A exportação de café rendeu a Angola mais de dois milhões de dólares em 2015, informou hoje o director do Instituto Nacional do Café (INCA) angolano, João Ferreira.

O responsável disse que Angola está a produzir anualmente 15 mil toneladas de café, mas perspectiva duplicar essa produção nos próximos dois anos. João Ferreira referiu que em 2013 as exportações do produto valeram ao país 650 mil dólares, e no ano seguinte 552 mil dólares.

Segundo o director do INCA, o valor contabilizado não inclui quantidades de café, que não quantificou, exportadas ilegalmente pelas fronteiras sul com a Namíbia e a norte com as repúblicas Democrática do Congo e a do Congo.

“O café que contabilizámos para exportação vai sobretudo para a Europa: Portugal, Itália, França e Espanha, e algum café que vai para os Estados Unidos da América e agora abriu-se um grande mercado, que é o do médio oriente, em que os Emirados [Árabes Unidos] começam a procurar muito o café de Angola”, frisou João Ferreira, em declarações à rádio pública angolana.

Para a dinamização da produção cafeicultora, o director do INCA disse que estão em preparação políticas que vão proporcionar bons resultados ao sector.

“De facto, agora acreditamos que são mesmo políticas realísticas para se conseguir dinamizar o sector do café. É assim que está agora instruído um programa dirigido do café e do palmar para dinamizar as exportações e acreditamos que a médio prazo conseguiremos ter um cenário mais animador”, realçou.

De acordo com João Ferreira, com este programa Angola poderá passar das 15 mil toneladas anuais produzidas para, aproximadamente no prazo de dois a três anos, atingir cerca de 30 mil toneladas.

“Iremos duplicar a produção de café muito rapidamente e nos próximos anos conseguiremos ultrapassar a produção histórica do café no país”, disse.

Até 1974, Angola ocupava o quarto lugar na lista dos maiores produtores de café no mundo, com as suas cerca de 250 mil toneladas anuais.

Actualmente, as tradicionais províncias do Cuanza Sul e de Benguela são as que apresentam maior produção de café, indicou João Ferreira.

Recorde-se que o nosso país já foi um dos maiores exportadores mundiais de café e outras variantes agrícolas como o algodão, sisal, milho, mandioca em chips e banana.

Mas vá lá compreender-se qual é a estratégia oficial para a agricultura. Em 2014 o presidente do IFAD – Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura (IFAD), Kanayo Mwanze, disse – por exemplo – que “não falta dinheiro para o desenvolvimento da agricultura em Angola”. O que falta, de facto, é produzir. Daí que metade dos alimentos consumidos em Angola sejam importados.

Depois de ter visitado o nosso país, Kanayo Mwanz explicou que, “actualmente, somente 2% do Orçamento Geral do Estado é aplicado em programas para o desenvolvimento da agricultura” Assim sendo, “o baixo investimento na agricultura reflecte-se directamente nos contrastes sociais, com preços inflacionados que fazem de Luanda uma das capitais mais caras e desiguais do mundo”.

Ao mesmo tempo que realçava que “o governo reconhece a importância da agricultura e quer usar os recursos que estão a ser gerados por meio da indústria extractiva – petróleo e diamantes – para financiar a agricultura”, o presidente do IFAD, lamentava que o poder público não esteja a incentivar “a capacitação para instituições e pessoas, além de promover investimentos maciços para o desenvolvimento rural”.

Kanayo Nwanze insistiu que, “se houver investimento correcto e forte na agricultura, em dez anos, Angola terá mudado, mas é preciso manter uma visão de longo prazo para que isso aconteça”. Aliás, salientou que ouviu nos encontros com representantes do Banco para o Desenvolvimento de Angola (BDA), que “dinheiro não é problema.”

“Angola tem dinheiro, não há dúvidas sobre isso. A minha discussão com o director executivo do BDA foi para saber como se pode capacitar o banco para que consiga avaliar propostas, ter pessoas para planear e supervisionar os projectos,” realçou Kanayo Nwanze, dizendo que “o IFAD poderia actuar exactamente nesta área, proporcionando a preparação das pessoas envolvidas e ajudando a criar instituições nacionais vocacionadas para o sector”.

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