O Presidente José Eduardo dos Santos (no poder desde 1979 se nunca te sido nominalmente eleito), felicitou hoje o seu amigo e protegido Denis Sassou Nguesso, declarado como vencedor das eleições na vizinha República do Congo, considerando que a votação representa a “confiança” do povo no chefe de Estado reconduzido nas funções.

A associação ao que há de pior no mundo, seja em matéria de direitos humanos, cleptocracia e corrupção é de há muito a imagem de marca de José Eduardo dos Santos e do seu partido pessoal (o MPLA). Não admira, por isso, que elogie e apõe os mais nefastos ditadores do planeta, Kim Jong-un, da Coreia do Norte, Sassou Nguesso do Congo, Obiang Nguema da Guiné Equatorial ou Robert Mugabe do Zimbabwe.

Sassou Nguesso foi declarado vencedor das eleições de 20 de Março, boicotadas pela imprensa, depois de 32 anos de poder, numa votação que a oposição considera ter sido marcada por fraude. Ou seja, nada de novo. Isto é, nada que nós não conheçamos como prática em Angola.

Na sua mensagem, José Eduardo dos Santos, que em 2016 completa 37 anos no poder em Angola, afirma que “os resultados testemunham a vontade soberana do povo congolês e traduzem a confiança que depositam no Presidente Denis Sassou NGuesso”.

“O chefe de Estado angolano, exprime também o desejo de fortalecer os laços de amizade e cooperação com aquele país vizinho”, lê-se na nota da Casa Civil do Presidente da República.

Quatro dos candidatos da oposição derrotados nas recentes eleições presidenciais do Congo, pediram entretanto à população que conteste a reeleição do Presidente Denis Sassou Nguesso, por meios legais e “pacíficos”.

Meios legais e pacíficos, se fosse em Angola, davam direito a prisão. Denis Sassou Nguesso sabe disso e não tem problemas em adoptar a medida, eventualmente multiplicando-a.

O documento é assinado por Guy-Brice Parfait Kolelas, que obteve mais de 15% dos votos expressos, pelo terceiro candidato mais votado, Jean-Marie Michel Mokoko (perto de 14%), e pelos candidatos Caludine Munari e Andre Okombi Salissa.

Os quatro querem uma repetição das greves nacionais, em que muitos congoleses têm participado nos últimos meses para protestar contra a polémica eleição de Nguesso para um terceiro mandato.

No documento também descrevem como “abuso de poder” a controversa forma como decorreu a eleição, a 20 de Março, na qual Sassou Nguesso foi declarado vencedor com 60% dos votos, poucas horas depois do fecho das urnas.

Ao contrário da soberana e irrevogável opinião de José Eduardo dos Santos, União Europeia pensa de maneira diferente (e não sabe fazer mais do que, de vez em quando, pensar) e recusou-se a enviar observadores eleitorais às eleições, justificando que não estavam reunidas as condições para uma votação transparente e democrática.

E para que serviriam eleições transparentes e democráticas? Isso são picuinhices das democracias atrasadas. Nas mais evoluídas, casos de Angola, Coreia do Norte ou Guiné Equatorial, nada disso é necessário.

Em Outubro do ano passado, um referendo abriu as portas a um terceiro mandato presidencial, permitindo a Sassou Nguesso, um ex-coronel pára-quedista de 72 anos, concorrer novamente ao cargo (a Constituição apenas permite dois mandatos seguidos).

Os críticos acusam o Presidente de corrupção desenfreada e nepotismo e apelidaram o referendo de “golpe constitucional”.

Nguesso foi Presidente de 1979 a 1992 e voltou ao poder em 1997, após uma guerra civil. Ganhou as eleições em 2002 e 2009, mas os resultados foram contestados pelos partidos da oposição, em ambas.

Apesar de o Congo ter registado um crescimento de 5% ao longo dos últimos cinco anos (até 2014), a maioria da população vive em extrema pobreza.

Trata-se de uma cópia francesa do que se passa em Angola. De menor qualidade, é certo.

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