áreas rurais possa ter acesso à água potável, facilitando assim o seu consumo por perto de quatro milhões e meio de pessoas.

O ministro disse também que actualmente o que se pode constatar é que o programa Água para Todos tem uma execução de 63.6% e que até 2017 poderá ser concluído.

O cumprimento deste projecto implica, disse o ministro, ainda medidas de reforço do investimento que está a ser realizado com medidas de articulação com os órgãos do poder local que neste momento garantem os investimentos nas execuções de furos e pequenos sistemas de águas em cada província.

Entretanto, de acordo com o mais recente relatório do, a área rural coberta com abastecimento de água aumentou em 87.846 pessoas com as obras que entraram em funcionamento em todo o país entre Julho e Setembro.

Segundo os dados oficiais de Setembro, 3.536.451 habitantes em zonas rurais tinham acesso a água, de uma meta estipulada em 5.113.265 pessoas a servir até 2017.

Tendo em conta estes números, a população angolana que vive em áreas rurais está estimada pelo Governo em quase 6,4 milhões de pessoas, praticamente um quarto da população total.

A cobertura no abastecimento resulta da construção, desde 2007, de 3.035 pontos de água – que corresponde a um sistema em que a recolha de água é efectuada na origem, servindo de chafariz ou lavandaria -, e com mais 395 em execução em todo o país.

Acrescem ainda 923 pequenos sistemas de água – incluem captação superficial, tratamento e abastecimento a mais do que um chafariz – construídos desde 2007 e mais 279 em execução.

As obras de abastecimento em construção, incluindo projectos dos governos provinciais e da administração central, segundo o mesmo relatório, estão avaliadas em 25.452 milhões kwanzas (1,5 mil milhões de euros).

Em Setembro do ano passado, o Governo anunciou que pretendia procurar reservatórios de água subterrâneos em zonas desérticas para minimizar os efeitos dos sucessivos ciclos de estiagem que têm afectado sobretudo o sul do país.

A posição foi assumida pelo ministro João Baptista Borges na 59ª sessão da conferência geral da Agência Internacional de Energia Atómica, que decorreu em Viena, na Áustria.

“Angola enfrenta também problemas geológicos, como a erosão dos solos e períodos cíclicos de estiagem nas áreas desérticas do país”, apontou o governante na sua intervenção naquela reunião.

João Baptista Borges admitiu igualmente a necessidade de obter “apoio em assistência técnica” por parte daquela agência, “com vista à redução da erosão dos solos”, nomeadamente ravinas, e também na “pesquisa de lençóis de água subterrâneos em áreas desérticas”.

A estiagem no sul de Angola tem vindo a agravar-se desde 2011, com o Governo a ter de distribuir alimentos, devido à destruição de culturas pela seca, e a realizar captações alternativas de água, para apoiar a população.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) considerou em Junho de 2015 que é provável que a malnutrição aguda em Angola tenha aumentado nos últimos três anos devido à estiagem em algumas províncias.

Em Julho, só no Cunene, o Governo angolano tinha identificado 755.678 pessoas afectadas pela seca que assola aquela província no sul, bem como 508.483 cabeças de gado que corriam o risco de morrer em consequência da situação.

Na mesma província foi noticiado o caso do município do Curoca, em que mais de 40 mil pessoas necessitavam de ajuda alimentar e de água devido à seca, com a população a recorrer a apoio na vizinha Namíbia.

Partilhe este Artigo